Exportações brasileiras de grãos superam 127,9 milhões de toneladas em 2026, aponta ANEC
Embarques de soja, milho, farelo, trigo, DDGS e sorgo crescem 4,4% no acumulado até agosto; soja lidera fluxo, enquanto milho registra retração anual
Publicado em: 02/09/2026 às 19:20hs
As exportações brasileiras de grãos e derivados alcançaram 127,9 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2026, considerando a programação de embarques para o fechamento do mês. O volume representa crescimento de aproximadamente 4,4% em relação às 122,5 milhões de toneladas movimentadas no mesmo período de 2025.
Os dados fazem parte do relatório da 34ª semana divulgado pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). O levantamento reúne os embarques de soja em grão, farelo de soja, milho, trigo, DDGS e sorgo pelos principais portos brasileiros.
O avanço no acumulado do ano foi impulsionado principalmente pelas exportações de soja e farelo de soja. Em sentido contrário, os embarques de milho permanecem abaixo dos registrados no mesmo intervalo do ano passado.
Exportações de soja atingem 94,15 milhões de toneladas
A soja continua liderando a pauta de exportações acompanhada pela ANEC. Entre janeiro e agosto de 2026, os embarques da oleaginosa somaram cerca de 94,15 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% diante das 88,10 milhões de toneladas registradas nos oito primeiros meses de 2025.
Somente em agosto, a movimentação foi estimada em 9,53 milhões de toneladas, contra 8,11 milhões de toneladas no mesmo mês do ano passado. A diferença representa uma expansão anual de aproximadamente 17,5%.
O resultado reforça a elevada participação da soja brasileira no abastecimento internacional, especialmente no mercado asiático. Entre janeiro e julho, a China respondeu por 71% das compras da oleaginosa embarcada pelo Brasil.
Espanha apareceu na segunda posição, com participação de 4%, seguida por Tailândia, Turquia e Irã, cada uma com 3%. Paquistão, México e Vietnã concentraram 2% dos embarques cada.
Farelo de soja acumula crescimento de 13%
As exportações brasileiras de farelo de soja também apresentaram desempenho positivo em 2026. O volume acumulado até agosto chegou a aproximadamente 17,46 milhões de toneladas, alta de 13,1% sobre as 15,44 milhões de toneladas movimentadas no mesmo período de 2025.
Para agosto, a ANEC estimou embarques de 2,19 milhões de toneladas. O volume supera em cerca de 8,5% as 2,02 milhões de toneladas exportadas no mesmo mês do ano anterior.
A Indonésia foi o principal destino do farelo brasileiro entre janeiro e julho, com 18% do total. Na sequência apareceram Tailândia, com 11%, Holanda e França, ambas com 10%, além da Espanha, com 7%.
Polônia respondeu por 6% das compras, enquanto Coreia do Sul, Alemanha, Eslovênia e Vietnã tiveram participação individual de 5%.
Exportações de milho recuam 16% no acumulado do ano
Apesar da aceleração prevista no fluxo semanal, os embarques brasileiros de milho seguem abaixo do resultado observado em 2025. De janeiro a agosto de 2026, as exportações do cereal totalizaram 14,25 milhões de toneladas, retração de aproximadamente 16% em relação às 16,97 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
Em agosto, a ANEC projetou a movimentação de 5,13 milhões de toneladas de milho. O volume é 30% inferior às 7,34 milhões de toneladas embarcadas em agosto de 2025.
O Irã liderou as compras do milho brasileiro entre janeiro e julho, concentrando 30% dos embarques. Egito e Vietnã apareceram em seguida, com participação de 14% cada, enquanto a Arábia Saudita respondeu por 7%.
China, Marrocos e Argélia tiveram fatias de 4% cada. Espanha, Bangladesh e República Dominicana concentraram individualmente 3% das exportações brasileiras do cereal.
Embarques semanais podem superar 4,7 milhões de toneladas
A programação portuária indica intensificação dos embarques no período de 30 de agosto a 5 de setembro. Considerando todos os produtos monitorados, estão previstas aproximadamente 4,73 milhões de toneladas, volume 39,2% superior às 3,40 milhões de toneladas movimentadas na semana anterior.
A soja apresenta a maior programação, com 2,51 milhões de toneladas, avanço de 55,4% na comparação semanal. O milho aparece na sequência, com previsão de 1,45 milhão de toneladas, alta de 51,2%.
Para o farelo de soja, a programação aponta 607,99 mil toneladas, redução de 12,6% em relação à semana anterior. Os embarques de sorgo podem chegar a 141,43 mil toneladas, mais que o dobro das 67,11 mil toneladas registradas no intervalo precedente.
Já o fluxo de DDGS, coproduto da fabricação de etanol de milho utilizado na alimentação animal, está estimado em 16,2 mil toneladas, recuo de 71,7% na comparação semanal. Não há embarques de trigo previstos na programação apresentada.
Santos lidera movimentação de soja e milho
O Porto de Santos concentra a maior parte dos embarques programados para a semana. O terminal paulista deverá movimentar 487,40 mil toneladas de soja, 565,89 mil toneladas de milho, 230,49 mil toneladas de farelo e 141,43 mil toneladas de sorgo.
No caso da soja, Rio Grande apresenta a maior programação individual, com 617,34 mil toneladas. Também se destacam Paranaguá, com 412,80 mil toneladas, São Luís/Itaqui, com 397,55 mil toneladas, e Aratu/Cotegipe, com 249,18 mil toneladas.
Entre os embarques de milho, além de Santos, os maiores volumes estão programados para Barcarena, com 271,53 mil toneladas, Santarém, com 258,89 mil toneladas, Paranaguá, com 134,33 mil toneladas, e Itacoatiara, com 112,45 mil toneladas.
DDGS e sorgo ganham espaço nas exportações
As exportações brasileiras de DDGS totalizaram aproximadamente 766,4 mil toneladas entre janeiro e agosto de 2026. O resultado representa crescimento de cerca de 60,5% na comparação com as 477,5 mil toneladas movimentadas no mesmo período de 2025.
Somente em agosto, os embarques foram estimados em 113,82 mil toneladas, quase seis vezes o volume registrado no mesmo mês do ano passado.
O sorgo também ampliou sua presença no comércio exterior. Após exportar 35,18 mil toneladas em março, o Brasil tem previsão de embarcar 277,46 mil toneladas em agosto. O acumulado de 2026 alcança 312,64 mil toneladas.
Exportações totais de agosto ficam próximas da estabilidade
Somados todos os produtos analisados pela ANEC, os embarques de agosto foram estimados em 17,25 milhões de toneladas. O resultado representa ligeira queda de 1,3% ante as 17,48 milhões de toneladas exportadas em agosto de 2025.
A retração mensal foi provocada principalmente pela redução das vendas externas de milho. O desempenho positivo da soja, do farelo, do DDGS e do sorgo ajudou a limitar a queda do volume total.
No acumulado de janeiro a agosto, porém, o crescimento das exportações brasileiras evidencia a força da soja e de seus derivados no comércio global, ao mesmo tempo que mostra maior diversificação da pauta com o avanço dos embarques de DDGS e sorgo.
Meta description: Exportações brasileiras de grãos e derivados superam 127,9 milhões de toneladas até agosto de 2026, com altas da soja e do farelo, segundo a ANEC.
Fonte: Portal do Agronegócio
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