Tarifa dos EUA não deve afetar exportações de etanol de milho do Brasil, avalia Unem
Entidade afirma que mercado norte-americano representa parcela limitada das vendas externas do biocombustível brasileiro e defende expansão das exportações para a Ásia diante da possível aplicação de novas tarifas.
Publicado em: 15/07/2026 às 19:00hs
A possível entrada em vigor de uma tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não deve provocar impactos relevantes nas exportações de etanol de milho do Brasil. A avaliação é da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), que considera reduzida a participação do mercado norte-americano nas vendas externas do biocombustível brasileiro.
Segundo o presidente da entidade, Amaury Pekelman, o setor acompanha as discussões comerciais entre os dois países, mas entende que a cadeia produtiva do etanol de milho permanece protegida devido ao baixo volume embarcado para os Estados Unidos.
"Para as exportações de etanol de milho, as tarifas não geram problema. A princípio, não nos afetam", afirmou Pekelman.
Estados Unidos representam pequena parcela das exportações brasileiras
Os dados do comércio exterior mostram que os Estados Unidos ocupam apenas a segunda posição entre os destinos do etanol brasileiro.
Em 2025, a Coreia do Sul liderou as importações, adquirindo cerca de 780 milhões de litros, o equivalente a 48,4% de todo o volume exportado pelo Brasil.
Já os Estados Unidos compraram aproximadamente 253 milhões de litros, participação de 15,7% do total embarcado, volume que representa uma queda de 18,4% em relação ao período anterior.
Na avaliação da Unem, essa distribuição geográfica reduz a exposição do setor às medidas comerciais norte-americanas.
Tarifa de 25% pode entrar em vigor nos próximos dias
A expectativa do mercado está voltada para a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que poderá confirmar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros.
A medida foi proposta após uma investigação conduzida pela administração do presidente Donald Trump com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que trata de práticas consideradas desleais no comércio internacional.
Entre os produtos que podem ser atingidos estão:
- Etanol;
- Açúcar;
- Pescados;
- Outros produtos exportados pelo Brasil.
Unem rebate críticas sobre tarifas brasileiras
Durante audiências públicas promovidas pelo USTR, a Unem defendeu que a tarifa de 18% aplicada às importações de etanol nos países do Mercosul não representa uma barreira específica aos Estados Unidos.
Segundo Amaury Pekelman, trata-se da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, aplicada de forma uniforme aos países de fora do bloco econômico.
O dirigente argumenta que o desafio dos Estados Unidos está mais relacionado ao consumo doméstico do que às exportações brasileiras.
"Os Estados Unidos possuem uma oferta superior à demanda. O principal desafio deles é ampliar o consumo interno", destacou.
Expansão para a Ásia ganha importância estratégica
Além de defender o modelo tarifário do Mercosul, a Unem vê a diversificação de mercados como uma estratégia fundamental para o crescimento do setor.
A entidade considera que a Ásia continuará sendo o principal polo de expansão para o etanol brasileiro, especialmente diante do aumento da demanda por combustíveis renováveis e da busca por alternativas de menor emissão de carbono.
A liderança da Coreia do Sul entre os compradores reforça essa estratégia de abertura e consolidação de novos mercados asiáticos.
E15 pode ampliar consumo de etanol nos Estados Unidos
Enquanto as discussões tarifárias seguem em andamento, o mercado também acompanha a tramitação de uma proposta que pode elevar o consumo de etanol dentro dos próprios Estados Unidos.
A Câmara dos Deputados norte-americana aprovou neste ano o projeto que autoriza a comercialização de gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano.
Atualmente, esse percentual enfrenta restrições entre os meses de junho e setembro em diversos estados do país. Caso o Senado também aprove a proposta, o consumo interno de etanol poderá crescer significativamente, ampliando a demanda pelo biocombustível no mercado norte-americano.
Setor mantém perspectiva positiva
Mesmo diante das incertezas envolvendo a política comercial dos Estados Unidos, o setor brasileiro de etanol de milho avalia que os efeitos sobre as exportações tendem a ser limitados.
A baixa dependência do mercado norte-americano, aliada ao fortalecimento das vendas para a Ásia e ao crescimento da produção nacional de etanol de milho, mantém uma perspectiva favorável para a indústria, que segue apostando na diversificação dos mercados internacionais e na expansão global dos biocombustíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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