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Milho e Sorgo

Mercado do milho mantém estabilidade no Brasil com colheita da safrinha atrasada e produtores segurando vendas

Cotações seguem próximas da estabilidade diante do avanço irregular da segunda safra, limitações logísticas e expectativa de melhores preços nos próximos meses


Publicado em: 07/08/2026 às 17:00hs

Mercado do milho mantém estabilidade no Brasil com colheita da safrinha atrasada e produtores segurando vendas
Foto: CNA

O mercado brasileiro de milho registrou poucas alterações nas cotações durante a semana, com compradores e vendedores adotando uma postura mais cautelosa diante da evolução da colheita da safrinha 2026. O ritmo lento dos trabalhos, provocado por condições climáticas adversas em algumas regiões, e a retenção de parte da produção pelos agricultores têm limitado a pressão baixista tradicionalmente observada durante a entrada da segunda safra.

Apesar da chegada de um grande volume de milho ao mercado, a combinação entre atraso na colheita, dificuldades de armazenagem e menor disponibilidade imediata de produto tem mantido os preços relativamente firmes em diferentes praças brasileiras.

Colheita da safrinha influencia comportamento dos preços

Segundo análise da Safras & Mercado, algumas regiões registraram avanço nos trabalhos de campo, enquanto outras enfrentaram interrupções devido às chuvas, dificultando o fluxo da colheita e o recebimento nos armazéns.

Para o analista Paulo Molinari, o cenário atual envolve fatores de pressão e sustentação sobre as cotações. De um lado, a entrada da safrinha tende naturalmente a aumentar a oferta e limitar movimentos de alta. Por outro, produtores têm reduzido o ritmo das vendas na expectativa de preços mais atrativos no final do ano.

“Entre os atrasos de colheita, recebimento nos armazéns e volume de contratos a termo negociados, temos uma situação em que alguns comerciantes e cooperativas enfrentam dificuldades logísticas. Isso eleva os preços de balcão para estimular a fixação pelo produtor e garantir maior disponibilidade de volume para atender contratos”, explica Molinari.

Oferta elevada limita espaço para altas

Mesmo com a sustentação momentânea dos preços, o mercado enfrenta desafios para movimentos mais expressivos de valorização.

De acordo com o analista, cerca de 100 milhões de toneladas de milho chegam ao mercado neste período, criando limitações de espaço físico, capacidade de armazenamento e liquidez para absorção de todo o volume.

Além disso, em algumas regiões, produtores realizam vendas para entrega imediata e pagamento mais curto, movimento que reduz a possibilidade de avanço das cotações.

A estratégia de armazenar parte da produção em silos próprios ou bolsas plásticas para comercialização futura tem sido adotada por agricultores que buscam escapar dos preços considerados pouco remuneradores durante a colheita.

No entanto, Molinari alerta que essa decisão poderá gerar nova pressão de venda mais adiante, especialmente com a necessidade de liberar espaços de armazenagem e reforçar o caixa no encerramento do ano.

Preços do milho apresentam pequenas oscilações nas principais regiões

Entre as quintas-feiras de 30 de julho e 6 de agosto, os preços do milho permaneceram praticamente estáveis nas principais praças acompanhadas.

Confira o comportamento do mercado:

  • Cascavel (PR): preço estável em R$ 61,00 por saca;
  • Campinas/CIF (SP): recuo de R$ 67,50 para R$ 67,00 por saca, queda de 0,7%;
  • Mogiana Paulista (SP): estabilidade em R$ 62,00 por saca;
  • Rondonópolis (MT): manutenção em R$ 56,00 por saca;
  • Erechim (RS): alta de R$ 69,00 para R$ 70,00 por saca, avanço de 1,45%;
  • Uberlândia (MG): queda de R$ 61,00 para R$ 60,00 por saca, retração de 1,6%;
  • Rio Verde (GO): valorização de R$ 57,00 para R$ 58,00 por saca, alta de 1,75%.
  • Nos portos, os preços também permaneceram sem grandes alterações:
  • Porto de Paranaguá (PR): estabilidade em R$ 68,00 por saca;
  • Porto de Santos (SP): cotação mantida em R$ 70,00 por saca.
USDA projeta produção brasileira de milho próxima de 139 milhões de toneladas

As perspectivas para a próxima temporada indicam manutenção de uma produção elevada no Brasil.

Segundo o relatório Gain Report, elaborado por adidos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil deverá produzir aproximadamente 139 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27.

O volume projetado fica levemente abaixo da estimativa de 139,5 milhões de toneladas para a temporada 2025/26.

A área cultivada deve alcançar cerca de 23 milhões de hectares, acima dos 22,8 milhões de hectares previstos na safra anterior.

Consumo interno e exportações devem crescer

O USDA estima que o consumo brasileiro de milho alcance 100 milhões de toneladas na safra 2026/27, superando a previsão de 97 milhões de toneladas para 2025/26.

Já as exportações brasileiras foram projetadas em 43 milhões de toneladas, indicando perspectiva positiva para a participação do país no mercado internacional.

Com oferta elevada, demanda crescente e desafios logísticos durante a entrada da safrinha, o mercado brasileiro de milho deve continuar atento ao ritmo da comercialização, ao comportamento dos produtores e às oportunidades de venda nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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