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Milho e Sorgo

Preço do milho recua em Chicago com dados do USDA e decisão da EPA, mas mercado segue firme no Sul do Brasil

Manutenção da qualidade das lavouras norte-americanas e concessão de créditos a refinarias pressionam os contratos futuros, enquanto oferta controlada, exportações e demanda por bioenergia sustentam as cotações brasileiras


Publicado em: 01/09/2026 às 11:20hs

Preço do milho recua em Chicago com dados do USDA e decisão da EPA, mas mercado segue firme no Sul do Brasil
Foto: CNA

O mercado de milho começou setembro com movimentos distintos no Brasil e no exterior. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros registraram leves perdas nesta terça-feira (1º), pressionados pelos novos dados sobre as lavouras dos Estados Unidos e pela decisão da Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA) envolvendo as metas de mistura de biocombustíveis.

No mercado brasileiro, entretanto, os preços permanecem sustentados no Sul e em Mato Grosso do Sul. A postura cautelosa dos produtores, a demanda interna, as exportações e as compras destinadas à produção de bioenergia ajudam a limitar a pressão provocada pelo avanço da colheita.

Milho recua na Bolsa de Chicago

Por volta das 9h41, no horário de Brasília, o contrato de milho para setembro de 2026 era negociado a US$ 5,12 por bushel, com queda de 2,50 pontos. O vencimento dezembro de 2026 recuava 1 ponto, para US$ 5,36 por bushel.

Entre os contratos de 2027, março era cotado a US$ 5,51 por bushel, com baixa de 1,25 ponto, enquanto maio registrava perda de 1 ponto, negociado a US$ 5,57.

A pressão sobre as cotações ganhou força após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informar que 57% das lavouras norte-americanas de milho permaneciam classificadas entre boas e excelentes, mesmo percentual registrado na semana anterior.

A estabilidade na qualidade das plantações reduz, neste momento, as preocupações com perdas mais expressivas de produtividade e mantém o mercado atento ao potencial da safra dos Estados Unidos.

Safra norte-americana avança para a maturação

O levantamento do USDA mostrou ainda que 13% do milho dos Estados Unidos havia atingido a maturação até o último domingo. O índice mais que dobrou em relação aos 6% registrados na semana anterior e ficou alinhado à média histórica para o período.

A parcela das lavouras no estágio de grão dentado alcançou 62%, acima dos 45% observados uma semana antes e também superior à média de 56%.

O avanço fenológico indica que uma parcela crescente da produção norte-americana entra nas etapas finais do ciclo, elevando a atenção dos investidores sobre produtividade, clima e início da colheita.

Decisão da EPA aumenta pressão sobre demanda por etanol

Outro fator negativo para o milho em Chicago foi a concessão de US$ 1,76 bilhão em créditos de energia renovável a 29 pequenas refinarias de petróleo pela EPA.

A medida tende a reduzir o volume de etanol que será incorporado aos combustíveis neste ano. Como o milho representa a principal matéria-prima utilizada pela indústria norte-americana de etanol, qualquer retração nas metas de mistura pode afetar as expectativas de demanda pelo cereal.

De acordo com a agência, 18 refinarias receberam isenções integrais, enquanto outras 11 foram contempladas com dispensas parciais de 50%. Três solicitações foram rejeitadas e duas consideradas inelegíveis.

A EPA informou, contudo, que deverá apresentar uma proposta para realocar as obrigações dispensadas entre 2026 e 2027. A definição desse mecanismo será acompanhada de perto pelo mercado, já que poderá compensar parte da redução inicial na demanda por biocombustíveis.

Preço do milho permanece firme no Sul

Enquanto Chicago opera sob pressão, o mercado físico brasileiro mantém preços relativamente firmes. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, as negociações continuam pontuais no Sul e em Mato Grosso do Sul.

Os produtores evitam ampliar as vendas nos atuais patamares e aguardam oportunidades mais favoráveis. Na ponta compradora, indústrias e consumidores negociam principalmente volumes de reposição, mantendo uma atuação cautelosa.

A demanda doméstica, os embarques para o exterior e o consumo das usinas de bioenergia contribuem para absorver parte da oferta e reduzir o impacto do avanço da colheita sobre as cotações.

Milho varia de R$ 58 a R$ 65 no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as referências de negociação oscilam entre R$ 58 e R$ 65 por saca. O preço médio estadual avançou 1,53% na semana, alcançando R$ 60,23 por saca.

Ao mesmo tempo, o plantio da safra de milho 2026/27 progride de maneira irregular. O excesso de umidade e as chuvas dificultam a entrada das máquinas em algumas regiões produtoras.

A semeadura atingiu aproximadamente 20% da área prevista em Ijuí, 47% em Santa Rosa e 12% em Soledade. Nas lavouras já emergidas, produtores identificaram ocorrências de cigarrinhas e percevejos, exigindo monitoramento para evitar prejuízos durante o desenvolvimento inicial das plantas.

Déficit de milho mantém Santa Catarina dependente de outros estados

Em Santa Catarina, os vendedores indicam preços próximos de R$ 60 por saca, enquanto as ofertas de compra permanecem ao redor de R$ 55.

A diferença entre compradores e vendedores restringe o volume de negócios. Apesar disso, o déficit estrutural catarinense continua funcionando como importante fator de sustentação para o mercado regional.

O estado consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de milho por ano, impulsionado principalmente pelas cadeias de aves e suínos. A produção da safra 2025/26 foi estimada em 2,67 milhões de toneladas, deixando uma diferença próxima de 6 milhões de toneladas.

Para atender à demanda, Santa Catarina depende de milho proveniente de outros estados e também de importações, especialmente do Paraguai.

Colheita do milho chega a 83% no Paraná

No Paraná, a colheita da segunda safra avançou para 83% da área, ante 73% na semana anterior. Mesmo com a entrada do cereal no mercado, os preços continuam sustentados.

A cotação média recebida pelos produtores encerrou a última semana em R$ 56,79 por saca. O valor representa alta de 7,8% em relação a julho e valorização de 11% na comparação com agosto de 2025.

Paralelamente, o plantio da primeira safra de milho 2026/27 alcançou 6% da área projetada. O ritmo da semeadura e as condições climáticas durante setembro serão determinantes para o estabelecimento das lavouras.

Bioenergia sustenta preços em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, a colheita atingiu 88% da área cultivada, avançando frente aos 80% registrados na semana anterior.

Os preços variam entre R$ 50 e R$ 55 por saca, com sustentação importante das aquisições realizadas pelas indústrias de bioenergia. O crescimento da produção de etanol de milho amplia a demanda regional e cria uma alternativa adicional de comercialização para os produtores.

Apesar da evolução dos trabalhos no campo, o ritmo dos negócios permanece moderado. Os agricultores evitam vendas mais agressivas, enquanto as empresas compradoras operam conforme suas necessidades imediatas.

Mercado de milho acompanha demanda e nova safra

Nas próximas sessões, o preço do milho deverá continuar refletindo forças opostas. No exterior, o avanço da safra dos Estados Unidos, as condições das lavouras e as decisões relacionadas ao etanol podem manter Chicago sob pressão.

No Brasil, a oferta controlada pelos produtores, as exportações, o déficit de milho em Santa Catarina e a expansão da bioenergia oferecem suporte às cotações. O clima também ganha importância com o avanço do plantio da safra 2026/27 no Sul, principalmente diante do excesso de umidade e da presença inicial de pragas em algumas regiões.

Fonte: Portal do Agronegócio

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