Vendas de máquinas agrícolas despencam 25,8% em 2026 e setor espera reação com Plano Safra
Receita da indústria recua para R$ 26,2 bilhões entre janeiro e julho; falta de rentabilidade no campo reduz investimentos em tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas
Publicado em: 02/09/2026 às 18:40hs
O mercado brasileiro de máquinas e equipamentos agrícolas acumula forte retração em 2026, refletindo a redução da rentabilidade dos produtores, o crédito mais caro e a cautela nos investimentos destinados à renovação da frota.
Entre janeiro e julho, a indústria registrou receita líquida total de R$ 26,2 bilhões, queda de 25,8% em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Somente em julho, as vendas somaram R$ 4,86 bilhões. O resultado representa recuo de 27,5% na comparação anual e de 2,1% em relação a junho.
Plano Safra ainda não havia impulsionado vendas em julho
De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão Bastos, o fraco desempenho de julho já era esperado porque as linhas do novo Plano Safra ainda não estavam efetivamente disponíveis.
A expectativa da indústria está concentrada no período entre agosto e outubro, tradicionalmente marcado por maior volume de negociações. A entrada em operação dos programas oficiais de financiamento poderá estimular parte da demanda reprimida por tratores, colheitadeiras e implementos.
Linhas como Move Brasil, Moderfrota e Pronaf oferecem taxas a partir de 9% ao ano. Apesar de ainda representarem um custo expressivo para o produtor, os juros são considerados mais competitivos diante da Selic de 14% ao ano.
Baixa rentabilidade limita investimentos do produtor
O principal obstáculo para a recuperação do setor não está apenas no custo do crédito. A Abimaq destaca que a perda de rentabilidade das lavouras continua reduzindo a capacidade de investimento dos agricultores.
As margens da safra recém-colhida permanecem pressionadas, enquanto as perspectivas financeiras para o próximo ciclo ainda são incertas. Nesse ambiente, muitos produtores adiam a substituição de máquinas ou priorizam somente equipamentos considerados indispensáveis.
A recente valorização da soja e do milho surge como um possível fator de melhora. As cotações avançaram nas últimas semanas diante das preocupações com as condições climáticas das lavouras norte-americanas.
Uma eventual redução da safra dos Estados Unidos poderá sustentar os preços internacionais e melhorar as receitas dos agricultores brasileiros durante a colheita da safra de verão, a partir de fevereiro.
Abimaq projeta queda de 20% no fechamento de 2026
Mesmo com o recuo de 25,8% acumulado até julho, a Abimaq mantém a previsão de que as vendas de máquinas agrícolas terminem 2026 com queda de aproximadamente 20%.
Para que a estimativa seja confirmada, o mercado precisará apresentar recuperação parcial entre agosto e outubro. O desempenho dependerá da liberação dos financiamentos, da disponibilidade de recursos nas instituições financeiras e da evolução dos preços das commodities.
A reação esperada nos próximos meses não deverá eliminar a retração anual, mas poderá diminuir a intensidade da queda registrada no primeiro semestre.
Exportações crescem 14,8% no acumulado do ano
Enquanto o mercado doméstico enfrenta dificuldades, as exportações de máquinas agrícolas apresentaram crescimento no acumulado de 2026.
Em julho, os embarques do segmento somaram US$ 141,20 milhões, aumento de 0,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação com junho, entretanto, houve queda de 12,1%.
Entre janeiro e julho, as exportações alcançaram US$ 1,017 bilhão, avanço de 14,8% sobre igual intervalo do ano anterior. O desempenho externo ajudou a reduzir parcialmente os efeitos da retração das vendas no Brasil.
Importações de máquinas agrícolas recuam
As importações movimentaram US$ 94,56 milhões em julho, queda de 7,3% na comparação anual e de 24% diante de junho.
No acumulado dos sete primeiros meses, as compras externas totalizaram US$ 720,64 milhões. O resultado ficou 5% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
A redução das importações reforça o cenário de menor demanda por investimentos no setor agrícola brasileiro.
Vendas de tratores diminuem em julho
O mercado comercializou 6.981 tratores em julho de 2026, volume 5,7% inferior às 7.402 unidades negociadas em junho.
Do total registrado no mês, 2.790 tratores foram entregues diretamente ao usuário final. Esse volume representa queda de 23,3% em relação a julho de 2025 e recuo de 11,3% na comparação mensal.
Outras 3.531 unidades foram comercializadas com fábricas. O número ficou 33% abaixo do observado no mesmo mês do ano passado e 2,9% inferior ao resultado de junho.
As exportações tiveram desempenho positivo, com 660 tratores enviados ao exterior. O volume cresceu 10,4% na comparação anual e 6,5% em relação ao mês anterior.
Mercado de colheitadeiras registra forte retração
As vendas de colheitadeiras apresentaram desempenho ainda mais negativo. Em julho, foram comercializadas 166 unidades, queda de 28,8% diante das 233 máquinas vendidas em junho.
Desse total, 121 colheitadeiras foram destinadas ao usuário final. O resultado representa retração de 37,6% em relação a julho de 2025 e de 13,6% na comparação com junho de 2026.
As fábricas adquiriram apenas 31 unidades durante o mês. O volume despencou 89% na comparação anual e caiu 60,3% em relação a junho.
Outras 14 colheitadeiras foram exportadas em julho, uma unidade a menos do que no mês anterior.
Crédito e preços das commodities definirão recuperação
O comportamento do mercado de máquinas agrícolas no restante de 2026 estará diretamente relacionado à rentabilidade das lavouras, ao acesso às linhas de crédito rural e à evolução das cotações da soja e do milho.
A liberação dos financiamentos do Plano Safra poderá favorecer uma retomada pontual das vendas, especialmente entre produtores que já vinham adiando investimentos. No entanto, juros elevados, endividamento e margens apertadas devem continuar limitando uma recuperação mais consistente.
Para a indústria, o desempenho entre agosto e outubro será decisivo para confirmar a previsão de queda de 20% no ano e reduzir parte das perdas acumuladas até julho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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