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Milho e Sorgo

Milho sobe em Chicago após piora das lavouras nos EUA, enquanto mercado brasileiro segue travado e produtores seguram vendas

Relatório do USDA reduz classificação das lavouras norte-americanas, impulsiona os contratos futuros em Chicago e reforça expectativa de recuperação dos preços, enquanto mercado físico brasileiro permanece com baixa liquidez e oferta restrita


Publicado em: 28/07/2026 às 11:50hs

Milho sobe em Chicago após piora das lavouras nos EUA, enquanto mercado brasileiro segue travado e produtores seguram vendas
Foto: Canva

O mercado internacional do milho iniciou esta terça-feira (28) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), reagindo à deterioração das condições das lavouras nos Estados Unidos apontada pelo mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A redução na qualidade das plantações interrompeu parte da pressão baixista observada nos últimos dias e sustentou ganhos nos principais contratos futuros.

No Brasil, entretanto, o cenário segue distinto. Apesar da valorização externa, o mercado físico continua registrando baixa liquidez, com produtores limitando as vendas à espera de preços mais atrativos e compradores atuando de forma cautelosa, consumindo estoques antes de ampliar novas aquisições.

USDA reduz qualidade das lavouras e impulsiona contratos futuros

Segundo o USDA, apenas 63% das lavouras de milho norte-americanas foram classificadas como boas ou excelentes até o início desta semana, queda de quatro pontos percentuais em relação aos 67% registrados no levantamento anterior.

A piora nas condições das lavouras ocorre em meio à intensa onda de calor que atinge grande parte do Meio-Oeste dos Estados Unidos, principal região produtora de milho do país.

De acordo com informações do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, as temperaturas elevadas permanecem entre o Novo México e a costa sul do Atlântico, alcançando também estados importantes para a produção agrícola, como Illinois e Missouri, onde os índices de calor podem atingir aproximadamente 41°C, aumentando as preocupações com possíveis impactos sobre o desenvolvimento das lavouras.

A deterioração das condições das plantações foi suficiente para estimular compras técnicas no mercado futuro, principalmente diante da expectativa de que o clima continue sendo o principal fator de formação dos preços nas próximas semanas.

Contratos do milho avançam na Bolsa de Chicago

Por volta das 9h02 (horário de Brasília), os principais vencimentos operavam em alta:

  • Setembro/2026: US$ 4,54 por bushel, alta de 2,25 pontos;
  • Dezembro/2026: US$ 4,75, avanço de 1,75 ponto;
  • Março/2027: US$ 4,91, valorização de 1,75 ponto;
  • Maio/2027: US$ 5,00, ganho de 1,50 ponto.

Enquanto milho reagia positivamente às informações climáticas, soja e trigo apresentavam movimento contrário, registrando perdas na sessão matinal.

Mercado brasileiro permanece travado mesmo com valorização externa

No Brasil, o comportamento dos preços continua sendo influenciado pelo avanço da segunda safra e pela postura cautelosa dos agentes do mercado.

Segundo análise da TF Agroeconômica, a Bolsa Brasileira (B3) encerrou a sessão anterior acompanhando o movimento de queda observado em Chicago e no mercado internacional de petróleo. Apesar disso, os preços domésticos seguem relativamente sustentados devido ao descolamento entre os contratos futuros e o mercado físico.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que, embora a colheita da safrinha avance em diversas regiões produtoras, o volume efetivamente disponível para negociação ainda permanece limitado.

Os produtores seguem retraídos nas vendas, aguardando uma melhora na paridade de exportação e novas oportunidades de valorização impulsionadas pelo mercado internacional. Do lado da demanda, consumidores continuam priorizando o uso dos estoques disponíveis, aguardando maior oferta com a evolução da colheita.

B3 registra queda na sessão anterior

Na segunda-feira, os contratos futuros do milho negociados na B3 encerraram em baixa:

  • Setembro/2026: R$ 69,21 por saca, queda de R$ 1,37;
  • Novembro/2026: R$ 73,36, recuo de R$ 1,54;
  • Janeiro/2027: R$ 76,30, baixa de R$ 1,00.

O comportamento dos preços refletiu principalmente a influência do mercado internacional durante a sessão anterior, antes da reação positiva observada nesta terça-feira em Chicago.

Colheita avança lentamente e comercialização segue limitada

Nas principais regiões produtoras brasileiras, a comercialização continua ocorrendo de forma pontual.

No Rio Grande do Sul, as indicações variaram entre R$ 57,00 e R$ 65,00 por saca, com média estadual próxima de R$ 59,04.

Em Santa Catarina, as referências permaneceram próximas de R$ 60,00, enquanto compradores demonstraram interesse em torno de R$ 55,00 por saca.

No Paraná, a colheita atingiu cerca de 29% da área cultivada, ainda abaixo da média histórica de 41,8%, mantendo ritmo mais lento e negociações restritas.

Já em Mato Grosso do Sul, as cotações oscilaram entre R$ 48,00 e R$ 50,05 por saca. A colheita alcançou aproximadamente 20% da área, também abaixo da média histórica. A demanda crescente das usinas de bioenergia continua absorvendo parte da produção, reduzindo a pressão de oferta sobre o mercado regional.

Clima nos EUA e ritmo da colheita no Brasil devem definir os próximos movimentos

Os próximos dias deverão ser decisivos para o mercado internacional do milho. A permanência das altas temperaturas nas regiões produtoras norte-americanas continuará sendo monitorada de perto pelos investidores, podendo provocar novas oscilações nos preços em Chicago.

No Brasil, o avanço da colheita da segunda safra, o comportamento das exportações, a demanda da indústria e a evolução da paridade de exportação seguirão determinando o ritmo das negociações, em um mercado que permanece marcado por baixa liquidez e forte cautela entre vendedores e compradores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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