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Milho e Sorgo

Preço do milho cai no Brasil e em Chicago com oferta elevada; chuvas afetam lavouras no Sul

Disponibilidade do cereal, recuo internacional e dólar mais baixo pressionam o mercado brasileiro, enquanto excesso de umidade e granizo prejudicam áreas da safra de verão


Publicado em: 26/10/2026 às 11:10hs

Preço do milho cai no Brasil e em Chicago com oferta elevada; chuvas afetam lavouras no Sul
Foto: Tony Oliveira

Os preços do milho seguem pressionados no Brasil pela elevada oferta do cereal, pela cautela dos compradores e pela redução da competitividade das exportações. No mercado internacional, os contratos futuros também iniciaram a segunda-feira (26) em queda na Bolsa de Chicago, diante da ampla produção projetada para os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da safra de verão exige atenção no Sul do Brasil. Chuvas frequentes, baixa luminosidade e episódios de granizo dificultam os trabalhos e comprometem lavouras em algumas regiões. Os problemas climáticos, porém, ainda convivem com um mercado abastecido e negociações concentradas nas necessidades imediatas de consumo.

Oferta elevada e menor paridade de exportação pressionam milho no Brasil

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a disponibilidade de milho no mercado brasileiro continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as cotações.

A queda dos preços internacionais e a desvalorização do dólar também reduzem a paridade de exportação, diminuindo os valores que os compradores podem oferecer pelo cereal destinado ao exterior. Nos portos, as baixas foram mais intensas que no mercado interno na última semana, conforme o centro de pesquisas.

Os consumidores mantêm uma postura cautelosa nas novas aquisições e acompanham o avanço da semeadura. Apesar das dificuldades provocadas pelas chuvas em determinadas localidades, o andamento dos trabalhos ainda sustenta perspectivas favoráveis de abastecimento nos próximos meses.

Do lado vendedor, produtores demonstram maior flexibilidade para negociar. A necessidade de formar caixa e o receio de novas desvalorizações contribuem para esse comportamento, de acordo com o Cepea.

Milho em Chicago recua após perda semanal de 3,85%

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os principais vencimentos do milho operavam em baixa por volta das 7h26, no horário de Brasília, nesta segunda-feira (26).

O contrato dezembro de 2026 era cotado a US$ 4,5300 por bushel, com queda de 3 cents, ou 0,66%, em relação ao fechamento anterior. Os demais vencimentos também recuavam:

  • Março de 2027: US$ 4,6775 por bushel, baixa de 2,50 cents;
  • Maio de 2027: US$ 4,7625 por bushel, redução de 2,75 cents;
  • Julho de 2027: US$ 4,8325 por bushel, recuo de 2,25 cents.

O movimento prolongava as perdas da semana anterior. Na sexta-feira (23), o dezembro de 2026 encerrou a sessão a US$ 4,5600 por bushel, acumulando queda semanal de 3,85%. Os contratos março, maio e julho de 2027 registraram desvalorizações de 3,34%, 2,94% e 2,75%, respectivamente.

Produção dos Estados Unidos mantém pressão sobre as cotações

A perspectiva de uma grande safra norte-americana segue entre os principais fundamentos acompanhados pelos investidores.

No relatório de oferta e demanda divulgado em 9 de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou a produção de milho do país em 407,28 milhões de toneladas, com produtividade média de 181,2 bushels por acre. Os estoques finais da temporada 2026/27 foram estimados em aproximadamente 46,97 milhões de toneladas.

No campo, a colheita havia atingido 44% da área até 18 de outubro, avanço de 11 pontos percentuais em uma semana. O ritmo, entretanto, permanecia abaixo da média de cinco anos, de 52%, com atrasos mais expressivos em Iowa, Nebraska e Minnesota.

A atualização do acompanhamento das lavouras, prevista para o fim da tarde desta segunda-feira, poderá ajudar o mercado a dimensionar o avanço recente dos trabalhos.

Pelo lado da demanda, os investidores também aguardam os dados semanais de inspeções de exportação. No levantamento anterior, o volume inspecionado havia recuado para 672,5 mil toneladas. Já as vendas líquidas alcançaram aproximadamente 1,53 milhão de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro.

Segundo a TF Agroeconômica, uma recuperação mais consistente dos preços depende de maior absorção da oferta disponível, mesmo com sinais pontuais de melhora da demanda externa.

Chuvas e granizo afetam milho no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a semeadura do milho da safra 2026/27 alcançou 78% dos 896,4 mil hectares previstos, conforme os dados apresentados pela TF Agroeconômica com base no acompanhamento da Emater.

O excesso de umidade, as temperaturas amenas e a baixa luminosidade dificultam a continuidade dos trabalhos e o desenvolvimento das plantas. Em áreas atingidas por temporais com granizo, foram observados danos às folhas e falhas no estande, com redução do potencial produtivo nas lavouras mais afetadas.

O avanço do plantio apresenta diferenças expressivas entre as regiões:

  • Frederico Westphalen: 95%;
  • Ijuí: 92%;
  • Passo Fundo e Santa Rosa: 90%;
  • Pelotas: 9%.

A implantação do milho destinado à silagem também avança lentamente. A área estimada para essa finalidade é de 369,4 mil hectares.

No mercado gaúcho, os negócios são relatados entre R$ 60 e R$ 70 por saca. O preço médio estadual acompanhado pela Emater recuou 0,57%, para R$ 62,59. Já a Bolsa de Cereais de Cruz Alta indicou referência de R$ 75 para o produto disponível, em levantamento distinto.

Mercado travado em Santa Catarina e plantio avançado no Paraná

Em Santa Catarina, a distância entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores oferecidos pelos compradores limita os negócios. As ofertas de venda ficam próximas de R$ 60 por saca, enquanto as propostas de compra giram em torno de R$ 55.

No Paraná, o plantio do milho de verão chegou a 86%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). Chuvas, ventos fortes e pouca luminosidade, contudo, dificultam o desenvolvimento inicial das lavouras.

As cotações paranaenses apresentam comportamentos distintos entre as regiões, com queda no Oeste e alta no Norte Central.

Em Mato Grosso do Sul, as referências variam de R$ 52 a R$ 54 por saca. A indústria de bioenergia absorve parte da disponibilidade, mas as aquisições continuam voltadas principalmente à reposição, sem aceleração expressiva da comercialização.

Comercialização exige atenção ao caixa e às margens

Diante da pressão sobre os preços, a TF Agroeconômica recomenda que os agentes da cadeia ajustem as decisões de compra e venda às necessidades financeiras e às margens de cada operação.

Para os produtores, a orientação é escalonar a comercialização, evitando concentrar grandes volumes em uma única negociação. Eventuais recuperações podem abrir oportunidades de venda, mas devem ser avaliadas sem pressupor uma reversão duradoura do mercado.

A comparação entre propostas precisa considerar o frete e o valor líquido recebido na propriedade. Para a próxima safra, a definição de preços-alvo deve partir dos custos de produção.

Nas cooperativas, o planejamento das vendas deve acompanhar a capacidade de armazenagem e as demandas dos associados. Para cerealistas, a consultoria destaca a importância de comprar com destino definido e margem calculada, incorporando despesas de financiamento, transporte e estocagem. Instrumentos de proteção de preços também podem ajudar a administrar a exposição às oscilações.

Indústrias e exportadores acompanham oportunidades de abastecimento

Para as indústrias de ração e etanol, a ampla disponibilidade de milho favorece negociações de abastecimento em etapas, conforme as necessidades de processamento e as condições comerciais.

A estratégia indicada pela TF Agroeconômica busca evitar a concentração das compras e o comprometimento excessivo de recursos com estoques.

Entre os exportadores, câmbio, fretes e prêmios seguem determinantes para a viabilidade dos embarques. A evolução dessas variáveis, somada ao ritmo da colheita norte-americana e às condições das lavouras brasileiras, deve orientar as próximas decisões de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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