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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo sobe no Sul com estoques baixos, oferta restrita e preocupação com qualidade da nova safra

Poucos vendedores ativos sustentam as cotações no Rio Grande do Sul e no Paraná, enquanto excesso de umidade aumenta o risco de giberela e presença de DON nos grãos


Publicado em: 03/09/2026 às 11:20hs

Trigo sobe no Sul com estoques baixos, oferta restrita e preocupação com qualidade da nova safra
Foto: Gilson Abreu

O mercado de trigo no Sul do Brasil mantém um cenário de firmeza, apoiado pela redução dos estoques disponíveis, pela baixa disposição dos produtores para negociar e pela necessidade de reposição dos moinhos antes da entrada da nova safra.

De acordo com informações da TF Agroeconômica, as cotações avançaram em algumas regiões do Rio Grande do Sul e do Paraná. Em Santa Catarina, entretanto, a comercialização permanece lenta, com indústrias abastecidas e dificuldades no mercado de farinha.

Além da disponibilidade limitada, os agentes acompanham a qualidade das lavouras. Os primeiros lotes procedentes de áreas que atravessaram a floração sob excesso de umidade apresentaram ocorrência de giberela, doença capaz de comprometer os grãos e elevar o risco de contaminação pela micotoxina desoxinivalenol, conhecida como DON.

Estoques reduzidos sustentam preços do trigo no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, poucos vendedores permanecem ativos no mercado. As negociações ocorrem entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada FOB, dependendo da qualidade do cereal e da localização dos lotes.

Entre as operações registradas, um volume de aproximadamente 3 mil toneladas foi comercializado no piso da faixa. A disponibilidade estadual, desconsiderando o trigo já armazenado pelos moinhos, é estimada entre 60 mil e 70 mil toneladas.

Com estoques apertados e necessidade de compras antes da chegada da próxima colheita, o mercado encontra suporte para manter as cotações firmes. Em Panambi, o preço pago ao produtor subiu para R$ 70,02 por saca.

Giberela aumenta preocupação com qualidade da nova safra

O excesso de umidade durante a floração começa a provocar reflexos sobre a qualidade do trigo gaúcho. Os primeiros lotes colhidos em áreas afetadas pelas chuvas apresentaram sinais de giberela.

A doença pode reduzir produtividade, peso e qualidade industrial dos grãos. Também aumenta a possibilidade de presença de DON, fator monitorado de perto por moinhos e compradores devido aos limites estabelecidos para utilização do cereal na alimentação humana e animal.

Nesse ambiente, lotes com melhor padrão industrial podem alcançar maior valorização, enquanto o trigo com problemas de qualidade tende a enfrentar descontos ou dificuldades de comercialização.

Exportação perde atratividade diante dos preços internos

As indicações para exportação em dezembro estão próximas de R$ 1.270 por tonelada no porto, patamar considerado pouco competitivo pelos vendedores. Com isso, os negócios destinados ao mercado externo permanecem praticamente paralisados.

Na Bolsa de Chicago, a CBOT, a melhor referência observada em 2 de setembro equivalia a aproximadamente R$ 1.519,50 por tonelada, ou R$ 91,15 por saca no porto, sem considerar prêmio.

O trigo argentino, por sua vez, é ofertado a US$ 305 por tonelada posto em Canoas, equivalente a cerca de R$ 1.586 por tonelada. A paridade do produto importado ajuda a limitar quedas mais expressivas nas cotações domésticas.

Mercado de trigo segue lento em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a comercialização continua com baixa liquidez. Os moinhos estão relativamente abastecidos e relatam dificuldades nas vendas, além de pressão sobre os preços da farinha.

O trigo pão é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Também foi registrada uma operação com trigo branqueador a R$ 1.500 por tonelada FOB.

No mercado de balcão, as cotações apresentaram altas em importantes regiões produtoras, como Chapecó, Joaçaba, São Miguel do Oeste e Xanxerê. Apesar da valorização, o ritmo dos negócios ainda é limitado.

Preços avançam no Paraná, mas vendedores ofertam pouco trigo

O mercado paranaense também registra leve valorização, embora as ofertas permaneçam escassas. Foram reportadas negociações a R$ 1.500 por tonelada FOB no Norte do Paraná e a R$ 1.450 por tonelada nos Campos Gerais.

Para o trigo da nova safra, os compradores indicam valores próximos de R$ 1.500 por tonelada para entrega em setembro. Para novembro, as referências recuam para aproximadamente R$ 1.400 por tonelada, refletindo a expectativa de aumento da disponibilidade com o avanço da colheita.

Entre os produtos importados, o trigo argentino nacionalizado é indicado a US$ 310 por tonelada. Já o cereal paraguaio varia de US$ 285 a US$ 310 por tonelada CIF Paraná.

Oferta restrita deve manter mercado firme no curto prazo

A combinação de estoques baixos, poucos vendedores ativos e necessidade de reposição dos moinhos tende a sustentar os preços do trigo no Sul durante o período que antecede a entrada mais expressiva da nova safra.

A evolução das cotações dependerá principalmente do ritmo da colheita, da qualidade dos grãos, do comportamento das importações e da demanda da indústria moageira. Caso os problemas com giberela e DON se confirmem em maior escala, a diferença de preços entre lotes de boa qualidade e trigo fora do padrão industrial poderá aumentar nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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