Preço do suíno vivo atinge mínima histórica em São Paulo e acende alerta no setor
Cotação média caiu para R$ 4,97 por quilo em agosto, menor valor real desde o início da série do Cepea, em 2002; demanda fraca e excesso de oferta pressionam o mercado
Publicado em: 03/09/2026 às 11:15hs
O preço do suíno vivo atingiu em agosto o menor patamar real já registrado na praça SP-5, formada por Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba. A média mensal ficou em R$ 4,97 por quilo, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O resultado representa uma queda de 4% em relação a julho, quando o animal posto na indústria foi negociado, em média, a R$ 5,18 por quilo. Os valores foram corrigidos pelo IGP-DI de julho de 2026.
Com a nova desvalorização, a cotação superou a mínima anterior da série histórica do Cepea, iniciada em março de 2002. Até então, o menor preço médio real havia sido registrado em julho de 2006, quando o quilo do suíno vivo alcançou R$ 5,06.
Demanda enfraquecida reduz compras da indústria
A trajetória de queda dos preços é observada desde o início de 2026 e ganhou força nos últimos meses. Conforme pesquisadores do Cepea, um dos principais fatores de pressão é o consumo enfraquecido de carne suína no mercado doméstico.
Com menor saída do produto no varejo, frigoríficos e demais indústrias reduziram as compras de novos lotes de animais. Esse movimento ampliou a disponibilidade de suínos para abate e aumentou a pressão sobre os valores pagos aos produtores.
Produção elevada amplia oferta de carne suína
A elevada produção também contribuiu para o desequilíbrio do mercado. As estimativas apontam que agosto registrou o segundo maior volume de carne suína produzido em 2026, atrás apenas de julho.
A disponibilidade interna ficou próxima de 400 mil toneladas, volume que não foi totalmente absorvido pela demanda doméstica. A combinação entre oferta abundante, consumo retraído e menor ritmo de compras da indústria levou as cotações do animal vivo à mínima histórica.
Queda aumenta preocupação com a rentabilidade do produtor
O cenário representa um alerta especialmente para os suinocultores independentes, que estão mais expostos às oscilações do mercado. A forte redução no preço do animal vivo limita as margens da atividade e pode comprometer a capacidade de pagamento dos custos de alimentação, manejo, energia e sanidade.
Uma eventual recuperação das cotações dependerá da redução da oferta disponível, do aumento das compras pelos frigoríficos e de uma reação do consumo de carne suína no mercado brasileiro.
Os dados de preço e a comparação histórica foram confirmados em publicações que atribuem as informações ao Cepea. A expressão “400 milhões de toneladas” presente no texto original foi corrigida para “400 mil toneladas”, pois se trata de uma inconsistência evidente de unidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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