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Café cai mais de 2% em Nova York; produtor precisa de 19,4% mais grão para comprar adubo

Arábica recua após superar 300 centavos por libra-peso na véspera, enquanto menor poder de compra frente aos fertilizantes exige planejamento para a safra 2027/28


Publicado em: 07/10/2026 às 11:30hs

Café cai mais de 2% em Nova York; produtor precisa de 19,4% mais grão para comprar adubo

O mercado do café combina forte oscilação nas bolsas internacionais e perda de poder de compra dos produtores brasileiros frente aos fertilizantes. Nesta quarta-feira (7), o arábica iniciou as negociações em Nova York com queda superior a 2%, devolvendo parte da valorização de terça-feira. No campo, o retorno das chuvas abre o período de adubação da safra 2027/28 em condições de troca menos favoráveis, segundo o Cepea.

Considerando o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica e os preços médios dos insumos em São Paulo, o cafeicultor precisa de 19,4% mais café em outubro para adquirir a mesma quantidade de adubo comprada em agosto. O resultado amplia a atenção ao planejamento das próximas aplicações.

Arábica volta a ficar abaixo dos 300 centavos em Nova York

Por volta das 8h45, no horário de Brasília, o contrato dezembro/2026 era negociado a 296,60 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 2,58%.

O vencimento março/2027 recuava 2,55%, para 288,30 centavos, enquanto maio/2027 registrava baixa de 2,46%, a 285,30 centavos por libra-peso.

A retração ocorreu após o avanço expressivo da sessão anterior. Embora o movimento devolva parte desses ganhos, as primeiras negociações não permitem atribuir a queda a um único fator.

Robusta também recua na Bolsa de Londres

Em Londres, os contratos do café robusta operavam em baixa, com perdas inicialmente mais moderadas.

Às 8h46, o vencimento novembro/2026 era cotado a US$ 3.539 por tonelada, recuo de 1,42%. Janeiro/2027 perdia US$ 60, para US$ 3.517 por tonelada, e março/2027 caía US$ 49, a US$ 3.510 por tonelada.

Clima nas principais origens produtoras, câmbio e movimentações dos fundos continuam entre os fatores acompanhados pelo mercado após a volatilidade das últimas sessões.

Alta de terça-feira foi reforçada por câmbio e movimento técnico

Na terça-feira (6), o arábica encerrou o pregão de Nova York com valorização de aproximadamente 4,1% nos principais vencimentos.

O contrato dezembro/2026 fechou a 304,45 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 11,90 centavos. Março/2027 terminou a 295,85 centavos, com ganho de 11,55 centavos.

A queda do dólar frente ao real esteve entre os fatores de sustentação. A valorização da moeda brasileira reduz a remuneração em reais das vendas externas, podendo diminuir o estímulo à comercialização pelos exportadores.

O rompimento do patamar de 300 centavos por libra-peso no contrato dezembro também acelerou ordens de compra, reforçando a recuperação técnica após as quedas recentes.

Floradas mantêm clima brasileiro no centro das atenções

As condições das lavouras brasileiras seguem relevantes para a formação dos preços internacionais. Após as chuvas que favoreceram a abertura das floradas e seu desenvolvimento inicial, o mercado acompanha as temperaturas elevadas e os intervalos sem precipitação em algumas regiões.

A preocupação está no pegamento das floradas que darão origem à safra brasileira de 2027. Períodos de calor e distribuição irregular das chuvas podem comprometer o potencial produtivo.

As apreensões relacionadas ao El Niño também aparecem nas análises de mercado, diante do risco de irregularidade das precipitações e temperaturas elevadas nos últimos meses do ano.

Fertilizantes exigem mais café e reforçam planejamento da adubação

No mercado brasileiro, o início das aplicações de adubos ocorre em um momento de deterioração da relação de troca. Segundo o Cepea, boa parte dos produtores já adquiriu os fertilizantes necessários para a etapa atual, mas novas aplicações devem ocorrer até o fim do ano e no começo de 2027.

Por isso, o planejamento das compras seguintes já pode estar em andamento. A necessidade de entregar 19,4% mais café pela mesma quantidade de adubo, em comparação com agosto, mostra que o investimento em nutrição passou a exigir uma parcela maior da produção.

A recuperação pontual dos futuros, portanto, convive com desafios no orçamento das propriedades. Para os cafeicultores, a evolução dos preços do grão, dos fertilizantes e do câmbio será importante para definir as condições de compra dos insumos destinados à safra 2027/28.

Fonte: Portal do Agronegócio

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