Greening ameaça citricultura brasileira, mas São Paulo amplia ações para proteger maior polo produtor de laranja
Doença que devastou a produção da Flórida acende alerta no Brasil; governo paulista aposta em pesquisa, fiscalização, renovação de pomares e manejo integrado para conter avanço do greening
Publicado em: 24/07/2026 às 13:00hs
A citricultura paulista intensificou o combate ao greening, considerada atualmente a maior ameaça fitossanitária da cadeia produtiva de citros no mundo. A doença, que não possui cura e compromete a produtividade das plantas, provocou um colapso histórico na produção da Flórida, nos Estados Unidos, e colocou em alerta produtores brasileiros.
O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou que a experiência norte-americana serve como um alerta para a necessidade de ações permanentes de prevenção e controle.
Na safra 2003/04, a Flórida produziu cerca de 242 milhões de caixas de laranja. Já na temporada 2025/26, a estimativa caiu para apenas 12,92 milhões de caixas, uma redução próxima de 95%. O avanço do greening, somado a eventos climáticos extremos, foi apontado como um dos principais fatores responsáveis pela retração da atividade.
Brasil protege liderança mundial na produção de suco de laranja
O impacto da doença preocupa diretamente o Brasil, maior produtor e exportador mundial de suco de laranja.
Na safra 2025/26, o cinturão citrícola formado por São Paulo e pelo Triângulo Mineiro produziu aproximadamente 292,94 milhões de caixas, representando cerca de 76% da produção nacional estimada.
O país responde por mais de 70% das exportações globais de suco de laranja, e São Paulo concentra a maior parte da produção, da industrialização e da estrutura exportadora do setor.
Preservar os pomares paulistas significa manter uma cadeia estratégica para o agronegócio brasileiro, responsável pela geração de empregos, renda e divisas internacionais.
São Paulo transforma combate ao greening em política pública
Para enfrentar o avanço da doença, o Governo de São Paulo criou, em novembro de 2023, o Comitê Estadual de Combate ao Greening, reunindo diferentes órgãos públicos, instituições de pesquisa e representantes do setor produtivo.
A estratégia envolve ações coordenadas entre a Defesa Agropecuária, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP).
Por meio da linha FEAP Combate ao Greening, foram destinados R$ 6,9 milhões no ciclo 2024/25 para apoiar a renovação de pomares e estimular práticas mais eficientes de manejo.
A iniciativa conta ainda com participação de universidades, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Fundecitrus e CitrusBR.
Pesquisa busca novas soluções para proteger os pomares
Na área científica, o CPA Citros concentra esforços para desenvolver novas tecnologias de enfrentamento ao greening, com investimentos públicos e privados estimados em R$ 90 milhões.
Um dos principais centros de pesquisa envolvidos é o Centro de Citricultura Sylvio Moreira, localizado em Cordeirópolis (SP), que abriga o maior banco de germoplasma de citros do Brasil.
As pesquisas buscam ampliar o conhecimento sobre variedades resistentes, melhorar estratégias de manejo e criar alternativas para reduzir os impactos econômicos da doença.
Fiscalização elimina mudas contaminadas e reforça controle do vetor
Além da pesquisa e do apoio aos produtores, São Paulo ampliou as ações de fiscalização e monitoramento.
Em 2025, a Defesa Agropecuária realizou inspeções em mais de 17,5 mil estabelecimentos e retirou de circulação mais de 60,3 mil mudas irregulares ou contaminadas.
Quando previsto na legislação, plantas infectadas são eliminadas para reduzir a disseminação da doença e proteger áreas produtivas próximas.
O Estado também destinou R$ 3,6 milhões para contratação de equipes especializadas em fiscalização e acompanhamento regional dos pomares.
Monitoramento do psilídeo ganha reforço no Estado
Uma das principais estratégias contra o greening é o controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão da bactéria causadora da doença.
Em 2026, São Paulo ampliou as regras de controle, tornando obrigatório o cadastro das propriedades com plantas cítricas e estabelecendo o monitoramento quinzenal do vetor.
A classificação dos municípios passou a considerar o nível de incidência da doença, permitindo a adoção de medidas diferenciadas conforme a realidade de cada região.
Em áreas com baixa ocorrência, são aplicadas medidas preventivas. Já em regiões com maior presença do greening, o controle é intensificado, principalmente em pomares jovens.
Dados indicam desaceleração do avanço do greening
As medidas adotadas já apresentam resultados positivos no ritmo de crescimento da doença.
Em 2025, pelo segundo ano consecutivo, houve redução na velocidade de expansão do greening no cinturão citrícola paulista.
O crescimento anual da incidência caiu de:
- 55,9% entre 2022 e 2023;
- 16,5% entre 2023 e 2024;
- 7,4% entre 2024 e 2025.
Nos pomares mais jovens, a incidência também apresentou redução significativa, com queda de 51,4% em plantas de zero a dois anos e de 17,1% em plantas de três a cinco anos.
Os resultados refletem maior cuidado na implantação de novos pomares, escolha adequada de áreas e melhoria no controle do inseto transmissor.
Citricultura paulista mantém alerta contra maior desafio do setor
Apesar dos avanços, especialistas reforçam que o combate ao greening exige continuidade. A doença ainda está presente em uma parcela significativa das plantas do cinturão citrícola.
A experiência da Flórida mostra que atrasos no enfrentamento podem comprometer uma cadeia produtiva inteira. Por isso, São Paulo aposta em uma estratégia integrada, unindo governo, produtores, pesquisa e iniciativa privada.
A defesa da citricultura brasileira passa pelo fortalecimento do manejo, da inovação tecnológica e da responsabilidade coletiva para garantir a sustentabilidade de uma das cadeias mais importantes do agronegócio nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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