Preço do milho sobe no Brasil, mas negócios seguem lentos com compradores à espera da safrinha
Mercado brasileiro de milho registra novas altas nos preços, enquanto produtores seguram vendas e compradores aguardam maior oferta da segunda safra
Publicado em: 24/07/2026 às 16:00hs
O mercado brasileiro de milho apresentou novas altas nos preços ao longo da semana, mas o ritmo de comercialização permaneceu lento. Segundo levantamento da Safras & Mercado, compradores seguem cautelosos, indicando tranquilidade em relação aos estoques atuais e aguardando a entrada de um volume maior de milho safrinha no mercado.
Enquanto os preços encontram suporte na postura mais retraída dos produtores e no cenário internacional, a comercialização permanece limitada diante da expectativa de maior disponibilidade do cereal nas próximas semanas.
Colheita avança no Brasil, mas Paraná tem atrasos
O clima mais seco favoreceu o avanço da colheita do milho safrinha em diversas regiões produtoras brasileiras.
No entanto, o Paraná apresentou dificuldades durante a semana devido às chuvas registradas no estado, que reduziram o ritmo dos trabalhos de campo e atrasaram a entrada de novos volumes no mercado.
Nos demais estados, o avanço da colheita aumenta a expectativa de maior oferta física, fator que mantém os compradores mais confortáveis nas negociações.
Produtores reduzem vendas e acompanham mercado futuro
Do lado da oferta, os produtores de milho adotam uma postura mais cautelosa antes de fechar novos negócios.
A estratégia é acompanhar o comportamento dos preços futuros na B3 e as oscilações do mercado internacional, principalmente em Chicago, onde as cotações encontraram suporte diante das preocupações com o clima nos Estados Unidos.
As previsões de temperaturas elevadas e clima mais seco no cinturão produtor norte-americano aumentaram as especulações sobre possíveis impactos no desenvolvimento das lavouras, contribuindo para uma recuperação dos preços externos.
Preço médio do milho sobe no mercado brasileiro
O preço médio da saca de milho no Brasil chegou a R$ 60,82 em 23 de julho, alta de 0,35% em relação aos R$ 60,61 registrados na semana anterior.
No mercado disponível, os principais indicadores regionais apresentaram o seguinte comportamento:
- Cascavel (PR): R$ 59,00 por saca, estabilidade semanal;
- Campinas/CIF (SP): R$ 67,00 por saca, alta de 0,75% frente aos R$ 66,50 anteriores;
- Mogiana Paulista (SP): R$ 60,00 por saca, sem alteração;
- Rondonópolis (MT): R$ 56,00 por saca, alta de 1,82% ante os R$ 55,00 da semana anterior;
- Erechim (RS): R$ 68,00 por saca, estabilidade;
- Uberlândia (MG): R$ 60,00 por saca, sem mudança;
- Rio Verde (GO): R$ 55,00 por saca, mantendo o mesmo nível da semana passada.
Mercado internacional influencia formação dos preços
A valorização do milho no mercado brasileiro também acompanha o movimento observado no exterior.
Em Chicago, os contratos futuros registraram recuperação diante das incertezas climáticas nos Estados Unidos, especialmente com previsões de calor intenso e menor disponibilidade de chuvas em áreas produtoras.
O cenário internacional segue sendo monitorado pelos produtores brasileiros, principalmente para definir o melhor momento de comercialização da segunda safra.
Exportações brasileiras de milho recuam em julho
Apesar da melhora nos preços internos, as exportações brasileiras de milho apresentam desempenho inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 786,7 mil toneladas de milho em julho, considerando 13 dias úteis, com receita acumulada de US$ 168,646 milhões.
A média diária ficou em:
- 60,5 mil toneladas exportadas;
- US$ 12,972 milhões em receita;
- US$ 214,40 por tonelada embarcada.
- Na comparação com julho de 2025:
- a receita média diária caiu 40,3%;
- o volume médio exportado recuou 42,8%;
- o preço médio da tonelada avançou 4,5%.
Perspectivas para o mercado de milho
O mercado brasileiro de milho deve continuar dividido entre a pressão da entrada da safrinha e a sustentação dos preços proporcionada pela postura mais firme dos produtores.
A evolução da colheita, o comportamento das exportações e as condições climáticas nos Estados Unidos serão fatores decisivos para a definição das cotações nas próximas semanas.
Com compradores mais cautelosos e vendedores reduzindo a oferta imediata, o mercado tende a seguir com negociações pontuais e foco nos melhores momentos de comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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