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Açúcar atinge máxima de 15 meses em Nova York, mas realização de lucros limita avanço; preços disparam no Brasil

Restrições de oferta, importação inédita da Índia e riscos climáticos sustentam as cotações internacionais, enquanto açúcar cristal acumula alta de 14% em agosto no mercado brasileiro


Publicado em: 21/08/2026 às 11:10hs

Açúcar atinge máxima de 15 meses em Nova York, mas realização de lucros limita avanço; preços disparam no Brasil

O mercado mundial de açúcar encerrou a quinta-feira (20) em clima de forte volatilidade. Depois de alcançar o maior nível em 15 meses durante o pregão, o açúcar bruto negociado em Nova York perdeu força diante de uma correção técnica e da realização de lucros. Em Londres, porém, o açúcar branco avançou nos principais vencimentos.

No mercado brasileiro, a valorização foi mais consistente. O açúcar cristal branco manteve a trajetória de alta e já acumula ganho superior a 14% em agosto. O etanol hidratado também registrou novo avanço em São Paulo.

As cotações continuam sustentadas pelas preocupações com a oferta global, especialmente diante das condições climáticas adversas na Índia e na Europa, da possibilidade de efeitos do El Niño sobre importantes regiões produtoras e da expectativa de redução na produção brasileira de açúcar na safra 2026/27.

Açúcar alcança maior preço em 15 meses em Nova York

Na ICE Futures US, o contrato do açúcar bruto com vencimento em outubro de 2026 chegou a 18,26 centavos de dólar por libra-peso durante as negociações, renovando a máxima dos últimos 15 meses.

Apesar do avanço intradiário, o mercado não conseguiu sustentar os ganhos. O vencimento outubro/26 encerrou cotado a 17,52 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,03 centavo, equivalente a 0,17%.

O contrato março/27 recuou para 18,50 centavos por libra-peso, com baixa de 0,26%. Já o vencimento maio/27 terminou a 18,07 centavos, após perda de 0,06 ponto. Nos contratos mais longos, o desempenho foi misto, com oscilações positivas e negativas.

A reversão ocorreu após a forte valorização acumulada nas últimas semanas. Com as cotações em níveis elevados, investidores aproveitaram o movimento para realizar lucros, provocando uma correção técnica no fim da sessão.

Açúcar branco avança na Bolsa de Londres

Na ICE Futures Europe, o açúcar branco apresentou desempenho mais firme. O contrato outubro/26 subiu US$ 10,00 e encerrou o pregão negociado a US$ 552,20 por tonelada.

O vencimento dezembro/26 avançou US$ 4,60, alcançando US$ 540,30 por tonelada. Março/27 registrou alta de US$ 1,90, para US$ 536,70.

Os contratos intermediários também fecharam em valorização, enquanto algumas posições mais distantes apresentaram ajustes negativos.

Índia autoriza importação para conter preços recordes

Um dos principais fatores de suporte ao mercado foi a confirmação de que a Índia autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar com isenção de impostos.

A medida busca ampliar a oferta doméstica e conter a escalada dos preços ao consumidor antes do período de maior concentração de festividades no país. As cotações internas indianas teriam acumulado alta próxima de 40% em dois meses, refletindo o aperto na disponibilidade do produto.

Maior consumidora mundial de açúcar, a Índia deverá recorrer às importações pela primeira vez em quase uma década. A decisão reforçou a percepção de menor oferta global e ampliou a atenção dos agentes sobre o desenvolvimento da safra indiana.

Chuvas abaixo da média ameaçam canaviais indianos

O clima permanece no centro das análises. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 13% abaixo da média até 19 de agosto.

Embora o déficit tenha diminuído em relação aos 42% observados no fim de junho, as projeções ainda indicam precipitações inferiores ao padrão histórico durante agosto e setembro.

O Ministério de Ciências da Terra da Índia avalia que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca em 11 anos. O período é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar e, por isso, uma distribuição irregular das chuvas pode comprometer a produtividade e reduzir a disponibilidade do adoçante.

Seca reduz perspectivas para o açúcar europeu

Na Europa, a combinação de estiagem e temperaturas elevadas também aumenta as preocupações com a oferta. A produção conjunta de açúcar da União Europeia e do Reino Unido está projetada em 14,98 milhões de toneladas, o menor volume em 11 anos, de acordo com estimativas da S&P Global Energy.

O cenário climático desfavorável afeta principalmente a produtividade da beterraba, matéria-prima predominante na produção europeia de açúcar.

Ao mesmo tempo, o mercado monitora o fortalecimento do El Niño. O fenômeno pode alterar a distribuição das chuvas no Brasil, na Índia e na Tailândia, três dos principais participantes do mercado internacional, elevando os riscos para a produção global.

Conab projeta queda na produção brasileira de açúcar

No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de açúcar na safra 2026/27 deverá recuar 2,9%, totalizando 42,9 milhões de toneladas.

Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também reforçaram as preocupações com a disponibilidade do produto. Em junho, a produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro somou 3,903 milhões de toneladas, queda de 26,3%.

A redução da oferta brasileira ganha relevância porque o país ocupa posição de liderança nas exportações globais. Qualquer recuo expressivo na produção nacional tende a repercutir diretamente nos preços internacionais.

Açúcar cristal acumula alta de 14,07% em agosto

Enquanto Nova York passou por realização de lucros, o mercado físico brasileiro manteve a valorização. O Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ, referente ao estado de São Paulo, fechou a quinta-feira em R$ 104,37 por saca de 50 quilos.

O valor representa alta diária de 1,83%. No acumulado de agosto, o açúcar cristal já registra valorização de 14,07%. Convertida para a moeda norte-americana, a referência ficou em US$ 20,10 por saca.

O avanço reflete a menor disponibilidade imediata, a firmeza das negociações domésticas e as expectativas relacionadas à oferta brasileira e internacional.

Etanol hidratado também registra valorização

O etanol hidratado acompanhou o movimento positivo no mercado paulista. O Indicador Diário de Paulínia encerrou o pregão a R$ 2.358,50 por metro cúbico, com avanço de 0,53%.

Em agosto, o biocombustível acumula valorização de 10,73%. A alta do etanol também pode influenciar as decisões das usinas sobre a destinação da cana-de-açúcar, especialmente na definição do volume direcionado à fabricação do combustível ou do adoçante.

Oferta global mantém mercado do açúcar em alerta

Apesar da correção registrada no fechamento de Nova York, os fundamentos continuam oferecendo suporte às cotações. A necessidade de importação da Índia, a redução esperada na produção brasileira, as perdas potenciais na Europa e as incertezas climáticas formam um cenário de oferta mais restrita.

No curto prazo, o mercado deverá permanecer volátil, alternando movimentos de realização de lucros com novas altas relacionadas ao clima e à disponibilidade global. No Brasil, a firmeza do açúcar cristal e do etanol indica que a disputa pela matéria-prima continuará influenciando os preços e o planejamento das usinas ao longo da safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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