Soja tem recuperação limitada no Brasil e abre perto da estabilidade em Chicago
Câmbio restringe reação dos preços domésticos e negócios seguem lentos; mercado internacional acompanha clima favorável à colheita nos Estados Unidos
Publicado em: 07/10/2026 às 11:20hs
Os preços da soja apresentam movimentos distintos no mercado brasileiro, com recuperação pontual em algumas regiões e novas quedas em outras. Segundo a TF Agroeconômica, a valorização do real limitou o efeito dos ganhos recentes de Chicago sobre as cotações domésticas, mantendo compradores cautelosos e produtores resistentes à venda.
Na abertura desta quarta-feira (7), os contratos da oleaginosa operavam próximos da estabilidade na Bolsa de Chicago, com pequenas perdas. O mercado acompanha as condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos, onde a previsão de tempo mais seco tende a favorecer o avanço da colheita.
Câmbio limita recuperação e mantém baixa liquidez
No levantamento da TF Agroeconômica, a referência cambial de R$ 4,9771 por dólar restringiu o espaço para uma valorização mais ampla da soja no Brasil.
Mesmo nas praças que registraram melhora nas indicações de compra, o movimento não resultou em aumento equivalente dos negócios. Produtores seguem limitando a oferta, enquanto compradores evitam elevar os valores propostos.
O plantio da safra 2026/27 também concentra a atenção dos agricultores. As vendas pontuais permanecem associadas, principalmente, à necessidade de recursos para financiar as operações no campo.
Rio Grande do Sul registra altas pontuais nas indicações
No Rio Grande do Sul, as referências subiram para R$ 147,40 por saca em Passo Fundo, R$ 148,40 em Santa Rosa e R$ 156,40 em Rio Grande.
A recuperação ficou concentrada nas ofertas de compra, sem uma retomada expressiva da comercialização. Além da distância entre as expectativas de compradores e vendedores, o excesso de chuva mantém o andamento do plantio entre as prioridades dos produtores.
Santa Catarina e Paraná têm negociações restritas
Em Santa Catarina, a melhora recente de Chicago foi neutralizada pelo câmbio. Em Abelardo Luz, a referência ficou em R$ 155,00 por saca.
A umidade elevada reduz as oportunidades de trabalho nas lavouras e contribui para uma postura cautelosa na comercialização.
No Paraná, Cascavel permaneceu em R$ 143,00 por saca, enquanto Paranaguá registrou R$ 154,00. Os valores ficaram estáveis após a queda anterior, mas a pouca convergência entre as propostas dos compradores e os preços esperados pelos produtores limitou os negócios.
Dourados recua e Mato Grosso concentra atenção no plantio
Em Mato Grosso do Sul, a soja em Dourados caiu 0,69%, para R$ 144,00 por saca, apesar da valorização internacional observada no período analisado pela consultoria.
Em Mato Grosso, as referências foram de R$ 144,90 em Campo Verde, R$ 139,00 em Lucas do Rio Verde e R$ 144,30 em Primavera do Leste. Rondonópolis registrou R$ 145,55, enquanto Sorriso ficou em R$ 138,70 por saca.
O avanço da semeadura direciona os esforços dos produtores para a nova safra. Segundo a TF Agroeconômica, as negociações que ocorrem atendem principalmente a necessidades financeiras, sem sinal de venda generalizada dos estoques.
A indústria também tem papel relevante na demanda estadual: Mato Grosso concentra 21,6% da capacidade nacional de processamento de soja.
Chicago abre com pequenas perdas nesta quarta-feira
Por volta das 8h53, no horário de Brasília, o contrato novembro de 2026 era negociado a US$ 13,0250 por bushel, com queda de 0,50 ponto.
O vencimento janeiro de 2027 recuava 0,75 ponto, para US$ 13,1850 por bushel, enquanto março de 2027 perdia 1,25 ponto, cotado a US$ 13,2750 por bushel.
As variações mostravam pouca alteração no início da sessão, com investidores atentos ao ritmo da colheita e às perspectivas de demanda pela soja norte-americana.
Tempo seco nos Estados Unidos favorece trabalhos de campo
A previsão de condições predominantemente secas durante a semana no Meio-Oeste norte-americano tende a facilitar a colheita, após períodos de maior umidade em algumas áreas produtoras.
O avanço dos trabalhos e a demanda pela nova safra seguem como fatores centrais para Chicago. No Brasil, o comportamento do câmbio permanece decisivo para determinar quanto das oscilações internacionais será transmitido às ofertas de compra no mercado físico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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