Publicidade
Milho e Sorgo

Milho: baixa liquidez no mercado físico limita negócios enquanto Chicago reage ao clima nos EUA e B3 opera sem direção definida

Mercado brasileiro segue travado pela diferença entre preços pedidos e ofertados, enquanto onda de calor nos Estados Unidos mantém volatilidade nas cotações internacionais do milho


Publicado em: 16/07/2026 às 11:30hs

Milho: baixa liquidez no mercado físico limita negócios enquanto Chicago reage ao clima nos EUA e B3 opera sem direção definida

O mercado de milho no Brasil continua operando com baixa liquidez, refletindo um cenário de negociações pontuais, compradores abastecidos e produtores resistentes em reduzir preços. Ao mesmo tempo, o mercado internacional permanece volátil, influenciado pelas condições climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos, enquanto os contratos futuros na B3 oscilam sem uma direção única.

O conjunto desses fatores mantém o setor atento tanto ao avanço da colheita da segunda safra brasileira quanto às perspectivas para a produção norte-americana, que seguem ditando o comportamento das bolsas.

Mercado físico permanece lento com negociações apenas para reposição

Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado físico segue marcado por baixa liquidez nas regiões Sul e em Mato Grosso do Sul. A maior parte das compras ocorre apenas para reposição imediata, já que os consumidores apresentam bom nível de abastecimento e aguardam maior entrada da segunda safra.

Os vendedores, por outro lado, mantêm postura firme nas negociações, limitando o volume de negócios diante da diferença entre os preços ofertados e os valores pretendidos pelos compradores.

Rio Grande do Sul mantém sustentação nos preços

No Rio Grande do Sul, as cotações variam entre R$ 56,00 e R$ 64,00 por saca.

A média estadual apresentou leve recuo semanal, passando de R$ 59,08 para R$ 58,88 por saca, queda de 0,34%.

Mesmo assim, diversos fatores continuam oferecendo suporte ao mercado:

  • entrada mais lenta da nova safra;
  • firmeza das cotações internacionais;
  • demanda constante da pecuária leiteira;
  • menor pressão imediata de oferta.
Santa Catarina enfrenta impasse entre compradores e vendedores

Em Santa Catarina, o mercado continua travado.

As indicações de venda permanecem próximas de R$ 60,00 por saca, enquanto os compradores oferecem cerca de R$ 55,00, diferença que impede o fechamento de novos negócios.

Mesmo com oferta mais restrita em algumas regiões, a distância entre pedidos e ofertas continua sendo o principal obstáculo para a comercialização.

Paraná avança na colheita, mas clima dificulta trabalhos

No Paraná, as referências também permanecem próximas de R$ 60,00 por saca, enquanto a demanda gira ao redor de R$ 55,00 CIF.

A colheita da segunda safra alcançou aproximadamente 16% da área cultivada, com levantamento indicando:

  • 80% das lavouras em boas condições;
  • 13% em condição regular;
  • 7% classificadas como ruins.

Entretanto, a elevada umidade dos grãos e do solo continua retardando os trabalhos de campo e elevando os custos de secagem.

Além disso, eventos climáticos recentes, como geadas e granizo, aliados ao aumento da incidência de Diplodia, vêm provocando perdas pontuais de qualidade, incluindo brotação nas espigas.

Mato Grosso do Sul segue pressionado pela lenta colheita

Em Mato Grosso do Sul, os preços oscilam entre R$ 47,57 e R$ 50,00 por saca.

A lentidão da colheita mantém o mercado moderado, enquanto a indústria de bioenergia absorve parte da produção regional.

Mesmo assim, a expectativa de maior oferta nacional limita reações mais expressivas nas cotações.

Chicago reage ao calor nos Estados Unidos

No mercado internacional, a Bolsa de Chicago (CBOT) registrou forte valorização na sessão anterior, impulsionada pelas previsões de temperaturas elevadas nas principais áreas produtoras dos Estados Unidos.

As previsões indicam máximas entre 35°C e 38°C em importantes estados produtores, elevando as preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras de milho durante um período decisivo para a definição da produtividade.

Outro fator que deu sustentação aos preços foi a desvalorização do dólar frente às principais moedas, aumentando a competitividade das exportações norte-americanas.

Os contratos de setembro encerraram o pregão cotados a US$ 4,47½ por bushel, avanço de aproximadamente 2%, enquanto dezembro fechou próximo de US$ 4,69½ por bushel, também com ganhos próximos de 2%.

Produção de etanol limita avanço maior das cotações

Apesar da alta, os ganhos foram parcialmente limitados pelos dados do mercado de etanol dos Estados Unidos.

A produção norte-americana caiu 4,84% na semana encerrada em 10 de julho, atingindo 1,040 milhão de barris por dia.

Ao mesmo tempo:

  • os estoques aumentaram de 23,9 milhões para 24,4 milhões de barris;
  • as exportações recuaram cerca de 59,5%, passando de 200 mil para 81 mil barris na semana.

Esses números reduziram parte do otimismo do mercado em relação ao consumo interno de milho destinado à produção de biocombustíveis.

Mercado realiza lucros nesta quinta-feira

Após os fortes ganhos registrados durante a noite, os contratos futuros passaram por realização de lucros na manhã desta quinta-feira.

As principais posições operaram com leves baixas, refletindo ajustes técnicos dos investidores após a valorização da sessão anterior, embora o mercado continue monitorando atentamente as condições climáticas no cinturão produtor dos Estados Unidos.

B3 opera entre altas e baixas

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros apresentaram comportamento misto durante a manhã.

As cotações oscilaram entre aproximadamente R$ 68,23 e R$ 75,78 por saca, refletindo o equilíbrio entre:

  • o avanço da colheita da segunda safra;
  • a sustentação observada em Chicago;
  • o comportamento do dólar;
  • a demanda doméstica ainda cautelosa.
Perspectivas para o mercado

O mercado de milho segue dividido entre fundamentos internos e externos.

No Brasil, a expectativa de maior oferta com o avanço da safrinha mantém compradores cautelosos e limita novos negócios, enquanto produtores resistem a reduzir os preços.

No exterior, o clima continua sendo o principal fator de formação das cotações. Caso as previsões de calor persistam e provoquem impactos sobre a produtividade das lavouras norte-americanas, Chicago poderá continuar oferecendo suporte aos preços internacionais.

Enquanto isso, a comercialização no mercado brasileiro deve permanecer seletiva, com negócios concentrados em reposições pontuais e pouca disposição para negociações de maior volume.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias