Milho: preços sobem no mercado brasileiro com produtores retraídos, cenário externo volátil e expectativa sobre exportações
Oferta limitada, valorização em Chicago, demanda doméstica cautelosa e incertezas no mercado internacional sustentam as cotações do milho, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra no Brasil.
Publicado em: 27/07/2026 às 11:10hs
O mercado brasileiro de milho iniciou a semana com os agentes atentos ao avanço da colheita da segunda safra, ao comportamento dos produtores e às oscilações do cenário internacional. Apesar da evolução dos trabalhos no campo, a disponibilidade efetiva de grãos continua restrita, sustentando os preços em diversas regiões do país.
Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o ritmo da colheita segue inferior ao observado em temporadas anteriores. Ao mesmo tempo, produtores permanecem retraídos nas negociações, apostando em novas valorizações impulsionadas pelo fortalecimento das cotações internacionais e pela melhora da paridade de exportação.
Esse comportamento limita a oferta no mercado interno e mantém os compradores operando de forma bastante seletiva, utilizando estoques disponíveis enquanto aguardam uma maior entrada de produto no mercado.
Oferta controlada mantém sustentação das cotações
Mesmo com o avanço da safrinha em praticamente todas as regiões produtoras, o mercado físico continua registrando oferta disciplinada. A retenção dos produtores reduz a liquidez e impede um aumento mais expressivo do volume negociado.
Na ponta compradora, consumidores evitam formar grandes posições e priorizam o consumo dos estoques existentes. A expectativa é que o aumento da colheita, aliado à necessidade de liberação de armazéns e geração de caixa pelos produtores, possa ampliar a oferta nas próximas semanas, criando oportunidades de compra em preços mais competitivos.
Até que isso ocorra, os preços seguem sustentados pela combinação entre oferta limitada, demanda regular e cenário externo favorável.
Mercado físico reage lentamente às altas internacionais
Segundo analistas do mercado, a recuperação dos preços físicos ocorre em ritmo mais lento do que o observado nos contratos futuros negociados na B3 e na Bolsa de Chicago (CBOT).
Em importantes regiões produtoras, especialmente no estado de São Paulo, novas remarcações foram registradas, refletindo uma postura mais firme dos vendedores. Ainda assim, a liquidez permanece reduzida, com negociações acontecendo apenas de forma pontual.
O mercado continua sendo fortemente influenciado pelo ambiente internacional, especialmente pelas preocupações climáticas nos Estados Unidos e pelas tensões geopolíticas envolvendo o Mar Negro, fatores que elevaram o prêmio de risco dos grãos no mercado global.
Caso esses fatores persistam, o mercado físico brasileiro tende a acompanhar novas altas. Por outro lado, uma melhora nas condições climáticas ou uma redução das tensões internacionais pode provocar acomodação das cotações nas próximas semanas.
Mercado futuro acumula ganhos expressivos na semana
Mesmo encerrando a última sessão em baixa técnica, o mercado futuro do milho registrou forte valorização no acumulado semanal.
Os principais vencimentos negociados na B3 avançaram entre 2,4% e 3%, acompanhando a recuperação observada em Chicago.
Entre os destaques:
- Setembro/2026 fechou em R$ 70,58 por saca, acumulando alta semanal de R$ 1,66;
- Novembro/2026 encerrou em R$ 74,90, com ganho semanal de R$ 2,14;
- Janeiro/2027 terminou em R$ 77,30, acumulando valorização de R$ 2,23.
No mesmo período, o Indicador Cepea apresentou alta superior a 1%, enquanto Chicago registrou ganhos superiores a 4% durante a semana anterior, reforçando o movimento positivo do mercado internacional.
Diferença entre compradores e vendedores reduz liquidez
O comportamento do mercado varia entre os estados, mas a principal característica continua sendo a baixa liquidez.
No Sul do país, produtores seguem restringindo as vendas enquanto aguardam preços mais elevados. Em Santa Catarina e no Paraná, a diferença entre as pedidas dos vendedores e as ofertas dos compradores continua dificultando o fechamento de negócios.
No Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso do Sul e Goiás, a entrada da safra amplia gradualmente a disponibilidade de produto. Ainda assim, parte importante da produção vem sendo absorvida pelas usinas de etanol de milho, reduzindo a pressão sobre os preços.
As exportações também permanecem no radar do mercado, podendo exercer papel decisivo sobre a formação das cotações ao longo do segundo semestre.
Petróleo derruba Chicago no início da semana
Depois da forte valorização registrada na semana anterior, os contratos futuros do milho iniciaram esta segunda-feira em queda na Bolsa de Chicago.
O movimento foi impulsionado principalmente pela forte desvalorização do petróleo, após sinais de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.
A suspensão temporária dos ataques militares elevou as expectativas de uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio, provocando forte realização de lucros no mercado de commodities.
Com isso, os principais contratos do milho recuavam cerca de 14 pontos durante a manhã, enquanto o petróleo WTI registrava perdas próximas de 7%.
Apesar dessa correção técnica, analistas avaliam que os fundamentos de oferta e demanda continuam oferecendo suporte ao mercado internacional.
Mercado brasileiro inicia semana com ritmo lento
No Brasil, o início da semana é marcado por negociações travadas.
Produtores aguardam melhores oportunidades de comercialização, enquanto compradores permanecem abastecendo apenas as necessidades imediatas.
Nos portos, as cotações seguem relativamente estáveis:
- Santos: entre R$ 67,50 e R$ 69,00 por saca;
- Paranaguá: entre R$ 66,00 e R$ 68,00.
No interior, os preços continuam variando conforme a região, refletindo diferenças logísticas, ritmo da colheita e disponibilidade local do cereal.
Estratégia deve priorizar comercialização escalonada
Especialistas avaliam que o atual cenário exige cautela tanto para produtores quanto para consumidores.
Para quem ainda possui grandes volumes disponíveis, a recomendação é aproveitar momentos de valorização para realizar vendas parciais, evitando concentrar toda a comercialização em um único momento. Operações de hedge também seguem sendo alternativas importantes para proteção das margens.
Cooperativas devem intensificar a comercialização da safrinha e ampliar mecanismos de proteção aos cooperados, enquanto cerealistas e indústrias podem aproveitar eventuais recuos técnicos para recompor estoques de forma gradual.
Perspectivas para o mercado do milho
O mercado do milho permanece sustentado por uma combinação de fatores internos e externos.
No Brasil, a oferta continua limitada pela postura dos produtores, enquanto a demanda segue firme, especialmente dos setores de proteína animal, etanol de milho e exportações.
No cenário internacional, o clima nos Estados Unidos, a evolução da safra norte-americana e os desdobramentos geopolíticos continuarão sendo os principais direcionadores das cotações nas próximas semanas.
Enquanto persistirem as incertezas sobre a oferta global e os produtores brasileiros mantiverem ritmo moderado de vendas, o mercado tende a permanecer firme, embora sujeito à elevada volatilidade provocada pelos movimentos das bolsas internacionais e do câmbio.
Fonte: Portal do Agronegócio
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