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Soja

Chuvas de até 315 mm em quatro dias ameaçam soja no Oeste do Paraná; plantio chega a 90,62%

Encharcamento preocupa produtores na fase inicial das lavouras, com riscos de danos às raízes, perda de nutrientes e erosão; impacto sobre a produtividade ainda depende da evolução do clima


Publicado em: 19/10/2026 às 17:30hs

Chuvas de até 315 mm em quatro dias ameaçam soja no Oeste do Paraná; plantio chega a 90,62%

O excesso de chuvas no Oeste do Paraná acendeu um alerta para o desenvolvimento da soja da safra 2026/27, cujo plantio alcançou 90,62% da área prevista. Em algumas localidades, os acumulados chegaram a 315 milímetros em quatro dias, provocando encharcamento do solo e aumentando a preocupação com as lavouras recém-implantadas.

A avaliação é do economista Ernani José Benincá, da Benincá Agro – Consultoria e Corretagem Ltda., em levantamento exclusivo à Agência Safras. Segundo ele, a persistência das precipitações dificulta a conclusão da semeadura e pode comprometer o desenvolvimento das plantas, ainda nos estádios iniciais.

Plantio avança apenas 1,57 ponto percentual desde o início de outubro

A elevada umidade reduziu o ritmo dos trabalhos no campo. Desde 1º de outubro, quando a semeadura atingia 89,05% da área, o avanço foi de apenas 1,57 ponto percentual.

O andamento varia entre as regiões acompanhadas. Em Toledo, o plantio alcançou 98,46%, enquanto Cascavel registrou 83,08%. Nos municípios da região beira-lago, os trabalhos chegaram a 99%.

Apesar da proximidade da conclusão em parte das áreas, a principal preocupação passou a ser a condição das lavouras já semeadas.

Segundo Benincá, as plantas estão, no máximo, no estádio V4, fase em que o encharcamento exige atenção pelos possíveis efeitos sobre o sistema radicular e o crescimento da cultura.

Municípios já superam média histórica regional de chuva para outubro

O monitoramento apresentado no levantamento aponta 255,9 milímetros de precipitação média regional em outubro, volume próximo da média histórica de 274,8 milímetros para o mês inteiro.

Alguns municípios já registraram acumulados superiores a essa referência regional:

  • Santa Terezinha de Itaipu: 397 milímetros;
  • São Miguel do Iguaçu: 380 milímetros;
  • Guaraniaçu: 334 milímetros;
  • Palotina: 287 milímetros.

Benincá considera possível que a continuidade das chuvas leve a volumes excepcionalmente elevados no mês. Em Palotina, ele cita como referência o acumulado de 581 milímetros registrado em outubro de 2021, dentro de uma série de observações iniciada em 1970.

Solo encharcado aumenta riscos para raízes e emergência da soja

De acordo com o especialista, o excesso de água reduz a oxigenação das raízes e favorece a lixiviação de nutrientes, especialmente nitrogênio e potássio.

Nas áreas em emergência, a preocupação envolve o apodrecimento de sementes e o tombamento de plântulas, problemas que podem prejudicar o estabelecimento da lavoura.

Já nas plantas entre os estádios V3 e V4, Benincá aponta riscos de redução da fixação biológica de nitrogênio, amarelecimento e menor crescimento.

A intensidade desses efeitos dependerá das condições de cada área e da duração do período de saturação do solo.

Erosão e baixa luminosidade ampliam preocupação

Além do encharcamento, o levantamento relata erosão laminar em áreas de Ouro Verde do Oeste. Com o solo saturado, novas precipitações volumosas podem intensificar os danos.

A sequência de dias chuvosos e encobertos também reduz a disponibilidade de radiação solar. Segundo Benincá, essa condição prejudica a fotossíntese e pode alterar o ritmo de desenvolvimento das plantas.

As previsões mencionadas no levantamento indicavam continuidade das chuvas até sexta-feira, 16 de outubro, mantendo a atenção sobre a possibilidade de novos problemas no campo.

Potencial produtivo ainda depende do comportamento climático

A área de soja no Oeste do Paraná está estimada em 1,035 milhão de hectares, com produção projetada de 4,114 milhões de toneladas e produtividade média de 3.976 quilos por hectare.

Essas projeções ainda não representam uma quantificação de perdas provocadas pelas chuvas. Conforme Benincá, o comportamento do clima nas próximas semanas será determinante para avaliar os efeitos sobre o potencial produtivo da safra.

O acompanhamento das lavouras deverá mostrar se os danos permanecerão localizados ou terão impacto mais amplo sobre a produção regional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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