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Milho e Sorgo

Milho sobe na B3 e em Chicago com exportações aquecidas, demanda por etanol e preocupações climáticas nos EUA

Mercado do milho ganha força com avanço da comercialização, projeções maiores para as exportações brasileiras e riscos climáticos nos Estados Unidos e na Europa, impulsionando os preços futuros.


Publicado em: 23/07/2026 às 11:40hs

Milho sobe na B3 e em Chicago com exportações aquecidas, demanda por etanol e preocupações climáticas nos EUA

O mercado do milho registrou uma nova rodada de valorização no Brasil e no exterior, sustentado por uma combinação de fatores que reforçam a expectativa de preços firmes no curto prazo. O avanço da comercialização da safra, o aumento das exportações brasileiras, a forte demanda da indústria de etanol nos Estados Unidos e as preocupações com o clima nas principais regiões produtoras globais impulsionaram as cotações tanto na Bolsa Brasileira (B3) quanto na Bolsa de Chicago (CBOT).

Os contratos futuros voltaram a superar a marca de R$ 70,00 por saca na B3, enquanto Chicago registrou ganhos superiores a 2%, refletindo o cenário de maior demanda e incertezas sobre a oferta mundial.

Exportações brasileiras fortalecem o mercado do milho

No mercado doméstico, a comercialização apresentou melhora, especialmente diante do aumento das oportunidades de exportação. Segundo estimativas atualizadas da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil deverá embarcar 3,70 milhões de toneladas de milho em julho, volume 7,6% superior à projeção anterior.

O crescimento das exportações ajuda a reduzir a pressão da oferta da segunda safra e melhora o ambiente para formação de preços, ao mesmo tempo em que produtores aproveitam momentos favoráveis para fixação de contratos.

Outro fator que contribui para o mercado é a necessidade de liberação de espaço nos armazéns durante o avanço da colheita, estimulando negociações em diversas regiões.

B3 mantém tendência positiva

Os contratos futuros do milho encerraram a quarta-feira em alta e iniciaram a quinta-feira com novas valorizações nos vencimentos mais próximos.

O contrato para setembro de 2026 fechou a R$ 70,11 por saca, acumulando alta diária de R$ 0,94 e ganho de R$ 1,95 na semana.

Os demais vencimentos também apresentaram desempenho positivo:

  • Novembro/2026: R$ 74,10 por saca;
  • Janeiro/2027: R$ 76,58 por saca.

Na abertura desta quinta-feira, os contratos seguiram sustentados, com setembro negociado próximo de R$ 70,26, enquanto janeiro de 2027 operava acima de R$ 76,60, confirmando a continuidade do movimento de alta.

Mercado físico segue com liquidez limitada

Apesar da valorização dos contratos futuros, o mercado físico continua apresentando ritmo moderado de negociações em diversas regiões do país.

Rio Grande do Sul

A oferta restrita mantém baixa liquidez, com indicações entre R$ 57,00 e R$ 65,00 por saca. A média estadual avançou levemente durante a semana, alcançando R$ 59,02.

Santa Catarina

Os negócios permanecem travados devido ao desencontro entre compradores e vendedores. Enquanto compradores oferecem cerca de R$ 55,00 por saca, produtores mantêm pedidos próximos de R$ 60,00.

Paraná

O clima seco favoreceu o avanço da colheita da segunda safra, que já alcança 29% da área cultivada.

As lavouras apresentam bom potencial produtivo:

  • 81% em boas condições;
  • 13% em condição regular;
  • 6% em situação considerada ruim.

Mesmo assim, a comercialização continua pontual, com indicações próximas de R$ 60,00 por saca, enquanto compradores trabalham ao redor de R$ 55,00 CIF.

Mato Grosso do Sul

As cotações variam entre R$ 47,57 e R$ 50,00 por saca.

A indústria de bioenergia segue absorvendo parte da produção, reduzindo a pressão sobre o mercado, embora compradores aguardem maior avanço da colheita para ampliar os volumes adquiridos.

Clima nos EUA impulsiona Chicago

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros registraram forte valorização diante das preocupações com o retorno do clima quente e seco em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos.

Modelos meteorológicos indicam redução das chuvas nas próximas semanas em áreas de Wisconsin, Michigan, Minnesota, Dakota do Norte e Dakota do Sul, justamente durante um período crítico para o desenvolvimento das lavouras.

Analistas internacionais apontam que entre 15% e 20% da região produtora norte-americana poderá enfrentar estresse hídrico caso o padrão climático persista.

O cenário elevou o prêmio de risco nos contratos futuros.

Ao final do pregão, os principais vencimentos encerraram em alta:

  • Setembro/2026: US$ 4,62 por bushel (+2,04%);
  • Dezembro/2026: US$ 4,84¾ por bushel (+1,99%).
Demanda por etanol reforça valorização

Outro importante fator de sustentação dos preços foi o crescimento da produção de etanol de milho nos Estados Unidos.

Dados da Administração de Informação de Energia (EIA) mostram que a produção semanal aumentou 5,19%, alcançando 1,094 milhão de barris por dia.

Além disso:

  • os estoques cresceram levemente para 24,5 milhões de barris;
  • as exportações praticamente dobraram, passando de 81 mil para 158 mil barris na última semana.

O aumento da demanda industrial amplia o consumo interno de milho e reduz a disponibilidade do cereal, favorecendo novas altas nas cotações internacionais.

Europa também preocupa com perdas na produção

Além dos Estados Unidos, o mercado acompanha os impactos das ondas de calor na Europa.

Estimativas da Coceral indicam que as altas temperaturas registradas nas últimas semanas podem reduzir em aproximadamente 9 milhões de toneladas a produção de grãos da União Europeia, incluindo milho, trigo e cevada.

A previsão para a safra do bloco caiu para 286,6 milhões de toneladas, abaixo da estimativa anterior de 295,5 milhões e distante das cerca de 310 milhões de toneladas colhidas no ciclo passado.

As maiores preocupações concentram-se nas áreas produtoras do sul da França e da Hungria, onde o calor já compromete parte da polinização das lavouras de milho.

Perspectiva para o mercado

A combinação entre exportações brasileiras aquecidas, avanço da demanda por etanol nos Estados Unidos, incertezas climáticas no Hemisfério Norte e redução da expectativa de produção na Europa mantém o mercado do milho sustentado.

Embora a evolução da colheita da segunda safra continue adicionando oferta ao mercado brasileiro, a demanda externa consistente e o fortalecimento dos contratos futuros indicam um cenário de maior firmeza para os preços nas próximas semanas, especialmente se persistirem os riscos climáticos nas principais regiões produtoras mundiais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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