Milho: preços se sustentam no Brasil, Chicago reage com tensão no Mar Negro e clima nos EUA mantém mercado em alerta
Mercado brasileiro encontra suporte na demanda interna e nas chuvas que atrasam a colheita da safrinha, enquanto Bolsa de Chicago oscila entre realização de lucros, preocupação com as lavouras dos Estados Unidos e riscos às exportações no Mar Negro
Publicado em: 04/08/2026 às 11:10hs
O mercado de milho segue em um cenário de sustentação dos preços no Brasil, impulsionado pelo aumento da demanda doméstica e pelo atraso da colheita da segunda safra no Paraná. No mercado internacional, a Bolsa de Chicago (CBOT) apresentou volatilidade, alternando momentos de queda e recuperação diante das preocupações com o clima nos Estados Unidos, do fortalecimento da demanda pelas exportações norte-americanas e das incertezas envolvendo o corredor de exportação de grãos no Mar Negro.
A combinação desses fatores mantém produtores, consumidores e investidores atentos aos próximos movimentos do mercado, em um momento decisivo para a formação dos preços do cereal.
Mercado brasileiro de milho mantém preços firmes
O mercado físico brasileiro iniciou a semana com preços firmes, refletindo principalmente o bom ritmo da demanda interna. Apesar da postura ainda cautelosa dos produtores na comercialização, as negociações começam a apresentar maior fluidez.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Paulo Molinari, as chuvas registradas no Paraná continuam atrasando a colheita da safrinha, reduzindo momentaneamente a oferta disponível e dando sustentação às cotações.
Segundo o especialista, embora os preços praticados nos portos ainda não incentivem uma valorização mais intensa, o consumo doméstico segue aquecido, impedindo movimentos de queda mais expressivos.
"Não há força suficiente para uma alta consistente, mas o mercado permanece sustentado pela procura interna", avalia.
Cotações do milho nas principais praças brasileiras
Os preços seguem relativamente estáveis nas principais regiões produtoras e consumidoras do país.
Portos
- Porto de Santos (CIF): entre R$ 65,50 e R$ 70,00 por saca;
- Porto de Paranaguá: entre R$ 65,00 e R$ 68,00 por saca.
Mercado interno
- Cascavel (PR): R$ 59,00 a R$ 61,00;
- Mogiana (SP): R$ 60,00 a R$ 62,00;
- Campinas (SP/CIF): R$ 67,00 a R$ 68,00;
- Erechim (RS): R$ 68,00 a R$ 69,00;
- Uberlândia (MG): R$ 57,00 a R$ 60,00;
- Rio Verde (GO/CIF): R$ 56,00 a R$ 58,00;
- Rondonópolis (MT): R$ 54,00 a R$ 56,00 por saca.
Chicago oscila entre clima nos EUA, petróleo e conflito no Mar Negro
Na Bolsa de Chicago, o milho iniciou o pregão pressionado por realização de lucros após a forte valorização registrada na sessão anterior e pela queda do petróleo em Nova York.
Entretanto, o mercado voltou a ganhar força diante da crescente preocupação com uma possível intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia, fator que pode comprometer novamente as exportações agrícolas pelo Mar Negro, uma das principais rotas globais de abastecimento de grãos.
O ambiente geopolítico voltou a aumentar a percepção de risco entre os operadores, limitando movimentos de baixa e favorecendo compras técnicas.
Clima nos Estados Unidos preocupa mercado
Outro fator de sustentação continua sendo o desenvolvimento da safra norte-americana.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu, pela terceira semana consecutiva, a classificação das lavouras de milho, refletindo os efeitos das altas temperaturas e da falta de chuvas em importantes regiões produtoras do Meio-Oeste americano.
Até 2 de agosto:
- 61% das lavouras foram classificadas como boas ou excelentes;
- na semana anterior eram 63%;
- 25% aparecem em condição regular;
- 14% foram avaliadas entre ruins e muito ruins.
A deterioração das condições das lavouras reduz as expectativas de produtividade e continua oferecendo suporte aos preços internacionais.
Exportações dos EUA reforçam cenário positivo
Além das preocupações climáticas, o mercado recebeu suporte dos números de exportação divulgados pelo USDA.
As vendas líquidas de milho dos Estados Unidos para a temporada comercial 2025/26 alcançaram 332,7 mil toneladas, com destaque para o México, responsável pela compra de 203,3 mil toneladas.
Para a safra 2026/27, foram registradas vendas adicionais de 701,5 mil toneladas.
Os volumes ficaram dentro da faixa esperada pelos analistas e reforçam a percepção de demanda consistente pelo cereal norte-americano.
Contratos futuros encerram sessão em alta
Mesmo após oscilações durante o pregão, os contratos futuros encerraram a última sessão em valorização.
- Setembro/2026: US$ 4,49¼ por bushel, alta de 1,92%;
- Dezembro/2026: US$ 4,72½ por bushel, avanço de 1,83%.
No início desta terça-feira, porém, os contratos de dezembro voltavam a recuar, negociados próximos de US$ 4,70 por bushel, refletindo ajustes técnicos e realização parcial de lucros.
Dólar e petróleo também influenciam o mercado
O câmbio acompanha o cenário internacional e opera com leve queda frente ao real, favorecendo parte das negociações domésticas.
O dólar comercial é negociado próximo de R$ 5,08, enquanto o Dollar Index apresenta pequena valorização.
Já o petróleo registra forte baixa nos mercados internacionais, com o contrato WTI recuando mais de 3%, fator que influencia o humor das commodities agrícolas ao reduzir parte da pressão inflacionária sobre custos logísticos e produção de biocombustíveis.
Perspectivas para o mercado de milho
O mercado do milho permanece sustentado por uma combinação de fatores internos e externos. No Brasil, o atraso da colheita da safrinha e a demanda aquecida ajudam a manter os preços firmes, enquanto no cenário internacional as atenções seguem voltadas para o clima nos Estados Unidos, o ritmo das exportações norte-americanas e a evolução das tensões no Mar Negro.
Caso ocorram novas perdas nas lavouras americanas ou restrições ao fluxo global de exportações, Chicago poderá voltar a registrar movimentos de valorização, influenciando diretamente a formação dos preços no mercado brasileiro nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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