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Milho e Sorgo

Milho ganha sustentação no mercado com baixa oferta, cautela nas negociações e perspectiva altista para os preços

Mercado físico mantém cotações firmes durante a colheita da segunda safra, enquanto estoques globais apertados, demanda aquecida e cenário climático reforçam expectativa de valorização do cereal.


Publicado em: 13/07/2026 às 11:10hs

Milho ganha sustentação no mercado com baixa oferta, cautela nas negociações e perspectiva altista para os preços
Foto: Christophe Maertens/Unsplash

O mercado brasileiro de milho iniciou a semana sustentado por preços firmes, mesmo em pleno período de colheita da segunda safra. A combinação entre baixa liquidez no mercado físico, oferta momentaneamente restrita, valorização das cotações internacionais e expectativa de redução dos estoques globais tem limitado quedas e reforçado um cenário considerado positivo para o cereal no médio prazo.

Levantamentos do Cepea mostram que as cotações seguem firmes na maior parte das regiões produtoras. A comercialização continua lenta porque muitos produtores priorizam os trabalhos de campo e aguardam melhores oportunidades para negociar, enquanto compradores permanecem cautelosos à espera do avanço da colheita e de maior disponibilidade do produto.

Baixa liquidez mantém preços sustentados

Embora historicamente o período de colheita pressione os preços, pesquisadores do Cepea destacam que as condições climáticas reduziram temporariamente a oferta disponível no mercado.

Além disso, a colheita da segunda safra avança em ritmo semelhante ao observado no ano passado, porém ainda abaixo da média registrada nas últimas cinco temporadas. Esse cenário limita a entrada de grandes volumes no mercado e contribui para sustentar as cotações.

Outro fator relevante é o desempenho da soja. A valorização da oleaginosa levou muitos agricultores a priorizar sua comercialização, adiando negociações com o milho e reduzindo ainda mais a liquidez do mercado spot.

Para as próximas semanas, a expectativa é de avanço mais acelerado da colheita, favorecido pela previsão de menor volume de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste. Com isso, os produtores deverão ter estimativas mais precisas de produtividade após os impactos provocados por geadas no Paraná, seca em Goiás e condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras em Mato Grosso.

Estoques globais menores fortalecem perspectiva de alta

Além dos fundamentos internos, o mercado acompanha um ambiente internacional considerado construtivo para os preços.

Segundo análise da TF Agroeconômica, a redução dos estoques finais dos Estados Unidos e do mercado global, combinada com uma demanda internacional consistente, tende a limitar movimentos mais intensos de baixa, mesmo diante da maior produção brasileira na segunda safra.

O cenário de médio prazo permanece altista, exigindo estratégias comerciais mais criteriosas por parte dos agentes da cadeia produtiva.

Consultoria recomenda comercialização escalonada

Diante desse ambiente, a TF Agroeconômica orienta que produtores realizem vendas graduais, aproveitando momentos de recuperação dos preços sem comprometer toda a produção de uma única vez.

A recomendação também inclui a utilização de operações de hedge na B3 para proteção das margens, preservando parte dos estoques para capturar possíveis valorizações caso ocorram problemas climáticos nas lavouras norte-americanas durante o desenvolvimento da safra.

Para as cooperativas, a estratégia passa por intensificar a originação nos momentos de maior interesse de venda dos produtores, acompanhar diariamente os prêmios de exportação e antecipar a fixação de volumes destinados ao mercado externo.

As cerealistas, por sua vez, são orientadas a manter compras escalonadas, evitando posições físicas excessivamente longas e monitorando oportunidades de arbitragem entre mercado interno e exportação.

Já a indústria de rações deve ampliar gradualmente sua cobertura de matéria-prima, aproveitando eventuais momentos de realização de lucros nos contratos futuros para alongar suas compras.

Mercado físico registra negociações pontuais

Apesar da sustentação dos preços, a última semana foi marcada por reduzida liquidez no mercado físico brasileiro.

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros encerraram a sexta-feira em leve baixa, pressionados principalmente pela valorização do real frente ao dólar. Ainda assim, os vencimentos acumularam ganhos na semana.

O contrato com vencimento em julho de 2026 fechou cotado a R$ 64,73 por saca, recuando apenas R$ 0,04 no dia, mas acumulando valorização semanal de R$ 0,33. O vencimento de setembro encerrou a R$ 67,35, enquanto novembro terminou negociado a R$ 70,76.

No acumulado semanal, a Média Cepea avançou 0,72%. No mesmo período, o dólar registrou queda de 1,15%, os contratos futuros de milho na B3 subiram 0,52% e a Bolsa de Chicago acumulou valorização de 3,90% para o contrato de setembro.

Situação do mercado nas principais regiões produtoras

No Rio Grande do Sul, o mercado continua operando com poucos negócios, enquanto os preços variam entre R$ 56 e R$ 64 por saca, com média estadual próxima de R$ 58,88. A demanda da pecuária leiteira, especialmente para produção de silagem, segue contribuindo para a sustentação do consumo interno.

Em Santa Catarina, permanece o impasse entre vendedores, que pedem cerca de R$ 65 por saca, e compradores, cujas ofertas giram em torno de R$ 60, reduzindo o volume de negociações.

No Paraná, as indicações de venda permanecem próximas de R$ 60 por saca, enquanto compradores trabalham ao redor de R$ 55 CIF. A colheita alcançou aproximadamente 10% da área cultivada, mas o excesso de chuvas nas regiões Oeste e Sudoeste continua dificultando os trabalhos no campo e afetando parte da qualidade dos grãos.

Em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 48,67 e R$ 50,20 por saca. Embora o avanço da colheita aumente gradualmente a disponibilidade do cereal, compradores seguem defensivos. Em contrapartida, a demanda da indústria de bioenergia continua oferecendo importante suporte ao mercado regional.

Mercado acompanha clima, colheita e exportações

Nos próximos dias, as atenções permanecem voltadas para a evolução da colheita da segunda safra, o comportamento climático nas principais regiões produtoras, o desempenho das exportações brasileiras e as condições das lavouras nos Estados Unidos.

Caso persistam os estoques globais mais ajustados e a demanda internacional permaneça aquecida, o mercado brasileiro deverá continuar encontrando sustentação, mesmo com o avanço da oferta da safrinha, mantendo um ambiente favorável para estratégias de comercialização planejadas e escalonadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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