Milho sobe em Chicago com demanda por etanol e exportações, mas preços seguem pressionados no Brasil
Mercado americano amplia recuperação nesta quinta-feira (5), enquanto negócios lentos, oferta elevada e avanço do plantio da safra 2026/27 limitam a reação das cotações brasileiras
Publicado em: 05/11/2026 às 11:10hs
O mercado do milho apresenta movimentos distintos no Brasil e no exterior nesta quinta-feira (5). Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros avançam com o apoio da demanda americana por etanol, das exportações e de compras técnicas. No mercado brasileiro, a comercialização permanece lenta, com compradores cautelosos e preços pressionados em diferentes regiões.
O contraste ocorre enquanto o plantio da safra de verão 2026/27 se aproxima da conclusão em parte do Sul. Excesso de umidade, baixa luminosidade e episódios de ventos fortes exigem atenção ao desenvolvimento das lavouras.
Milho avança em Chicago e dezembro se aproxima de US$ 4,48
Por volta das 8h30, no horário de Brasília, o contrato de milho para dezembro/26 era negociado a US$ 4,4775 por bushel, com alta de 3,50 centavos, equivalente a 0,79%.
O vencimento março/27 avançava 3,50 centavos, para US$ 4,6175 por bushel. O maio/27 subia 3,25 centavos, a US$ 4,6975, enquanto o julho/27 ganhava 3,00 centavos, cotado a US$ 4,7650.
O movimento prolonga a recuperação de quarta-feira (4), sustentada por indicadores de demanda e compras de oportunidade após as perdas recentes. Segundo informações da Reuters, a percepção de que os contratos estavam em condição de sobrevenda favoreceu a reação, assim como o enfraquecimento do dólar frente a outras moedas.
Exportações americanas e produção de etanol sustentam o mercado
A demanda externa acrescentou suporte às negociações. Segundo dados do Census Bureau repercutidos pelo Barchart, os Estados Unidos exportaram 7,084 milhões de toneladas de milho em setembro de 2026, volume recorde para o mês.
Os embarques ficaram 0,48% acima do registrado em setembro do ano passado, embora tenham recuado 4,56% em relação a agosto.
As exportações americanas de etanol também cresceram, alcançando 208,99 milhões de galões, aumento de 35,99% na comparação anual. Já os embarques de grãos de destilaria, coprodutos da fabricação do biocombustível, somaram 1,094 milhão de toneladas.
Na indústria, a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) informou produção média de etanol de 1,143 milhão de barris por dia na semana encerrada em 30 de outubro, ante 1,119 milhão na semana anterior. Os estoques recuaram para 24,434 milhões de barris, redução de 89 mil barris.
Nesta quinta-feira, os operadores também aguardam o relatório semanal de vendas externas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). As expectativas indicam negócios entre 800 mil e 1,8 milhão de toneladas para a temporada 2026/27.
Colheita nos Estados Unidos limita valorização
Apesar dos sinais positivos de consumo, a entrada da safra americana continua restringindo movimentos mais fortes de alta.
Segundo o USDA, a colheita de milho atingiu 74% da área até 1º de novembro, três pontos percentuais abaixo da média histórica. A perspectiva de uma produção elevada mantém a oferta no centro das avaliações.
Chuvas interromperam os trabalhos em algumas regiões e reduziram temporariamente as vendas de produtores, aliviando parte da pressão exercida pela chegada de novos volumes ao mercado.
No Brasil, compradores cautelosos mantêm negócios lentos
No mercado físico brasileiro, a recuperação internacional ainda encontra resistência nas condições domésticas de oferta e demanda.
De acordo com a TF Agroeconômica, a disponibilidade nacional superior à demanda mantém compradores cautelosos. As aquisições seguem concentradas em necessidades imediatas, enquanto vendedores alternam entre flexibilizar preços e restringir novas ofertas.
No Rio Grande do Sul, as referências variam de R$ 59 a R$ 70 por saca de 60 quilos. A média estadual acompanhada pela Emater recuou 0,14%, de R$ 62,59 para R$ 62,50. Parte dos vendedores aceita negociar para liberar espaço de armazenagem para a safra de verão.
Em Santa Catarina, vendedores indicam valores próximos de R$ 60 por saca, enquanto compradores oferecem cerca de R$ 55. A distância entre as propostas dificulta o fechamento de negócios.
No Paraná, as cotações apresentam diferenças expressivas entre regiões. No Oeste, a referência ficou em R$ 50,58 por saca, queda de 0,53%. No Norte Central, alcançou R$ 65,83, alta de 1,40%. Em Cascavel e Maringá, os valores foram de R$ 51,87 e R$ 65,58, respectivamente.
Em Mato Grosso do Sul, os preços oscilam entre R$ 50 e R$ 52 por saca, com pressão mais acentuada em Dourados. A indústria de bioenergia mantém parte das compras, enquanto outros consumidores priorizam reposições pontuais.
Plantio avança no Sul, mas excesso de chuva exige atenção
A semeadura do milho de verão alcançou 82% da área no Rio Grande do Sul, conforme a Conab, com as primeiras lavouras próximas do florescimento.
Em Santa Catarina, o plantio chegou a 90%. As áreas bem drenadas apresentam desenvolvimento favorável, mas o excesso de umidade e a baixa luminosidade prejudicam o crescimento em parte das lavouras. Chuvas intensas também exigiram replantio em alguns locais.
No Paraná, a semeadura atingiu 94% da área. Umidade elevada, pouca incidência de luz e ventos fortes estão entre os fatores que retardam o desenvolvimento das plantas.
B3, câmbio e demanda orientam os próximos negócios
Na B3, o contrato janeiro/27 encerrou a quarta-feira a R$ 71,69 por saca, recuo de 0,11%, enquanto o março/27 avançou 0,40%, para R$ 76,20.
As perspectivas de produção também seguem no radar. A StoneX elevou sua estimativa para a primeira safra brasileira de milho para 30,68 milhões de toneladas e projetou a segunda safra em 113,53 milhões de toneladas.
Para o produtor brasileiro, a alta em Chicago melhora a referência internacional, mas sua transmissão ao mercado interno depende do câmbio, dos fretes, das exportações e da necessidade de compra em cada região. A demanda europeia abre oportunidades ao cereal nacional, embora os embarques brasileiros permaneçam abaixo do ritmo de 2025.
Nos próximos negócios, o mercado acompanhará os indicadores americanos de demanda e as condições das lavouras no Sul, enquanto a disponibilidade de milho e a postura dos compradores continuarão determinantes para os preços no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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