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Milho e Sorgo

Soja dispara acima de R$ 140, impulsionada por China, clima nos EUA e demanda global; mercado vê espaço para novas altas

Valorização em Chicago, compras chinesas, exportações recordes do Brasil e riscos climáticos no Corn Belt sustentam recuperação das cotações, enquanto gargalos logísticos e falta de armazenagem desafiam produtores.


Publicado em: 13/07/2026 às 10:40hs

Soja dispara acima de R$ 140, impulsionada por China, clima nos EUA e demanda global; mercado vê espaço para novas altas
Foto: CNA

Os preços da soja voltaram a ganhar força no mercado brasileiro e internacional, impulsionados pela combinação de demanda externa aquecida, valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT), recorde nas exportações brasileiras e aumento das preocupações com o clima nos Estados Unidos. O cenário levou a saca da oleaginosa novamente ao patamar superior a R$ 140 nos principais portos do país, nível que não era registrado desde janeiro, antes da entrada da safra 2025/26.

Levantamentos do Cepea indicam que, além da forte demanda global, a postura mais cautelosa dos vendedores brasileiros, a distribuição irregular das chuvas no Hemisfério Norte e o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio contribuíram para fortalecer o mercado e elevar os preços no mercado físico.

O movimento também intensificou a procura por embarques imediatos e antecipou negociações envolvendo prêmios de exportação para contratos futuros, demonstrando que compradores internacionais seguem atentos ao abastecimento brasileiro.

Exportações brasileiras batem novo recorde

A demanda internacional continua sendo um dos principais pilares de sustentação dos preços.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 14,49 milhões de toneladas de soja em junho, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.

No acumulado do primeiro semestre, os embarques alcançaram 69,57 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 35% em relação ao mesmo período do ano anterior e novo recorde para os seis primeiros meses do calendário.

O desempenho confirma a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, especialmente diante da forte demanda asiática.

Chicago volta aos US$ 12 com apoio das compras chinesas

No mercado internacional, os contratos futuros da soja registraram forte valorização e voltaram a negociar acima de US$ 12 por bushel, atingindo os maiores níveis em cerca de dois meses.

O principal fator de sustentação foi o retorno das compras chinesas de soja norte-americana. Dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontaram vendas superiores a 700 mil toneladas, reforçando a recuperação da demanda.

Além disso, o mercado entra no período conhecido como "weather market", fase em que as condições climáticas passam a exercer forte influência sobre as cotações.

As lavouras norte-americanas avançam para os estágios críticos de floração e formação de vagens, enquanto previsões de calor intenso e chuvas irregulares no Corn Belt aumentam o prêmio de risco incorporado aos preços.

O avanço do milho, do óleo de soja e do farelo também contribuiu para ampliar os ganhos da oleaginosa na Bolsa de Chicago.

Mercado interno segue firme, mas armazenagem preocupa

Apesar da recuperação dos preços, o setor continua enfrentando importantes desafios logísticos.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, a colheita do milho segunda safra e o avanço das culturas de inverno aumentam a disputa por espaço nos armazéns, reduzindo a capacidade dos produtores de reter soja à espera de preços mais elevados.

No Rio Grande do Sul, as cotações permaneceram sustentadas, com negócios próximos de R$ 139 por saca no porto de Rio Grande e valores de até R$ 136 em regiões do interior.

Em Santa Catarina, embora o estado tenha registrado produtividade recorde em algumas regiões, cooperativas e cerealistas operam com elevada ocupação dos silos.

No Paraná, a safra recorde superior a 26 milhões de toneladas agravou ainda mais a limitação de armazenagem.

Em Mato Grosso do Sul, o déficit estrutural supera 12 milhões de toneladas, obrigando muitos produtores a acelerar as vendas.

Já em Mato Grosso, além da pressão logística provocada pela colheita do milho, o setor enfrenta custos elevados de frete e aumento das dificuldades de acesso ao crédito rural.

Clima, petróleo e geopolítica ampliam volatilidade

Analistas destacam que o mercado entra em um período de elevada sensibilidade às variáveis externas.

As condições climáticas nos Estados Unidos, o comportamento das compras chinesas, a evolução dos conflitos geopolíticos e as oscilações do petróleo tendem a influenciar diretamente os preços da soja nas próximas semanas.

O comportamento do dólar também continuará sendo determinante para a formação dos preços internos e para a competitividade das exportações brasileiras.

Estratégia é avançar nas vendas de forma gradual

Diante do atual cenário, especialistas recomendam que os produtores aproveitem a recuperação das cotações para realizar comercializações parciais, preservando parte da produção para eventuais ganhos adicionais caso ocorram problemas climáticos nas lavouras norte-americanas.

Para cooperativas, o momento é considerado favorável para intensificar a originação de grãos e acompanhar diariamente os prêmios de exportação, utilizando instrumentos de hedge para proteger margens.

As cerealistas devem priorizar compras escalonadas e evitar exposição excessiva ao mercado físico, enquanto as indústrias esmagadoras encontram oportunidade para ampliar a cobertura de matéria-prima em momentos de realização de lucros na Bolsa de Chicago.

Perspectivas permanecem positivas para a soja

No curto prazo, o viés continua positivo para o mercado da soja.

A combinação entre estoques globais mais ajustados, forte demanda internacional, retomada das compras chinesas e riscos climáticos durante o desenvolvimento da safra norte-americana mantém sustentação para as cotações.

Para os próximos 30 a 60 dias, a tendência permanece de estabilidade com viés de alta, dependendo principalmente da produtividade final das lavouras dos Estados Unidos e da continuidade do ritmo das exportações brasileiras, que seguem em níveis historicamente elevados.

Fonte: Portal do Agronegócio

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