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Café

Mercado de café deve ganhar alívio na oferta no 3º trimestre, mas El Niño pode reacender alta dos preços

Safra recorde do Brasil e maior produção no Vietnã ampliam a oferta global de café, porém riscos climáticos e o avanço do El Niño mantêm o mercado atento à volatilidade para a safra 2027/28.


Publicado em: 15/07/2026 às 20:00hs

Mercado de café deve ganhar alívio na oferta no 3º trimestre, mas El Niño pode reacender alta dos preços

O mercado internacional de café entra no terceiro trimestre de 2026 com perspectivas mais favoráveis para a oferta global, impulsionado pela chegada da safra recorde brasileira e pela recuperação da produção em importantes países exportadores. Apesar desse cenário mais confortável, especialistas alertam que o fenômeno El Niño poderá voltar a influenciar as cotações caso comprometa o desenvolvimento da próxima safra.

A avaliação integra a 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, que analisa os principais fatores capazes de impactar os mercados globais ao longo dos próximos meses.

Safra recorde do Brasil amplia oferta mundial de café

Depois de um primeiro semestre marcado pela forte queda dos preços nas bolsas internacionais, o mercado passou a precificar uma oferta mais robusta, principalmente após sucessivas revisões para cima da produção brasileira de café.

A expectativa da StoneX é que a safra brasileira 2026/27 alcance 75,3 milhões de sacas, crescimento de 20,8% em relação ao ciclo anterior, consolidando uma das maiores produções da história do país.

O volume deverá ser composto por:

  • 50,2 milhões de sacas de café arábica;
  • 25,1 milhões de sacas de café robusta (conilon).

Com esse desempenho, a consultoria projeta um excedente global próximo de 10 milhões de sacas, alterando significativamente o cenário de escassez observado nos últimos anos.

Entrada da safra brasileira tende a pressionar os preços

A aproximação da colheita brasileira foi um dos principais fatores responsáveis pela desvalorização dos contratos futuros durante o segundo trimestre.

O café arábica atingiu os menores níveis em aproximadamente um ano e meio, enquanto o robusta recuou para as mínimas de quase um ano, refletindo a expectativa de maior disponibilidade da commodity.

Segundo Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, o mercado passou por uma importante mudança de percepção.

Se antes predominava o receio de falta de produto, agora os agentes começam a trabalhar com um cenário de oferta mais confortável. Ainda assim, fatores ligados ao fluxo físico da mercadoria e às condições climáticas continuam sustentando episódios de volatilidade.

Colheita lenta e estoques reduzidos ainda sustentam o mercado

Apesar da expectativa de ampla produção, alguns fatores continuam oferecendo suporte temporário às cotações.

No Brasil, a colheita apresentou momentos de desaceleração em razão das condições climáticas, enquanto a comercialização pelos produtores segue abaixo da média histórica.

Outro ponto observado pelo mercado é a redução dos estoques certificados da ICE, situação que limita a disponibilidade imediata de café para entrega e ajuda a conter quedas mais acentuadas dos preços.

Vietnã também amplia produção de café robusta

Além do Brasil, o Vietnã deverá contribuir para o aumento da oferta mundial.

Principal produtor global de café robusta, o país asiático deve registrar crescimento da produção na temporada 2026/27 após dois anos de preços elevados que estimularam a retenção de estoques pelos produtores.

Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção vietnamita poderá atingir aproximadamente 32,5 milhões de sacas, fortalecendo ainda mais o abastecimento global no segundo semestre.

Demanda mundial continua resiliente

Mesmo com os preços elevados registrados nos últimos anos, o consumo mundial de café permanece firme.

O Vietnã, por exemplo, deverá registrar recorde histórico de consumo interno na temporada 2026/27, impulsionado pelo crescimento econômico e pela expansão do mercado de cafeterias.

De acordo com a StoneX, esse comportamento da demanda pode ajudar a absorver parte do aumento da oferta, reduzindo o impacto baixista sobre as cotações internacionais.

Retorno dos estoques pode limitar novas altas

Outro fator monitorado pelo mercado é a gradual normalização dos estoques acumulados por produtores, cooperativas e exportadores durante o período de preços recordes.

Nos últimos dois anos, a retenção de café fora dos canais comerciais reduziu a disponibilidade imediata da commodity e sustentou diferenciais elevados de exportação.

Agora, com preços mais baixos e produção maior, cresce a expectativa de que esses volumes retornem ao mercado, ampliando ainda mais a oferta física disponível.

Segundo Rossetti, a velocidade desse retorno poderá influenciar diretamente o comportamento dos preços ao longo dos próximos meses.

El Niño permanece como principal fator de risco

Embora o cenário atual seja favorável à oferta, a evolução do fenômeno El Niño continua sendo o principal elemento de preocupação para o mercado internacional.

Os modelos climáticos apontam probabilidade superior a 80% de permanência do fenômeno durante o segundo semestre de 2026, com possibilidade de intensificação até o fim do ano.

No Brasil, as condições atuais das lavouras são consideradas satisfatórias, porém o comportamento do clima entre setembro e outubro será decisivo para a florada e para o potencial produtivo da safra 2027/28.

Caso ocorram períodos prolongados de calor e déficit hídrico, importantes regiões produtoras de café arábica e robusta poderão sofrer impactos relevantes.

Sudeste Asiático também preocupa mercado internacional

Além do Brasil, o Sudeste Asiático aparece entre as regiões mais vulneráveis aos efeitos do El Niño.

Vietnã e Indonésia poderão enfrentar temperaturas elevadas e redução das chuvas, fatores que podem comprometer a produção de café robusta na próxima temporada.

Se esse cenário climático se confirmar, o mercado poderá voltar a incorporar um prêmio de risco às cotações internacionais ainda no final de 2026.

Mercado de café deve seguir altamente volátil

A StoneX avalia que o terceiro trimestre marcará uma mudança importante na dinâmica do mercado.

Enquanto o foco atual está concentrado na entrada da grande safra brasileira e na melhora da oferta global, as atenções deverão migrar gradualmente para o comportamento climático e seus reflexos sobre a produção de 2027.

Assim, embora o cenário de curto prazo seja de maior disponibilidade de café e pressão sobre os preços, a evolução do El Niño continuará sendo o principal fator capaz de alterar rapidamente as expectativas do mercado internacional, mantendo elevada a volatilidade das cotações nas bolsas ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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