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Fruticultura e Horticultura

Hortifrúti enfrenta desafios em 2026: virose reduz rentabilidade da melancia em Goiás e exportações de melão recuam com safra europeia

Problemas climáticos, doenças nas lavouras, custos elevados e menor demanda pressionam o mercado de melancia e melão, enquanto produtores enfrentam queda na rentabilidade e desafios para a nova temporada de exportações.


Publicado em: 16/07/2026 às 11:35hs

Hortifrúti enfrenta desafios em 2026: virose reduz rentabilidade da melancia em Goiás e exportações de melão recuam com safra europeia

O setor brasileiro de hortifrúti atravessa um cenário de forte pressão em 2026. Enquanto a produção de melancia em Goiás sofre os impactos das chuvas excessivas e da disseminação de viroses, comprometendo produtividade e rentabilidade, o mercado de melão enfrenta retração nas exportações devido à entressafra no Nordeste e à maior concorrência da produção europeia.

Levantamentos do Hortifrúti/Cepea mostram que os dois segmentos convivem com aumento dos custos de produção, desafios logísticos e mudanças no comportamento da demanda, fatores que vêm reduzindo as margens dos produtores.

Virose e excesso de chuvas comprometem safra de melancia em Goiás

A temporada de melancia em Goiás começou sob condições climáticas desfavoráveis. O excesso de chuvas durante o período de semeadura prejudicou o desenvolvimento inicial das lavouras, resultando em produtividades médias inferiores a 30 toneladas por hectare durante abril.

Com a elevação das temperaturas entre o fim de abril e o início de junho, parte das áreas apresentou recuperação produtiva, favorecendo uma melhor diluição dos custos operacionais. Mesmo assim, os produtores continuaram enfrentando despesas elevadas, principalmente com insumos agrícolas e combustível.

O cenário voltou a se deteriorar em junho com o avanço dos casos de virose nas lavouras. A doença provocou redução média de 13% na produtividade em comparação com maio e levou muitos produtores a realizarem a gradagem das áreas, encerrando antecipadamente parte da produção.

Queda da demanda derruba preços e reduz rentabilidade

Além das perdas no campo, os produtores enfrentaram um mercado consumidor menos aquecido. As temperaturas mais amenas nos principais centros consumidores reduziram o consumo da fruta, enquanto a perda de qualidade dos frutos afetados pela virose aumentou a pressão sobre os preços.

Como consequência, o valor médio da melancia de maior calibre (acima de 12 quilos) caiu quase 50% em junho.

Segundo o Cepea, a rentabilidade média do produtor goiano ficou em apenas R$ 0,15 por quilo, resultado 79% inferior ao registrado em maio.

Apesar das dificuldades recentes, o desempenho acumulado entre abril e junho ainda permanece positivo. Os três primeiros meses da safra registraram rentabilidade 77% superior à observada no mesmo período de 2025. Entretanto, esse resultado não reflete a realidade de todos os produtores, já que diversas áreas precisaram ser eliminadas devido ao avanço da virose, provocando perdas expressivas.

Exportações brasileiras de melão recuam em junho

No mercado externo, o melão brasileiro também registrou desaceleração.

Dados do Comex Stat mostram que as exportações caíram 59% em junho na comparação com maio, totalizando aproximadamente 2,5 mil toneladas embarcadas. A receita também diminuiu, recuando 55% e somando cerca de US$ 2 milhões FOB.

Os principais destinos da fruta brasileira permaneceram concentrados em:

  • Reino Unido (44%);
  • Países Baixos (32%);
  • Espanha (9%).
Safra espanhola reduz espaço para o melão brasileiro

A retração dos embarques já era esperada pelo setor, principalmente devido à entressafra nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Norte e Ceará.

Além da menor disponibilidade de frutas, o mercado europeu encontra-se abastecido pela produção local, especialmente pela safra espanhola, reduzindo a necessidade de importação do produto brasileiro durante este período.

Mesmo com melhora na qualidade dos frutos após o encerramento do período chuvoso no Nordeste, a oferta limitada restringiu o ritmo das exportações.

Concorrência internacional e custos logísticos pressionam competitividade

O balanço do período de entressafra, entre abril e junho de 2026, reforça o cenário desafiador.

Na comparação com igual intervalo de 2025:

  • o volume exportado caiu 21%, totalizando cerca de 20 mil toneladas;
  • a receita diminuiu 19%, ficando em aproximadamente US$ 15 milhões FOB.

Entre os fatores apontados pelo Cepea estão:

  • maior competitividade dos países da América Central;
  • aumento da produção dos concorrentes internacionais;
  • perdas de produtividade e qualidade provocadas pelas chuvas no Nordeste entre março e abril;
  • elevação dos custos logísticos, impulsionada pelo aumento do diesel e pelos reflexos do conflito no Oriente Médio.
Nova safra poderá ampliar oferta no mercado interno

A expectativa do setor é de aumento significativo da oferta com o início da campanha 2026/27, previsto para o final de julho, quando começam as colheitas nas regiões produtoras do Rio Grande do Norte e Ceará.

Entretanto, produtores relatam que os contratos de exportação para a nova temporada vêm sendo negociados com maior cautela. O desempenho abaixo do esperado da safra anterior gerou maior prudência tanto entre exportadores brasileiros quanto entre importadores europeus.

Caso esse cenário persista, parte do volume inicialmente destinado ao mercado externo poderá ser direcionada ao consumo interno, elevando a oferta doméstica e aumentando a pressão sobre as cotações do melão nos próximos meses.

Perspectivas para o hortifrúti

O desempenho da melancia e do melão evidencia os desafios enfrentados pela cadeia brasileira de hortifrúti em 2026. Eventos climáticos extremos, doenças nas lavouras, aumento dos custos de produção, logística mais cara e maior concorrência internacional vêm reduzindo a rentabilidade dos produtores.

Nos próximos meses, o comportamento do clima, a evolução da nova safra nordestina e a retomada das exportações serão determinantes para definir o equilíbrio entre oferta, demanda e preços no mercado brasileiro e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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