Frango e ovos ficam mais baratos em agosto, enquanto alta do milho e do farelo aperta margens da avicultura
Poder de compra do avicultor paulista recua pelo segundo mês consecutivo, e enfraquecimento da demanda pressiona os preços dos ovos na segunda quinzena, segundo o Cepea
Publicado em: 21/08/2026 às 11:05hs
O mercado avícola brasileiro enfrenta um cenário de maior pressão sobre as margens em agosto. Enquanto a desvalorização do frango vivo e o encarecimento do milho e do farelo de soja reduzem o poder de compra dos produtores paulistas, o segmento de ovos registra queda nas cotações diante do menor ritmo das vendas na segunda metade do mês.
As movimentações, identificadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostram que tanto a avicultura de corte quanto a de postura atravessam um período de ajuste. De um lado, os custos de alimentação avançam; de outro, a demanda enfraquecida limita a sustentação dos preços dos produtos comercializados.
Poder de compra do avicultor recua em agosto
O poder de compra do avicultor paulista em relação ao milho e ao farelo de soja diminui pelo segundo mês consecutivo. O movimento decorre da combinação entre a queda no valor do frango vivo e a valorização dos principais ingredientes utilizados na formulação das rações.
No início de agosto, a elevada disponibilidade de frango vivo no mercado interno pressionou as cotações. Com a absorção gradual do excedente, os preços passaram a apresentar maior estabilidade, mas ainda sem recuperação suficiente para compensar o avanço dos custos de produção.
Esse cenário reduz a quantidade de milho e farelo de soja que o produtor consegue adquirir com a receita obtida na venda das aves, comprometendo a relação de troca e estreitando as margens da atividade.
Milho e farelo de soja elevam os custos da avicultura
Os preços do milho e do farelo de soja avançaram no período, aumentando a pressão sobre a produção de frangos e ovos. Como a alimentação representa uma das principais despesas das granjas, variações nesses insumos têm impacto direto sobre a rentabilidade do setor.
De acordo com a equipe de Grãos do Cepea, a valorização foi mais intensa no mercado de farelo de soja. O movimento esteve relacionado à maior concorrência entre compradores domésticos e internacionais, além da influência da valorização do dólar frente ao real.
A combinação entre insumos mais caros e preços enfraquecidos para o frango vivo exige maior atenção dos produtores ao planejamento das compras, ao controle dos estoques e à eficiência alimentar dos plantéis.
Preços dos ovos caem na segunda quinzena de agosto
No mercado de ovos, as cotações apresentaram estabilidade durante a primeira metade de agosto, mas passaram a recuar na segunda quinzena. Segundo pesquisadores do Cepea, a desaceleração das vendas, característica deste período do mês, aumentou a pressão sobre os valores negociados.
Com a demanda mais fraca, atacadistas e varejistas intensificaram os pedidos de descontos. Para manter o escoamento da produção e evitar o acúmulo de estoques nas granjas, parte dos produtores aceitou reduzir os preços durante as negociações.
Os recuos foram observados tanto nas regiões produtoras quanto nos mercados atacadistas dos principais centros consumidores, indicando uma perda de sustentação ao longo da cadeia de comercialização.
Oferta controlada limita quedas mais acentuadas
Apesar da menor demanda, a disponibilidade ajustada de ovos em diferentes praças impediu uma desvalorização mais intensa. A oferta controlada funcionou como fator de sustentação e limitou o tamanho das quedas em algumas regiões acompanhadas pelo Cepea.
O comportamento da oferta será determinante para os preços nas próximas semanas. Caso o consumo permaneça enfraquecido e a disponibilidade aumente, novas pressões poderão surgir. Por outro lado, uma retomada das vendas pode contribuir para estabilizar as cotações.
Avicultura enfrenta pressão dos dois lados
O cenário de agosto evidencia um desafio simultâneo para a avicultura brasileira: aumento dos custos e menor capacidade de repasse ao mercado. Na produção de frangos, a alta do milho e, principalmente, do farelo de soja reduz o poder de compra do avicultor. Na postura comercial, a retração das vendas força concessões de preços para garantir o giro dos estoques.
A evolução do dólar, das cotações dos grãos, da oferta de aves e ovos e do consumo interno continuará no radar do setor. Esses fatores serão decisivos para a recuperação das margens e para o comportamento dos preços ao produtor nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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