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Milho e Sorgo

Preço do milho oscila entre altas e correção: contratos seguem acima de R$ 70 na B3 e exportações sustentam mercado

Mercado físico mantém negociações seletivas, demanda externa fortalece cotações e investidores acompanham correção técnica em Chicago após sequência de altas


Publicado em: 24/07/2026 às 11:30hs

Preço do milho oscila entre altas e correção: contratos seguem acima de R$ 70 na B3 e exportações sustentam mercado

O mercado brasileiro de milho encerrou a quinta-feira (23) com valorização nos contratos futuros negociados na B3, enquanto as negociações no mercado físico seguiram seletivas, refletindo a postura cautelosa de vendedores e compradores. Já nesta sexta-feira (24), os preços passaram por uma leve correção tanto na Bolsa Brasileira quanto na Bolsa de Chicago (CBOT), movimento considerado técnico após os recentes avanços das cotações.

Apesar do ajuste nos mercados futuros, os fundamentos permanecem favoráveis ao cereal. A demanda internacional aquecida, o ritmo das exportações brasileiras, a necessidade de armazenagem da safra e a firmeza dos produtores continuam oferecendo sustentação aos preços.

Contratos do milho acumulam forte valorização na semana

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o contrato de setembro de 2026 encerrou a quinta-feira cotado a R$ 70,75 por saca, com alta de R$ 0,64 no dia e ganho acumulado de R$ 2,35 na semana.

Os demais vencimentos também apresentaram valorização:

  • Novembro/2026: R$ 74,75 por saca, alta diária de R$ 0,65 e avanço semanal de R$ 2,59;
  • Janeiro/2027: R$ 77,40 por saca, valorização de R$ 0,82 no dia e de R$ 2,93 na semana.

Os contratos para 2027 voltaram a superar a marca de R$ 77 por saca, refletindo expectativas positivas para o mercado e oportunidades de fixação de preços pelos produtores.

Exportações e indicador Cepea reforçam sustentação dos preços

O cenário continua sendo favorecido pelo desempenho das exportações brasileiras.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou a projeção dos embarques de milho em julho para 3,70 milhões de toneladas, volume 7,6% superior ao estimado na semana anterior.

Ao mesmo tempo, o indicador do Cepea registrou alta acumulada de 3,48% nos últimos sete dias, reforçando a recuperação dos preços no mercado doméstico.

Segundo analistas, a combinação entre demanda externa aquecida, necessidade de liberar espaço nos armazéns para a nova safra e ritmo consistente das exportações contribui para manter o mercado sustentado.

Mercado físico continua com liquidez moderada

Nas principais regiões produtoras, o mercado físico segue apresentando negociações pontuais.

Rio Grande do Sul

A comercialização avançou de forma gradual, com produtores mantendo postura firme nas negociações. Os preços oscilaram entre R$ 57 e R$ 65 por saca, enquanto a média estadual ficou em R$ 59,04.

A demanda da cadeia pecuária continua absorvendo parte importante da oferta disponível, reduzindo a pressão de baixa sobre as cotações.

Outro fator positivo foi a atualização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que restabeleceu as janelas de plantio de agosto para municípios da região noroeste do estado.

Santa Catarina

Em Santa Catarina, a liquidez permaneceu limitada pela diferença entre compradores e vendedores.

Enquanto os compradores ofertavam valores próximos de R$ 55 por saca, os vendedores mantiveram pedidos ao redor de R$ 60, restringindo o fechamento de novos negócios.

Paraná

No Paraná, a colheita da segunda safra atingiu 29% da área cultivada, aumentando a expectativa de oferta nas próximas semanas.

As lavouras apresentam bom desempenho, com:

  • 81% em boas condições;
  • 13% em condição média;
  • 6% classificadas como ruins.

Os preços variaram entre R$ 50,35 no Oeste e R$ 60,09 por saca no Centro Oriental.

Mato Grosso do Sul

No Mato Grosso do Sul, as cotações permaneceram entre R$ 47,57 e R$ 50 por saca.

A forte demanda da indústria de etanol de milho e bioenergia continua absorvendo parte relevante da produção estadual, evitando uma pressão maior de baixa mesmo com o avanço da colheita.

Chicago realiza correção técnica após sequência de altas

Depois de vários pregões consecutivos de valorização, os contratos futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago iniciaram esta sexta-feira em queda.

Por volta das 9h14 (horário de Brasília), as cotações registravam:

  • Setembro/2026: US$ 4,59 por bushel (-4,75 pontos);
  • Dezembro/2026: US$ 4,83 (-4,50 pontos);
  • Março/2027: US$ 4,98 (-4,50 pontos);
  • Maio/2027: US$ 5,07 (-4,50 pontos).

O movimento ocorre após o mercado reagir, durante a madrugada, às previsões de calor intenso sobre o cinturão produtor de milho dos Estados Unidos.

Os alertas meteorológicos indicam temperaturas extremamente elevadas em importantes estados produtores, como Minnesota, Iowa, Nebraska, Missouri e parte do Texas, fator que vinha sustentando as cotações internacionais nos últimos dias.

Entretanto, com parte desse risco climático já precificado pelos investidores, o mercado passou por um movimento natural de realização de lucros.

B3 acompanha Chicago e registra leves recuos

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros também abriram a sexta-feira em leve baixa, acompanhando o comportamento do mercado internacional.

As principais cotações registravam:

  • Setembro/2026: R$ 70,65 por saca (-0,28%);
  • Janeiro/2027: R$ 77,25 (-0,12%);
  • Março/2027: R$ 78,30 (-0,29%).

Apesar da correção pontual, os contratos seguem próximos das máximas recentes, refletindo fundamentos considerados positivos para o mercado brasileiro.

Perspectiva continua positiva para o milho brasileiro

Analistas avaliam que o mercado permanece sustentado pelos bons volumes de exportação, pela demanda firme da indústria de proteína animal e do setor de bioenergia, além da postura cautelosa dos produtores nas vendas.

Embora a entrada da segunda safra aumente gradualmente a oferta disponível, o desempenho das exportações e a evolução das condições climáticas nos Estados Unidos continuarão sendo os principais fatores de influência sobre os preços nas próximas semanas.

Com esse cenário, o mercado do milho deve seguir apresentando volatilidade, mas com viés ainda positivo para os contratos futuros e para a comercialização da safra brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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