Geadas colocam produção de morango em risco no Brasil e reforçam importância do manejo preventivo nas lavouras
Com safra superior a 275 mil toneladas, produtores intensificam estratégias para proteger flores, frutos e plantas durante o inverno, reduzindo perdas provocadas pelas baixas temperaturas.
Publicado em: 16/07/2026 às 10:45hs
O avanço da produção de morango no Brasil consolida o país como o maior produtor da fruta na América Latina, mas também amplia os desafios enfrentados pelos agricultores durante o inverno. Entre os principais fatores de risco para a cultura, as geadas seguem como uma das maiores ameaças à produtividade, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde está concentrada grande parte da produção nacional.
De acordo com dados da Embrapa, a safra brasileira de morango ultrapassou 275 mil toneladas em 2025, resultado impulsionado pela adoção de novas cultivares, investimentos em tecnologia e melhorias no manejo das lavouras.
Produzido principalmente em Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, o morango tem forte participação da agricultura familiar e representa uma importante fonte de geração de renda para milhares de produtores rurais.
Geadas podem comprometer produtividade e qualidade dos frutos
Apesar do crescimento da cultura, as baixas temperaturas continuam sendo um desafio para o setor.
As geadas podem provocar danos nas flores, nos frutos e no desenvolvimento vegetativo das plantas, comprometendo tanto a produtividade quanto a qualidade da colheita. Em uma atividade caracterizada por elevados custos de implantação e manejo, perdas causadas pelo frio podem reduzir significativamente a rentabilidade da safra.
Além dos impactos diretos sobre a produção, eventos climáticos severos podem comprometer a regularidade da oferta ao mercado e aumentar os custos de produção.
Manejo preventivo ganha espaço entre os produtores
Especialistas destacam que a prevenção é uma das principais ferramentas para reduzir os efeitos das geadas sobre a cultura.
Segundo Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, preparar a lavoura antes da chegada das baixas temperaturas permite que as plantas enfrentem melhor o estresse climático.
"A geada é um fator que o produtor não consegue controlar, mas é possível preparar a planta para enfrentar melhor esse período. Quando o manejo nutricional é realizado de forma preventiva, a cultura responde com mais equilíbrio fisiológico e maior capacidade de suportar o estresse provocado pelas baixas temperaturas", afirma.
Entre as práticas adotadas está o fortalecimento nutricional das plantas, estratégia que busca aumentar a resistência fisiológica e minimizar os efeitos do frio intenso durante o ciclo produtivo.
Estratégias antecipadas reduzem perdas no campo
De acordo com o especialista, agir somente após a ocorrência da geada reduz a eficiência das medidas de recuperação.
"Esperar a geada acontecer para agir significa trabalhar sobre um dano que já está instalado. O manejo preventivo permite que a planta esteja mais preparada para enfrentar essas condições, reduzindo os impactos sobre a produtividade e a qualidade dos frutos."
A adoção antecipada de boas práticas de manejo vem se tornando cada vez mais comum nas principais regiões produtoras, contribuindo para preservar o potencial produtivo das lavouras durante o inverno.
Expansão da cultura exige maior planejamento climático
Com a produção nacional em crescimento e a demanda aquecida pelo mercado consumidor, especialistas avaliam que o planejamento climático passa a ser um componente estratégico para o sucesso da atividade.
Além de proteger a lavoura contra eventos climáticos extremos, o manejo preventivo contribui para garantir maior estabilidade na produção, reduzir perdas econômicas e fortalecer a sustentabilidade da cadeia produtiva do morango, uma das frutas de maior valor agregado produzidas pela agricultura brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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