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Soja

Brasil deve produzir 180,46 milhões de toneladas de soja em 2026, projeta Abiove

Processamento acumulado cresce 7,7%, exportações de farelo avançam para 25,3 milhões de toneladas e embarques do grão devem alcançar 115,4 milhões de toneladas


Publicado em: 21/08/2026 às 10:10hs

Brasil deve produzir 180,46 milhões de toneladas de soja em 2026, projeta Abiove
Foto: CNA

A produção brasileira de soja deverá alcançar 180,464 milhões de toneladas em 2026, segundo a atualização do quadro de oferta e demanda divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A projeção, baseada nos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), confirma uma safra elevada e um cenário de forte atividade no complexo soja.

Apesar do volume expressivo, a nova estimativa ficou 0,1% abaixo da projeção anterior, de 180,568 milhões de toneladas. A revisão representa uma redução de aproximadamente 104 mil toneladas.

As exportações de soja em grão foram mantidas em 115,4 milhões de toneladas, enquanto o processamento industrial continua projetado em 63,3 milhões de toneladas. Para as importações, a expectativa permanece em 900 mil toneladas.

Esmagamento de soja cresce 7,7% no primeiro semestre

A atividade industrial apresentou avanço importante no acumulado de janeiro a junho de 2026. Segundo a Abiove, o Brasil processou 28,30 milhões de toneladas de soja no período, crescimento de 7,7% em relação ao primeiro semestre de 2025, considerando o ajuste pelo percentual amostral.

Somente em junho, o esmagamento alcançou 4,95 milhões de toneladas. O resultado corresponde a uma queda de 5,3% na comparação com maio, mas representa alta de 7,3% em relação a junho do ano passado.

O desempenho reforça a expansão da indústria brasileira de processamento e a demanda por derivados, especialmente farelo e óleo de soja.

Exportação de farelo sobe para 25,3 milhões de toneladas

A principal alteração realizada pela Abiove ocorreu nas exportações de farelo de soja. A projeção foi elevada de 24,9 milhões para 25,3 milhões de toneladas, crescimento de 1,6% em relação à estimativa anterior.

A produção brasileira de farelo foi mantida em 48,7 milhões de toneladas. O consumo doméstico deverá alcançar 21,4 milhões de toneladas, enquanto as importações seguem estimadas em apenas mil toneladas.

Com o aumento dos embarques, a projeção para os estoques finais de farelo caiu de 4,496 milhões para 4,096 milhões de toneladas. A redução chega a 8,9%, ou 400 mil toneladas. O estoque inicial do derivado foi mantido em 2,095 milhões de toneladas.

Demanda externa sustenta avanço dos embarques

De acordo com o diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral, a revisão das estimativas reflete a continuidade do dinamismo no processamento nacional e a solidez da demanda internacional, especialmente pelo farelo de soja.

O crescimento do esmagamento acumulado também evidencia, segundo o executivo, a capacidade operacional e a competitividade da indústria brasileira.

A entidade continuará monitorando as variáveis de oferta e demanda para acompanhar as condições de abastecimento dos mercados doméstico e internacional.

Exportações de soja são mantidas em 115,4 milhões de toneladas

O quadro de oferta e demanda da Abiove prevê um estoque inicial de 6,815 milhões de toneladas de soja em grão. Com a produção estimada em 180,464 milhões de toneladas e as importações de 900 mil toneladas, o país deverá manter elevada disponibilidade para atender às exportações, à indústria e às demais necessidades do mercado.

Além dos 115,4 milhões de toneladas destinadas ao exterior e dos 63,3 milhões previstos para processamento, outros 3 milhões de toneladas deverão ser utilizados como sementes ou em outras finalidades.

O estoque final de soja foi revisado para 6,479 milhões de toneladas, redução de 1,6% diante dos 6,583 milhões de toneladas projetados anteriormente. A revisão está diretamente associada ao pequeno corte realizado na estimativa para a produção nacional.

Produção de óleo de soja deve atingir 12,75 milhões de toneladas

No segmento de óleo de soja, as estimativas permaneceram inalteradas. A produção brasileira está projetada em 12,75 milhões de toneladas em 2026.

O consumo interno deverá alcançar 11 milhões de toneladas, volume significativamente superior aos 1,7 milhão de toneladas previstos para exportação. As importações estão estimadas em 125 mil toneladas.

Com estoque inicial de 661 mil toneladas, a Abiove projeta que o país encerre o ano com 836 mil toneladas de óleo de soja armazenadas.

Complexo soja mantém protagonismo no agronegócio brasileiro

As novas projeções mostram que o complexo soja deverá continuar entre os principais motores do agronegócio e da balança comercial brasileira em 2026.

A combinação de uma safra superior a 180 milhões de toneladas, exportações firmes e crescimento do processamento amplia a oferta de farelo e óleo, além de fortalecer a agregação de valor dentro do país.

O aumento previsto nos embarques de farelo também sinaliza maior participação dos produtos processados nas exportações brasileiras. Ao mesmo tempo, a redução dos estoques finais exige acompanhamento do ritmo das vendas externas, do consumo doméstico e da atividade industrial ao longo do segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

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