Milho oscila entre regiões produtoras, enquanto Chicago e B3 avançam com demanda aquecida e clima nos EUA
Mercado do milho vive momento de transição entre o avanço da segunda safra no Brasil e a valorização dos contratos futuros impulsionada pela demanda internacional e pelo clima quente nos Estados Unidos.
Publicado em: 20/07/2026 às 12:05hs
O mercado brasileiro de milho iniciou a semana com cenários distintos entre as principais regiões produtoras. Enquanto algumas praças registraram alta nas cotações devido à oferta restrita e ao ritmo ainda lento da colheita da segunda safra, outras apresentaram recuos com o avanço das atividades no campo. No mercado internacional, os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) dispararam, sustentados pelo aumento das exportações norte-americanas e pelas preocupações com o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Preços do milho variam conforme o avanço da colheita
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o mercado físico brasileiro segue dividido entre regiões com maior pressão de oferta e localidades onde a disponibilidade do cereal ainda permanece limitada.
Segundo os pesquisadores, a retração de vendedores em algumas praças, especialmente em São Paulo, contribuiu para a sustentação dos preços. Muitos produtores optam por adiar as negociações, aguardando maior avanço da colheita da segunda safra para comercializar volumes mais expressivos.
Por outro lado, nas regiões onde a colheita avança de forma mais acelerada, o aumento da oferta tem pressionado as cotações, refletindo um movimento típico desta fase da safra.
Compradores mantêm estratégia de recomposição dos estoques
Do lado da demanda, o comportamento também segue heterogêneo.
Parte dos consumidores permanece acompanhando o mercado em busca de oportunidades de compra, enquanto indústrias e cooperativas atuaram de forma mais intensa no início da semana anterior, oferecendo preços firmes para garantir níveis confortáveis de abastecimento.
Mesmo assim, o mercado trabalha com expectativa de maior disponibilidade do cereal nas próximas semanas, cenário que poderá limitar novas altas no mercado interno caso a entrada da safra se intensifique.
Chicago dispara com exportações dos EUA e preocupação climática
No cenário internacional, os contratos futuros do milho abriram a semana em forte valorização na Bolsa de Chicago.
O movimento foi impulsionado principalmente pela retomada das compras internacionais de grãos norte-americanos e pelas condições climáticas adversas em importantes áreas produtoras dos Estados Unidos.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram novas vendas expressivas de commodities agrícolas, incluindo negócios com China, México e outros destinos, reforçando o bom desempenho das exportações norte-americanas.
Além disso, as vendas acumuladas de milho da safra comercial dos EUA já superam em cerca de 24% o volume registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Outro fator de sustentação dos preços é a onda de calor que atinge parte do cinturão agrícola americano. Previsões meteorológicas indicam temperaturas superiores a 37°C em diversas áreas produtoras do Meio-Oeste, elevando as preocupações quanto ao desenvolvimento das lavouras durante uma fase importante do ciclo produtivo.
B3 acompanha o mercado externo
O mercado futuro brasileiro também iniciou o pregão em alta na B3, acompanhando o cenário positivo observado em Chicago.
Os principais contratos registraram valorização moderada, refletindo tanto o avanço das cotações internacionais quanto a cautela dos agentes diante do comportamento da oferta doméstica nas próximas semanas.
Apesar do movimento positivo nos contratos futuros, analistas avaliam que a evolução da colheita da segunda safra continuará sendo o principal fator para a formação dos preços internos no curto prazo.
Mercado segue atento à evolução da safra
O mercado de milho entra em uma fase decisiva para definição dos preços. De um lado, o avanço da colheita da segunda safra tende a ampliar a oferta nacional, exercendo pressão sobre as cotações. De outro, o cenário internacional permanece favorável, sustentado pela forte demanda pelas exportações norte-americanas e pelas incertezas climáticas nos Estados Unidos.
Enquanto compradores aguardam maior disponibilidade do cereal para negociar em condições mais favoráveis, produtores mantêm postura cautelosa, buscando melhores oportunidades de comercialização à medida que a colheita avança. Esse equilíbrio entre oferta doméstica, demanda internacional e condições climáticas deverá continuar ditando o comportamento do mercado nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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