Inadimplência no agronegócio sobe para 8,8% em 2026 e acende alerta para crédito rural, aponta Serasa Experian
Levantamento inédito revela aumento das dívidas entre produtores rurais, maior pressão financeira no campo e queda na pontuação de crédito; Norte lidera índice de inadimplência no Brasil.
Publicado em: 15/07/2026 às 18:40hs
A inadimplência entre produtores rurais brasileiros voltou a crescer no início de 2026, refletindo os desafios financeiros enfrentados pelo setor após anos marcados por custos elevados de produção, restrições ao crédito e volatilidade dos preços agrícolas. Dados inéditos da Serasa Experian mostram que o índice de inadimplência da população rural alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026, registrando avanço tanto na comparação anual quanto na trimestral.
Em relação ao mesmo período de 2025, a taxa aumentou 1,2 ponto percentual. Já frente ao quarto trimestre de 2025, o crescimento foi de 0,6 ponto percentual, indicando uma deterioração gradual da capacidade de pagamento no campo.
O indicador considera dívidas vencidas há mais de 180 dias contraídas por pessoas físicas da população rural junto a empresas ligadas ao agronegócio.
Produtores ainda enfrentam dificuldades para recuperar o fluxo de caixa
Segundo Marcelo Pimenta, head de Agronegócio da Serasa Experian, apesar da melhora em alguns segmentos da agropecuária, muitos produtores ainda convivem com os reflexos financeiros de ciclos anteriores.
Entre os fatores que continuam pressionando a renda do produtor estão os elevados custos de produção registrados nas últimas safras, oscilações nos preços das commodities agrícolas e um ambiente de crédito mais restritivo, fatores que comprometem o fluxo de caixa e aumentam o risco de inadimplência.
Grandes produtores e arrendatários concentram maiores índices de inadimplência
O levantamento também identificou diferenças importantes conforme o perfil dos produtores rurais.
Os maiores índices foram observados entre produtores sem registro formal de propriedade rural, grupo que pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos, cuja inadimplência chegou a 11%.
Na sequência aparecem:
- Produtores rurais sem registro de imóvel rural: 11,0%
- Grandes produtores: 9,9%
- Médios produtores: 8,6%
- Pequenos produtores: 8,3%
Os dados mostram que a pressão financeira atinge diferentes perfis da atividade agropecuária, independentemente do porte da propriedade.
Faixa entre 30 e 39 anos registra maior inadimplência no campo
A análise por idade revela que os maiores índices de inadimplência estão concentrados justamente na população economicamente mais ativa.
Os produtores rurais entre 30 e 39 anos apresentaram a maior taxa de inadimplência no primeiro trimestre de 2026. Em seguida aparecem aqueles com idade entre 18 e 29 anos e 40 a 49 anos.
A partir dos 50 anos, os índices passam a diminuir gradualmente, indicando menor incidência de atrasos entre produtores mais experientes.
Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de inadimplência rural
As diferenças regionais também chamam atenção.
O Norte lidera o ranking nacional com 13,2% de inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas.
Na sequência aparecem:
- Norte: 13,2%
- Nordeste: 10,2%
- Centro-Oeste: 10,1%
- Sudeste: 7,3%
- Sul: 6,2%
Os números evidenciam cenários distintos de acesso ao crédito, capacidade financeira e condições econômicas entre as regiões brasileiras.
Agro Score aponta aumento do risco de crédito no agronegócio
Outro indicador que reforça o momento de maior cautela é o Agro Score, ferramenta desenvolvida pela Serasa Experian para avaliação de risco de crédito no setor rural.
A pontuação média dos produtores caiu de 606 pontos no primeiro trimestre de 2025 para 591 pontos no mesmo período de 2026, sinalizando aumento da percepção de risco para concessão de financiamentos e operações comerciais.
Segundo a empresa, a ferramenta utiliza inteligência artificial e algoritmos de machine learning para combinar informações financeiras, cadastrais e dados específicos da atividade agropecuária, permitindo análises mais precisas sobre o perfil de crédito dos produtores.
Inteligência artificial fortalece a gestão de risco no crédito rural
Com o avanço da inadimplência, cresce também a importância de tecnologias voltadas à gestão de risco no agronegócio.
O Agro Score reúne dados financeiros e informações específicas das propriedades rurais para apoiar bancos, cooperativas, tradings, revendas, seguradoras e empresas do setor na concessão de crédito com maior segurança.
De acordo com Marcelo Pimenta, cada propriedade possui características produtivas, econômicas e financeiras próprias, tornando essencial uma avaliação personalizada para reduzir riscos e ampliar a eficiência das decisões de crédito.
Cenário exige maior rigor na concessão de financiamentos
O avanço da inadimplência e a redução da pontuação média de crédito indicam que o mercado financeiro deverá manter critérios mais rigorosos na concessão de financiamentos ao setor agropecuário ao longo de 2026.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que ferramentas baseadas em inteligência artificial tendem a ganhar espaço na análise de risco, contribuindo para decisões mais assertivas, redução das perdas financeiras e fortalecimento das operações de crédito em toda a cadeia do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
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