Preço do café arábica cai 6% no Brasil com oferta maior e real valorizado, aponta Itaú BBA
Indicador chegou a R$ 1.531 por saca em 9 de outubro; exportações de café verde cresceram 20% em setembro, enquanto qualidade dos lotes e clima mantêm atenção do mercado
Publicado em: 19/10/2026 às 18:00hs
A maior disponibilidade de café brasileiro e a valorização do real pressionaram os preços no mercado físico, apesar das oscilações nas bolsas internacionais. Segundo o Agro Mensal de outubro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o indicador Cepea do arábica encerrou 9 de outubro em R$ 1.531 por saca, queda de 6% em 30 dias.
No mesmo intervalo, o conilon tipo 7 no Espírito Santo recuou 3%, para R$ 910 por saca. A conclusão da colheita da safra 2026/27 ampliou a oferta, enquanto o dólar mais baixo reduziu a sustentação das cotações domésticas.
O relatório aponta que esse cenário tende a limitar altas mais consistentes, mas ressalta que diferenças de qualidade e as condições climáticas da próxima safra continuam capazes de provocar movimentos de preços.
Café teve recuperação breve e forte volatilidade em Nova York
Após as perdas de setembro, o arábica reagiu no início de outubro, mas a valorização durou poucos dias. O contrato dezembro de 2026 em Nova York chegou a 304,45 centavos de dólar por libra-peso em 6 de outubro, maior cotação em 40 dias, antes de recuar 6% nos dois pregões seguintes.
Em 9 de outubro, o vencimento encerrou a 286,95 centavos de dólar por libra-peso, acumulando queda de 0,4% em 30 dias.
Em Londres, o robusta com entrega em novembro de 2026 caiu 1,4% na mesma comparação, para US$ 3.473 por tonelada.
Segundo o Itaú BBA, a reação inicial teve forte componente técnico, com atuação de fundos e especuladores, em um mercado sensível às condições das lavouras brasileiras durante a florada da safra 2027/28.
Oferta brasileira e câmbio limitam sustentação dos preços
A recuperação internacional perdeu força diante da maior disponibilidade de café após a colheita brasileira, do ritmo elevado dos embarques e da recomposição dos estoques certificados em Nova York.
O câmbio acrescentou pressão ao mercado físico. No período analisado, o dólar passou de valores superiores a R$ 5,20 no início de outubro para níveis abaixo de R$ 5,00.
Conforme o relatório, a oferta mais confortável também aparece nos diferenciais dos cafés brasileiros, que permanecem abaixo dos padrões históricos.
Exportações de café verde crescem 20% em setembro
Os embarques brasileiros de café verde somaram 3,9 milhões de sacas em setembro, avanço de 20% frente ao mesmo mês de 2025, segundo os dados apresentados pelo banco.
A maior disponibilidade da safra 2026/27 tende a sustentar o fluxo de exportações. Ao mesmo tempo, a comercialização entra em uma fase mais intensa, ampliando a oferta física.
Na avaliação da consultoria, produtores mais capitalizados têm condições de distribuir as vendas ao longo do tempo e aproveitar recuperações pontuais das cotações. O ritmo dessas negociações permanece entre os fatores relevantes para o comportamento do mercado.
Qualidade pode ampliar diferenças de preços entre os lotes
Embora a oferta total seja maior, a qualidade da safra exige atenção. As chuvas durante a colheita prejudicaram parte dos lotes e aumentaram a ocorrência de café no chão, conforme o relatório.
Eventuais perdas qualitativas podem restringir a disponibilidade de cafés de melhor padrão e sustentar diferenças importantes de preços entre os produtos.
Assim, um mercado mais abastecido não significa disponibilidade uniforme de todas as qualidades demandadas pelos compradores.
Produção mundial maior favorece recomposição dos estoques
O balanço do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), reproduzido pelo Itaú BBA, aponta produção mundial de aproximadamente 190 milhões de sacas em 2026/27, crescimento de 6,1%.
Para o Brasil, a estimativa apresentada é de 71,9 milhões de sacas, alta de 14,1%. O consumo mundial está projetado em cerca de 180 milhões de sacas, avanço de 3,6%.
Nesse quadro, os estoques finais globais devem alcançar aproximadamente 26 milhões de sacas, crescimento de 7,8%, contribuindo para um balanço mais confortável entre oferta e demanda.
Curva futura pode perder parte da inversão
O relatório destaca que a curva futura do arábica em Nova York permanece invertida, com contratos mais próximos acima dos vencimentos mais distantes.
Com o avanço da oferta e a recuperação dos estoques, o Itaú BBA espera redução gradual dessa diferença, tornando a curva mais plana.
Esse movimento dependerá da evolução da disponibilidade física e da demanda, em um mercado que continua exposto à volatilidade climática e financeira.
Chuvas favorecem safra 2027/28, mas El Niño segue no radar
Para a safra brasileira 2027/28, o relatório considera favoráveis as condições observadas até sua elaboração. As chuvas recentes beneficiaram as floradas e o desenvolvimento inicial das lavouras, sem impactos negativos do El Niño identificados naquele momento.
Ainda assim, permanecem sob acompanhamento os riscos de períodos mais secos e temperaturas acima da média no norte do cinturão cafeeiro.
A consultoria também ressalta os possíveis efeitos do fenômeno sobre outras origens produtoras, especialmente na América Central e na Ásia. A evolução dessas condições poderá influenciar as expectativas de oferta e provocar novas oscilações nas cotações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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