Preço do milho recua com avanço da colheita da safrinha; clima nos EUA e petróleo limitam perdas em Chicago
Oferta elevada no Brasil pressiona cotações na B3 e no mercado físico, enquanto incertezas climáticas nos Estados Unidos e a alta do petróleo oferecem suporte às cotações internacionais.
Publicado em: 06/08/2026 às 11:30hs
O mercado de milho segue pressionado pelo avanço da colheita da segunda safra no Brasil, cenário que amplia a oferta disponível e mantém os preços em queda tanto na Bolsa Brasileira (B3) quanto no mercado físico. Apesar da pressão doméstica, as cotações internacionais encontraram algum suporte na Bolsa de Chicago (CBOT) devido à valorização do petróleo e às preocupações com o clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
O movimento reforça um cenário de elevada volatilidade para o cereal, com produtores acompanhando de perto o ritmo da colheita brasileira, as exportações e o comportamento da safra norte-americana.
Colheita da safrinha amplia oferta e pressiona preços do milho
Segundo análise da TF Agroeconômica, o avanço da colheita da safrinha continua sendo o principal fator de pressão sobre os preços internos. A maior disponibilidade de produto reduziu o interesse comprador e limitou uma recuperação das cotações, enquanto a B3 acompanhou o movimento negativo observado em Chicago.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revisou levemente para cima sua estimativa de produção em Mato Grosso, estado que está próximo de concluir a colheita e deve registrar uma safra 3,54% superior à de 2025.
Na quarta-feira, os contratos futuros encerraram em queda na B3:
- Setembro/2026 fechou em R$ 68,57, queda diária de R$ 0,17 e recuo semanal de R$ 1,72;
- Novembro/2026 terminou em R$ 73,30, baixa de R$ 0,35 no dia e de R$ 2,06 na semana;
- Janeiro/2027 encerrou cotado a R$ 76,48, com perda diária de R$ 0,33 e semanal de R$ 1,34.
Na abertura do pregão desta quinta-feira (6), o movimento baixista permaneceu. Por volta das 10h07 (horário de Brasília), o contrato setembro/26 era negociado a R$ 67,96, com desvalorização de 0,50%. O janeiro/27 recuava para R$ 76,08, enquanto março/27 era negociado a R$ 77,49 e maio/27 registrava R$ 76,48, todos operando em território negativo.
Mercado físico segue lento nas principais regiões produtoras
No mercado disponível, as negociações continuam acontecendo de forma pontual, refletindo a cautela entre vendedores e compradores.
No Rio Grande do Sul, as indicações permanecem entre R$ 58 e R$ 63 por saca, enquanto a média estadual caiu 0,17% na semana, atingindo R$ 58,94. A oferta continua relativamente restrita em função da postura dos produtores e do bom ritmo das exportações.
Em Santa Catarina, compradores indicam valores próximos de R$ 55 por saca, enquanto os vendedores mantêm pedidas próximas de R$ 60, diferença que reduz significativamente a liquidez e faz com que consumidores priorizem apenas compras de reposição.
No Paraná, a comercialização avança gradualmente acompanhando a evolução da colheita, que já alcançou 52% da área cultivada. Após interrupções causadas pelas chuvas, o retorno do tempo seco favoreceu o ritmo das operações. As lavouras apresentam 85% das áreas em boas condições, 10% em situação regular e apenas 5% classificadas como ruins.
Já em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 48 e R$ 50 por saca. A demanda das usinas de bioenergia continua absorvendo parte da produção, reduzindo o impacto da maior oferta sobre os preços.
Clima nos Estados Unidos continua sendo fator decisivo
Enquanto o Brasil concentra as atenções no avanço da colheita, o mercado internacional permanece monitorando as condições climáticas nas regiões produtoras dos Estados Unidos.
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros operaram praticamente estáveis na manhã desta quinta-feira. O vencimento setembro/26 era negociado a US$ 4,36 por bushel, dezembro/26 em US$ 4,60, março/27 em US$ 4,75 e maio/27 em US$ 4,84, com pequenas oscilações.
Após acumular cinco sessões de queda em seis pregões, o milho encontrou algum suporte técnico durante a madrugada.
Segundo o analista Bruce Blythe, do Farm Futures, a recuperação parcial foi favorecida pela valorização do petróleo, que impulsiona expectativas para a demanda por etanol e combustíveis renováveis.
Mesmo assim, o mercado permanece cauteloso.
As previsões meteorológicas para o cinturão produtor norte-americano seguem como o principal fator de risco para os preços. Caso as condições climáticas continuem favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, aumenta a expectativa de uma safra cheia nos Estados Unidos, cenário que pode ampliar ainda mais a pressão sobre as cotações globais.
Perspectivas para o mercado do milho
A combinação entre a grande oferta da safrinha brasileira, o avanço da comercialização e a expectativa de uma ampla produção norte-americana mantém o mercado do milho sob forte pressão.
Por outro lado, fatores externos, como oscilações no mercado de energia, comportamento dos fundos de investimento, ritmo das exportações brasileiras e eventuais mudanças nas condições climáticas dos Estados Unidos, continuam sendo determinantes para limitar perdas mais acentuadas.
No curto prazo, analistas avaliam que a tendência permanece de preços pressionados, embora episódios de volatilidade possam surgir diante de mudanças no cenário climático ou macroeconômico internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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