Safra de milho 2026/27 pode atingir 145,6 milhões de toneladas no Brasil, aponta Safras
Crescimento da segunda safra e avanço do plantio no Norte e Nordeste devem compensar a redução da área de milho verão no Centro-Sul
Publicado em: 02/09/2026 às 18:00hs
A produção brasileira de milho poderá alcançar 145,565 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo nova estimativa da consultoria Safras & Mercado. O volume representa crescimento de 4,5% em relação às 139,314 milhões de toneladas previstas para a temporada 2025/26.
A projeção também supera as 144,956 milhões de toneladas calculadas no levantamento anterior. O avanço deverá ser sustentado principalmente pela recuperação da produtividade da segunda safra, pela ampliação moderada da área nacional e pelo crescimento da produção nas regiões Norte e Nordeste.
No Centro-Sul, entretanto, a safra de verão deverá apresentar retração. A produção foi estimada em 25,283 milhões de toneladas, abaixo das 25,624 milhões de toneladas obtidas em 2025/26.
Produção de milho verão deve recuar no Centro-Sul
A estimativa para a primeira safra de milho no Centro-Sul permaneceu inalterada em relação ao relatório divulgado em julho. Mesmo assim, o volume esperado indica uma redução de aproximadamente 1,3% na comparação com a temporada anterior.
Segundo o consultor de Safras & Mercado, Paulo Molinari, a área plantada deverá diminuir 1,3%, passando de 3,608 milhões de hectares em 2025/26 para 3,561 milhões de hectares no ciclo 2026/27.
O movimento mostra que parte dos produtores deverá manter uma postura cautelosa na definição do plantio do milho verão, especialmente diante dos custos de produção, das margens mais estreitas e da concorrência de outras culturas por área.
A produtividade média foi projetada em 7.099 quilos por hectare, praticamente estável diante dos 7.101 quilos por hectare registrados na safra anterior.
Com menor área e rendimento semelhante, a produção do milho verão deverá ficar 341 mil toneladas abaixo do resultado da temporada 2025/26.
Segunda safra de 2027 pode superar 104 milhões de toneladas
A segunda safra continuará sendo o principal componente da produção brasileira de milho. Para 2027, Safras & Mercado elevou a previsão de colheita de 103,969 milhões para 104,176 milhões de toneladas.
A área destinada à safrinha deverá alcançar 15,818 milhões de hectares, crescimento de 0,5% em relação aos 15,739 milhões de hectares cultivados em 2026. No relatório anterior, a área estava estimada em 15,787 milhões de hectares.
A produtividade média foi mantida em 6.586 quilos por hectare, acima dos 6.238 quilos por hectare projetados para a segunda safra de 2026.
A expectativa de recuperação considera um cenário de normalidade climática. A confirmação do potencial produtivo dependerá do calendário de plantio da soja, da janela disponível para a implantação do milho e das condições de chuva durante o desenvolvimento das lavouras.
Problemas climáticos reduzem estimativa da safrinha 2026
Enquanto a projeção para 2027 foi elevada, Safras & Mercado reduziu a expectativa para a segunda safra de 2026.
A produção agora está estimada em 98,187 milhões de toneladas, abaixo das 99,610 milhões de toneladas previstas anteriormente. A revisão representa uma redução de 1,423 milhão de toneladas.
Segundo Paulo Molinari, o ajuste ocorreu devido aos problemas climáticos registrados em alguns estados produtores. A produtividade média da safrinha 2026 foi reduzida de 6.329 para 6.238 quilos por hectare.
A queda reforça a importância do clima para o desempenho da principal safra de milho do País. A segunda temporada concentra a maior parcela da produção nacional e abastece tanto o consumo doméstico quanto as exportações brasileiras.
Milho avança no Norte e Nordeste
As regiões Norte e Nordeste deverão ampliar a participação na produção brasileira de milho em 2026/27. A área cultivada foi projetada em 2,673 milhões de hectares, acima dos 2,545 milhões de hectares registrados na temporada anterior.
A nova estimativa também supera os 2,601 milhões de hectares previstos no relatório de julho.
A produtividade média regional poderá alcançar 6.024 quilos por hectare, ante 5.938 quilos por hectare na safra 2025/26.
Com a combinação de maior área e rendimento, a produção de milho no Norte e Nordeste deverá atingir 16,104 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de aproximadamente 3,9% sobre as 15,502 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior.
O avanço reflete a expansão do cultivo em novas fronteiras agrícolas e o aumento da demanda regional por milho para ração animal, produção de proteína e processamento industrial.
Área nacional de milho deve superar 22 milhões de hectares
A área total destinada ao milho no Brasil deverá alcançar 22,053 milhões de hectares na safra 2026/27. O número corresponde a um avanço de 0,4% em relação aos 21,958 milhões de hectares cultivados em 2025/26.
A projeção atual também está acima dos 21,950 milhões de hectares calculados em julho.
Em um cenário de clima normal, a produtividade média nacional deverá ficar em 6.601 quilos por hectare. O rendimento está ligeiramente abaixo dos 6.604 quilos por hectare projetados no levantamento anterior, mas supera os 6.344 quilos por hectare esperados para 2025/26.
A recuperação da produtividade será o principal fator para o crescimento da produção brasileira, uma vez que a expansão da área deverá ser limitada.
Clima será decisivo para confirmar safra de 145,6 milhões de toneladas
A projeção de 145,565 milhões de toneladas considera condições climáticas regulares ao longo da temporada. Qualquer alteração no regime de chuvas poderá modificar o potencial produtivo, especialmente na segunda safra.
Além do clima, o mercado acompanhará os custos dos fertilizantes, o câmbio, os preços do milho e da soja, a demanda das indústrias de carnes e etanol e o ritmo das exportações.
Mesmo com a redução prevista para o milho verão no Centro-Sul, o crescimento da safrinha e o avanço do cultivo no Norte e Nordeste poderão elevar a produção nacional em mais de 6 milhões de toneladas na comparação anual.
Caso as estimativas sejam confirmadas, a safra 2026/27 reforçará a posição do Brasil entre os maiores produtores e exportadores mundiais de milho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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