Publicidade
Cana de Açucar

Safra de cana-de-açúcar deve crescer 4,7% e alcançar 705,2 milhões de toneladas

Conab projeta aumento da área e da produtividade em 2026/27; produção brasileira de etanol pode atingir 41,88 bilhões de litros


Publicado em: 21/08/2026 às 10:50hs

Safra de cana-de-açúcar deve crescer 4,7% e alcançar 705,2 milhões de toneladas

A produção brasileira de cana-de-açúcar está estimada em 705,2 milhões de toneladas na safra 2026/27. Caso o volume se confirme, o país registrará crescimento de 4,7% em relação ao ciclo anterior, segundo o segundo levantamento da temporada divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O avanço resulta da combinação entre a expansão da área colhida e a recuperação do rendimento das lavouras. A área destinada à colheita deverá crescer 1,1%, alcançando 9,1 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional está projetada em 77.905 quilos por hectare, alta de 3,6%.

De acordo com a Conab, as condições climáticas observadas desde o início do ciclo têm favorecido o desenvolvimento das plantações. A recuperação da produtividade deverá ser o principal fator para o crescimento da oferta nacional de cana-de-açúcar.

Sudeste deve produzir 451,4 milhões de toneladas

Maior região produtora do país, o Sudeste deverá colher 451,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27.

A área destinada à cultura está estimada em 5,6 milhões de hectares, crescimento de 0,4% na comparação com o ciclo anterior. A produtividade média deverá alcançar 80.872 quilos por hectare, avanço de 4,6%.

O aumento do rendimento reflete as condições climáticas mais favoráveis do que as registradas durante a última temporada.

São Paulo continuará liderando a produção nacional. As usinas e os produtores paulistas deverão colher 362,8 milhões de toneladas, o equivalente a mais da metade de toda a cana-de-açúcar prevista para o Brasil.

Centro-Oeste amplia área e produtividade da cana

A produção de cana-de-açúcar no Centro-Oeste está estimada em 157 milhões de toneladas, alta de 4,6% em relação à safra anterior.

Segunda maior região produtora do país, o Centro-Oeste deverá registrar crescimento tanto na área cultivada quanto no rendimento das lavouras.

A área destinada à colheita poderá atingir 2 milhões de hectares, enquanto a produtividade média está projetada em 78.755 quilos por hectare.

O resultado reforça a importância da região na expansão da indústria sucroenergética brasileira, com destaque para a produção de etanol e para o avanço das usinas flex, capazes de utilizar cana-de-açúcar e milho.

Sul deve colher 37,3 milhões de toneladas

A Região Sul também deverá apresentar crescimento de área e produtividade durante a temporada 2026/27.

Com esse desempenho, a produção está estimada em 37,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

A recuperação das lavouras contribui para ampliar a disponibilidade de matéria-prima destinada às unidades industriais, principalmente no Paraná, principal estado produtor da região.

Produção cresce no Norte do país

A Conab também projeta aumento da produção de cana-de-açúcar na Região Norte.

A colheita regional deverá alcançar 4,1 milhões de toneladas em 2026/27, impulsionada pela ampliação da área e pela melhora da produtividade.

Embora represente uma parcela menor da oferta nacional, a produção do Norte possui importância para o abastecimento regional e para a operação das unidades industriais instaladas nos estados produtores.

Nordeste deve produzir 55,5 milhões de toneladas de cana

No Nordeste, a produção de cana-de-açúcar está estimada em 55,5 milhões de toneladas, alta de 4,1% na comparação com a safra anterior.

O crescimento deverá ser sustentado principalmente pela ampliação da área colhida, projetada em 923,5 mil hectares.

A produtividade média regional deverá alcançar 60.037 quilos por hectare, aumento moderado de 0,3%. O rendimento ainda permanece abaixo do observado no Centro-Sul, refletindo diferenças climáticas, tecnológicas e estruturais entre as regiões produtoras.

Produção de açúcar deve cair 2,9%

Apesar da maior oferta de cana-de-açúcar, a fabricação de açúcar deverá recuar na safra 2026/27.

A Conab estima uma produção de 42,89 milhões de toneladas do adoçante, queda de 2,9% em relação ao ciclo 2025/26.

O movimento indica uma possível mudança no mix das usinas, com maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol. A decisão industrial costuma considerar fatores como preços, demanda, contratos, capacidade das unidades e perspectivas para os mercados interno e internacional.

Mesmo com a redução projetada, o Brasil deverá permanecer como um dos maiores produtores e o principal exportador mundial de açúcar.

Etanol de cana pode crescer 9,7%

A fabricação de etanol a partir da cana-de-açúcar deverá alcançar 29,98 bilhões de litros na temporada 2026/27.

O volume representa crescimento de 9,7% em relação à safra anterior. A expansão contrasta com a queda esperada na produção de açúcar e reforça a possibilidade de maior destinação da cana para o biocombustível.

O aumento da oferta também deverá contribuir para atender ao consumo doméstico, especialmente diante da maior demanda por etanol anidro utilizado na mistura obrigatória com a gasolina.

Etanol de milho avança 17% e atinge 11,91 bilhões de litros

A produção brasileira de etanol de milho continuará em forte expansão. A Conab estima que o volume alcance 11,91 bilhões de litros durante a atual temporada.

A projeção representa crescimento de 17% na comparação com o ciclo anterior.

O avanço é impulsionado principalmente pelas novas unidades e pela ampliação da capacidade das indústrias instaladas no Centro-Oeste. A disponibilidade regional de milho e a possibilidade de operação ao longo de todo o ano favorecem o crescimento desse segmento.

Além do combustível, as usinas produzem coprodutos utilizados na alimentação animal, agregando valor ao processamento do cereal.

Produção total de etanol deve atingir 41,88 bilhões de litros

Com a soma do biocombustível fabricado a partir da cana-de-açúcar e do milho, a produção brasileira de etanol deverá alcançar 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27.

O volume representa alta de 11,7% em relação à temporada anterior e reforça a expansão do setor de biocombustíveis no país.

Desse total, aproximadamente 71,6% deverão ser originados da cana-de-açúcar e 28,4% do milho. A participação crescente do cereal amplia a diversificação das matérias-primas e reduz a concentração sazonal da produção.

Preços internacionais do açúcar seguem em recuperação

As cotações do açúcar no mercado internacional mantêm trajetória de alta em agosto, prolongando a recuperação iniciada no final de julho.

O movimento é sustentado pelas expectativas de maior restrição da oferta mundial, diante dos riscos climáticos nas principais regiões produtoras.

O mercado também acompanha a possibilidade de redução da parcela da cana destinada à fabricação de açúcar no Brasil. Caso as usinas priorizem o etanol, a menor disponibilidade do adoçante para exportação poderá oferecer sustentação adicional às cotações internacionais.

Mistura E32 favorece demanda por etanol anidro

O cenário doméstico também permanece positivo para o etanol, especialmente para o anidro misturado à gasolina.

No final de julho, o percentual obrigatório do biocombustível na gasolina passou de 30% para 32%, com a mudança do E30 para o E32.

A elevação da mistura tende a ampliar o consumo de etanol anidro no país. Com uma demanda maior, as usinas podem encontrar incentivos adicionais para direcionar parte da cana-de-açúcar à fabricação do biocombustível.

Safra maior fortalece setor sucroenergético

A estimativa de 705,2 milhões de toneladas indica uma recuperação importante da produção brasileira de cana-de-açúcar. O resultado deverá ser sustentado principalmente pela melhora da produtividade, favorecida pelas condições climáticas mais adequadas.

A expansão da matéria-prima, entretanto, não será distribuída igualmente entre açúcar e etanol. A Conab prevê redução na fabricação do adoçante e crescimento expressivo do biocombustível.

As decisões das usinas sobre o mix de produção serão influenciadas pela evolução dos preços internacionais do açúcar, pela demanda doméstica por combustíveis e pelo impacto da mistura E32.

Com o avanço simultâneo do etanol de cana e de milho, o Brasil deverá ampliar a oferta de energia renovável e consolidar o papel do setor sucroenergético na transição para uma matriz de combustíveis com menor emissão de carbono.

2° Levantamento da Safra 2026/27

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias