Preço do milho reage no Brasil, mas Chicago cai com avanço da colheita nos EUA
Dólar e valorização nos portos sustentam cotações brasileiras; no exterior, maior disponibilidade do cereal limita reação mesmo após venda de 1,73 milhão de toneladas ao México
Publicado em: 03/11/2026 às 11:10hs
Os preços do milho voltaram a subir no mercado brasileiro, apoiados pela valorização do dólar, pelo avanço das referências nos portos e pela menor disposição de parte dos vendedores em negociar. A recuperação, porém, ainda ocorre com baixa liquidez, já que os compradores mantêm aquisições pontuais para atender às necessidades de abastecimento.
No mercado internacional, os contratos futuros recuavam na manhã desta terça-feira (3) na Bolsa de Chicago (CBOT), após pequenas altas na segunda-feira (2). O avanço da colheita norte-americana continua ampliando a oferta disponível e limita a sustentação dos preços, mesmo diante de novos negócios de exportação.
Milho sobe no Brasil, mas compradores evitam ampliar estoques
Segundo o Cepea, a combinação entre dólar mais valorizado e preços maiores nos portos favoreceu a reação das cotações domésticas. A retração de vendedores também contribuiu para sustentar os valores.
Parte dos produtores acompanha as incertezas relacionadas à reforma tributária antes de definir novas operações. Do lado da demanda, compradores negociam conforme a necessidade e aguardam condições mais atrativas para ampliar as aquisições.
Em avaliação apresentada ao Notícias Agrícolas, Ieda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Beyond Agro, destacou que parte dos consumidores permanece relativamente abastecida para novembro e início de dezembro. Para os produtores, custos de armazenagem e necessidades de caixa continuam relevantes na definição do momento de venda.
A melhora das referências de exportação, portanto, ainda convive com uma demanda doméstica cautelosa.
Chicago recua após recuperação limitada na segunda-feira
Por volta das 7h05, no horário de Brasília, o contrato dezembro de 2026 era negociado a US$ 4,4700 por bushel, queda de 1,25 centavo em relação ao fechamento anterior.
O vencimento março de 2027 também perdia 1,25 centavo, para US$ 4,6075 por bushel. Maio de 2027 recuava na mesma proporção, a US$ 4,6950, enquanto julho de 2027 caía 1 centavo, para US$ 4,7625 por bushel.
Na segunda-feira, o dezembro havia encerrado a US$ 4,4825 por bushel, alta de 0,11%. O março terminou a US$ 4,62, com valorização de 0,22%.
Segundo a TF Agroeconômica, compras de oportunidade, o enfraquecimento do dólar frente ao euro e a previsão de chuvas no Meio-Oeste americano ajudaram a sustentar os contratos naquela sessão. A oferta elevada, entretanto, conteve os ganhos e dificultou a permanência do dezembro acima de US$ 4,50 por bushel.
Venda de 1,73 milhão de toneladas ao México oferece suporte
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou na segunda-feira uma venda privada de aproximadamente 1,73 milhão de toneladas de milho ao México.
Do total, 1,135 milhão de toneladas correspondem à temporada comercial 2026/27, enquanto outras 594,36 mil toneladas serão destinadas ao ciclo 2027/28.
A operação reforça a demanda de um dos principais compradores do milho norte-americano. Contudo, os indicadores de movimentação física ainda mostram desempenho inferior ao do ano passado.
As inspeções de milho para exportação somaram 884.766 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro. O volume cresceu 38,63% frente à semana anterior, mas ficou 48,32% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Desde o início da temporada comercial 2026/27, em setembro, as inspeções totalizaram 10,68 milhões de toneladas, retração de 13,21% na comparação anual. Os números mostram que o avanço das contratações ainda precisa ser acompanhado por maior ritmo de embarques.
Colheita americana chega a 74% e mantém pressão sobre a oferta
A colheita de milho dos Estados Unidos alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, conforme o USDA. O avanço foi de 14 pontos percentuais em uma semana, ante os 60% registrados anteriormente.
Apesar da aceleração, os trabalhos permaneciam abaixo da média de 77% dos últimos cinco anos.
A entrada dos grãos mantém a pressão sazonal sobre os preços. Por outro lado, a previsão de chuvas no Meio-Oeste nesta semana pode interromper temporariamente as operações e diminuir o ritmo de chegada do cereal ao mercado.
O equilíbrio entre o progresso da colheita e eventuais limitações climáticas segue entre os fatores acompanhados pelos operadores.
Consumo de milho para etanol cai frente a agosto
Na demanda industrial, o relatório Grain Crushings, divulgado pelo USDA, apontou utilização de 438,42 milhões de bushels de milho para produção de etanol combustível em setembro.
O resultado representa queda de aproximadamente 9% em relação a agosto, mas crescimento de cerca de 1% frente a setembro de 2025.
Parte da diferença mensal está relacionada ao calendário, já que setembro teve um dia a menos que agosto. Mesmo considerando essa diferença, houve redução no processamento médio diário.
O indicador acrescenta um ponto de atenção à demanda doméstica norte-americana, enquanto a colheita amplia a disponibilidade do cereal.
Plantio avança no Brasil, mas clima preocupa no Sul
No Brasil, o plantio do milho verão 2026/27 atingiu 63% da área prevista no Centro-Sul, segundo a AgRural, superando os 59% observados no mesmo período do ano passado.
Apesar do avanço, o excesso de umidade e as baixas temperaturas prejudicam o desenvolvimento de lavouras no Sul e mantêm a atenção sobre as condições de campo.
Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires informou que a semeadura alcançou 47% da área estimada. A evolução das lavouras sul-americanas será importante para as expectativas de oferta nos próximos meses.
Câmbio e concorrência externa orientam negócios na volta do feriado
A terça-feira marca a retomada das negociações regulares de milho na B3 após o feriado de Finados. O mercado brasileiro volta a acompanhar os movimentos de Chicago e do dólar, além das condições de abastecimento interno.
Embora a valorização da moeda norte-americana possa melhorar a competitividade do milho brasileiro, a concorrência internacional limita esse efeito. Segundo Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, a disputa com Estados Unidos e Argentina continua restringindo a recuperação dos prêmios de exportação do Brasil.
Para a comercialização doméstica, a sustentação dos preços dependerá da combinação entre câmbio, referências portuárias, demanda das indústrias e disposição dos produtores em vender. No exterior, o ritmo dos embarques americanos e o avanço da colheita seguem como fatores centrais para a direção das cotações.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias