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Mercado Financeiro

Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes de juros

Decisão unânime ocorre em meio à piora das expectativas de inflação e à desaceleração da economia; juros elevados mantêm pressão sobre crédito e investimentos


Publicado em: 05/11/2026 às 11:15hs

Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4). A medida interrompe o ciclo de redução dos juros iniciado em março e reflete a cautela da autoridade monetária diante da inflação esperada mais alta e da perda de ritmo da atividade econômica.

Na primeira reunião após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o colegiado avaliou que o cenário exige serenidade na condução da política monetária. A manutenção da taxa busca favorecer a convergência da inflação à meta, considerando também os efeitos dos juros sobre a economia e o emprego.

Para o agronegócio, a decisão mantém a atenção sobre o custo dos financiamentos, a disponibilidade de capital de giro e a viabilidade de novos investimentos, especialmente nas operações contratadas a taxas de mercado.

Inflação mais alta limita espaço para reduzir a Selic

A deterioração das expectativas de inflação foi um dos pontos centrais da avaliação do Copom. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na terça-feira (3), as projeções do mercado para a alta dos preços passaram a 5,22% em 2026 e 4,76% em 2027.

Os dois percentuais superam o limite superior do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%. O objetivo central para a inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O Banco Central também elevou sua projeção de inflação para o segundo trimestre de 2028, de 3,4% para 3,5%. Esse período corresponde ao horizonte considerado mais relevante para os efeitos da política monetária neste momento.

Na avaliação do comitê, expectativas persistentemente afastadas da meta podem influenciar a formação de preços e tornar mais difícil o processo de controle da inflação.

Economia desacelera, mas pressões sobre os preços persistem

A decisão ocorre em um ambiente que combina enfraquecimento da atividade e resistência da inflação. De acordo com o Copom, os indicadores divulgados desde a reunião de setembro apontam para uma desaceleração mais acentuada da economia brasileira.

O mercado de trabalho continua resiliente, embora apresente sinais recentes de perda de força. Ao mesmo tempo, o colegiado observou aceleração tanto da inflação geral quanto da média das medidas subjacentes, utilizadas para acompanhar tendências de preços.

Essa combinação torna mais complexa a definição dos juros. A desaceleração econômica tende a reduzir pressões de demanda, mas o aumento das expectativas inflacionárias exige cautela antes de uma eventual retomada dos cortes.

Petróleo e juros internacionais ampliam incertezas

No cenário externo, o Banco Central destacou o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços do petróleo e dos derivados.

Outro fator de preocupação é a política monetária mais restritiva nas economias avançadas. Para o Copom, esse ambiente amplia a volatilidade dos ativos financeiros e das commodities, exigindo atenção dos países emergentes.

No Brasil, oscilações do câmbio e dos combustíveis também podem afetar os custos de produção e transporte, com repercussões sobre diferentes cadeias do agronegócio.

Como a Selic elevada afeta o agronegócio

A taxa básica de juros serve de referência para as condições de crédito na economia. Sua manutenção em patamar elevado tende a sustentar custos financeiros maiores nas operações sujeitas às taxas de mercado.

Para produtores, cooperativas e agroindústrias, isso pode pesar sobre o financiamento de estoques, a compra de máquinas, a ampliação de estruturas e a contratação de capital de giro.

O efeito varia conforme a modalidade de financiamento. Linhas de crédito rural com juros controlados seguem condições próprias, enquanto operações com recursos livres estão mais expostas às condições do mercado financeiro.

Nesse contexto, o custo do crédito permanece relevante para o planejamento da safra e para a avaliação das margens, ao lado dos preços dos insumos, da produtividade e da remuneração obtida na comercialização.

Próximas decisões dependerão da evolução do cenário

O Copom considera que a Selic permanece em nível fortemente restritivo, contribuindo para conter as pressões inflacionárias. O comunicado, entretanto, não estabelece um compromisso com a retomada dos cortes.

As próximas decisões dependerão da evolução da inflação, das expectativas do mercado, da atividade econômica e das condições externas. Os efeitos da política fiscal sobre os preços e os ativos financeiros também continuam sob acompanhamento.

Como as mudanças nos juros levam tempo para produzir seus efeitos, o Banco Central orienta suas decisões pelas perspectivas para os próximos períodos. Para o setor produtivo, a pausa nos cortes mantém o custo financeiro entre os principais fatores de atenção no planejamento de investimentos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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