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Milho e Sorgo

Zarc do milho é atualizado para a safra 2026/27 com novas regras para plantio, solos e risco climático

Atualização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático amplia precisão das recomendações, altera janelas de semeadura do milho e inclui revisão do sistema de consórcio milho-braquiária.


Publicado em: 16/07/2026 às 10:30hs

Zarc do milho é atualizado para a safra 2026/27 com novas regras para plantio, solos e risco climático

O Ministério da Agricultura atualizou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho, trazendo mudanças importantes que impactam diretamente o planejamento da safra 2026/27. As novas portarias, publicadas no Diário Oficial da União, revisam a classificação dos solos, ampliam a base de dados climáticos utilizada nos cálculos de risco e atualizam também o Zarc do consórcio milho-braquiária, sistema cada vez mais adotado na integração lavoura-pecuária (ILP).

As alterações têm como principal objetivo tornar as recomendações de plantio mais precisas diante das mudanças climáticas observadas nos últimos anos, marcadas pelo aumento da frequência de secas, chuvas intensas, ondas de calor e geadas.

Novo Zarc considera clima mais recente e amplia precisão das recomendações

A atualização incorpora nove anos adicionais de informações meteorológicas, ampliando as séries históricas para o cálculo do risco climático do milho.

O modelo utiliza dados de temperatura máxima, mínima e média, precipitação, evapotranspiração e características do solo para definir os períodos de menor risco para o cultivo em cada município brasileiro.

Segundo especialistas da Embrapa, a integração entre informações climáticas e características do solo tornou o sistema mais representativo das condições atuais enfrentadas pelos produtores, permitindo recomendações mais confiáveis para o planejamento da safra.

Classificação dos solos passa de três para seis categorias

Uma das principais novidades do novo Zarc é a mudança na classificação dos solos.

Até então, o sistema trabalhava com apenas três grupos — arenoso, médio e argiloso. Agora, o zoneamento passa a utilizar seis classes de capacidade de água disponível (AD), identificadas de AD1 a AD6.

Esse novo modelo permite avaliar com maior precisão a retenção de água em cada tipo de solo, fator decisivo para o desenvolvimento da cultura do milho.

De acordo com pesquisadores da Embrapa, solos com equilíbrio entre areia, silte e argila tendem a apresentar melhor disponibilidade hídrica do que áreas excessivamente argilosas, desfazendo uma percepção comum de que maior teor de argila significa automaticamente maior capacidade de armazenamento de água.

Mudanças alteram calendário de plantio do milho

As novas análises climáticas provocaram mudanças nas janelas recomendadas para a semeadura em diversas regiões do país.

Na primeira safra, algumas áreas registram atraso de pelo menos dez dias no início do plantio recomendado.

Já na segunda safra, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, houve redução das janelas em determinadas localidades devido ao aumento das temperaturas, da evapotranspiração e à menor regularidade das chuvas.

Em contrapartida, parte da Região Sul passou a contar com períodos mais amplos para o plantio, resultado da redução do risco de geadas e de temperaturas limitantes para o desenvolvimento da cultura.

Segundo os especialistas, essas mudanças refletem a necessidade de adaptação da agricultura às novas condições climáticas observadas no Brasil.

Zarc orienta crédito rural e contratação do seguro agrícola

Além de indicar os períodos mais seguros para o plantio, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático continua sendo uma das principais referências utilizadas na contratação de:

  • Crédito rural;
  • Seguro rural;
  • Programas oficiais de apoio à produção agrícola.

Por isso, a atualização influencia diretamente o planejamento financeiro e operacional dos produtores em todo o país.

Consórcio milho-braquiária também recebe atualização

O Zarc do consórcio milho-braquiária também foi revisado e publicado para os estados onde o sistema apresenta maior adoção, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

A nova Nota Técnica reforça os benefícios da integração lavoura-pecuária (ILP), destacando que o cultivo consorciado contribui para:

  • maior cobertura permanente do solo;
  • aumento da matéria orgânica;
  • melhoria da fertilidade;
  • redução da evaporação da água;
  • desenvolvimento de raízes mais profundas;
  • maior estabilidade produtiva diante de eventos climáticos extremos.

O estudo considera que a semeadura simultânea do milho e da braquiária não gera perdas significativas de produtividade, desde que sejam adotadas boas práticas de manejo.

Entre as recomendações estão a escolha adequada da espécie forrageira, o uso de sementes certificadas com elevada pureza e germinação e o controle eficiente de plantas daninhas antes e durante a implantação do sistema.

Safra 2026/27 terá projeto-piloto do Zarc Níveis de Manejo

Outra novidade será a implementação, pela primeira vez, do Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM) para a cultura do milho.

O projeto-piloto será realizado durante a segunda safra 2026/27 nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.

O novo modelo passa a considerar práticas adotadas pelo agricultor na propriedade para definir o risco climático da lavoura.

Serão avaliados indicadores como:

  • tempo de plantio direto sem revolvimento do solo;
  • percentual de cobertura vegetal;
  • saturação por bases;
  • teor de cálcio;
  • saturação por alumínio;
  • diversidade de culturas implantadas nos últimos três anos.

Com base nesses critérios, cada área receberá uma classificação entre Nível de Manejo 1 e 4.

Quanto maior o nível de manejo sustentável, maior será o percentual de subvenção no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). No projeto-piloto, o governo prevê subvenção de 40% para NM1, 45% para NM2 e 50% para NM3 e NM4.

Atualização fortalece gestão de risco na produção de milho

As mudanças implementadas no Zarc representam um avanço na gestão de risco da agricultura brasileira. Com modelos climáticos mais modernos, classificação de solos mais detalhada e incentivo às boas práticas agrícolas, o novo zoneamento oferece aos produtores informações mais precisas para definir o melhor período de plantio, reduzir perdas e aumentar a segurança da produção diante das mudanças climáticas.

ZarcNM

Fonte: Portal do Agronegócio

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