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Milho e Sorgo

Mercado de milho segue travado no Brasil enquanto Chicago avança com clima nos EUA e tensões no Oriente Médio

Negociações no mercado físico permanecem lentas com avanço da colheita da safrinha, enquanto Bolsa de Chicago sobe impulsionada pelo risco climático nos Estados Unidos, valorização do petróleo e cenário geopolítico.


Publicado em: 22/07/2026 às 11:10hs

Mercado de milho segue travado no Brasil enquanto Chicago avança com clima nos EUA e tensões no Oriente Médio

O mercado brasileiro de milho mantém ritmo lento de comercialização, refletindo a cautela de produtores e compradores diante do avanço da colheita da segunda safra. A expectativa de maior oferta nas próximas semanas, somada aos ajustes nos contratos futuros da B3, limita novos negócios no mercado físico. No cenário internacional, porém, os preços registram alta na Bolsa de Chicago (CBOT), sustentados pelas preocupações com o clima no cinturão produtor dos Estados Unidos e pela escalada das tensões no Oriente Médio, fatores que também impulsionam o petróleo.

Além disso, o dólar voltou a operar em leve alta frente ao real, enquanto as bolsas internacionais registram desempenho positivo, compondo um ambiente de maior atenção para os mercados agrícolas.

Mercado físico de milho segue com liquidez reduzida

De acordo com analistas do mercado, a comercialização continua restrita em praticamente todas as regiões produtoras. A chegada gradual da safrinha aumenta a oferta disponível, pressionando as cotações, mas produtores seguem cautelosos nas vendas, aguardando melhores oportunidades.

Segundo análise de Safras & Mercado, o Mato Grosso apresentou maior movimentação comercial, enquanto nas demais regiões prevaleceram negociações pontuais e destinadas principalmente à reposição imediata.

As principais referências do mercado físico foram:

  • Porto de Santos (CIF): R$ 66,00 a R$ 69,00/saca;
  • Porto de Paranaguá: R$ 65,00 a R$ 68,00/saca;
  • Cascavel (PR): R$ 56,00 a R$ 59,00/saca;
  • Mogiana (SP): R$ 59,00 a R$ 60,00/saca;
  • Campinas (SP - CIF): R$ 66,00 a R$ 67,00/saca;
  • Erechim (RS): R$ 66,00 a R$ 68,00/saca;
  • Uberlândia (MG): R$ 58,00 a R$ 60,00/saca;
  • Rio Verde (GO - CIF): R$ 54,00 a R$ 55,00/saca;
  • Rondonópolis (MT): R$ 54,00 a R$ 56,00/saca.
B3 registra ajustes negativos nos contratos futuros

Enquanto o mercado físico segue travado, os contratos futuros do milho negociados na B3 encerraram a sessão com leves perdas, refletindo ajustes técnicos e a expectativa de maior convergência entre os preços futuros e os indicadores do mercado disponível.

Segundo a TF Agroeconômica, a diferença entre a média do Cepea e os contratos futuros, aliada ao comportamento do câmbio, favoreceu um movimento corretivo.

Os principais vencimentos fecharam em:

  • Setembro/2026: R$ 69,17 por saca (-R$ 0,26 no dia);
  • Novembro/2026: R$ 73,47 (-R$ 0,11);
  • Janeiro/2027: R$ 75,73 (-R$ 0,19).

Apesar do ajuste diário, todos os contratos acumulam valorização na comparação semanal.

O mercado também acompanha possíveis oportunidades para ampliar as exportações brasileiras, especialmente diante da forte onda de calor na Europa e das dificuldades logísticas enfrentadas pela Ucrânia, importantes fatores que podem favorecer a demanda internacional pelo milho brasileiro.

Colheita da safrinha influencia preços nas regiões produtoras

O avanço da colheita continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre os preços internos.

No Paraná, a segunda safra alcançou cerca de 16% da área, mas o excesso de umidade ainda reduz o ritmo das operações de campo.

Em Mato Grosso do Sul, aproximadamente 17% da safra já foi colhida. A demanda da indústria de etanol de milho ajuda a absorver parte da produção, reduzindo uma pressão ainda maior sobre as cotações.

No Rio Grande do Sul, a oferta permanece limitada pela postura cautelosa dos produtores, enquanto a demanda da pecuária sustenta parte dos negócios. Em Santa Catarina, a diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e as ofertas dos compradores continua dificultando novas negociações.

Chicago sobe com clima nos Estados Unidos e petróleo em alta

No mercado internacional, os contratos futuros do milho operam em alta na Bolsa de Chicago.

O vencimento dezembro é negociado ao redor de US$ 4,81 por bushel, registrando avanço superior a 1%.

O movimento é sustentado principalmente por dois fatores:

  • previsão de temperaturas elevadas e chuvas irregulares no Meio-Oeste americano durante uma fase decisiva do desenvolvimento das lavouras;
  • valorização do petróleo, impulsionada pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pelas mudanças nas rotas marítimas no Mar Vermelho.

Apesar da alta, o mercado segue limitado pelas boas condições das lavouras norte-americanas.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que 67% das áreas cultivadas permanecem classificadas entre boas e excelentes, apenas um ponto percentual abaixo da semana anterior e acima das expectativas do mercado. As lavouras consideradas ruins ou muito ruins passaram de 8% para 9%.

Dólar e cenário financeiro permanecem no radar

O mercado cambial também influencia a formação dos preços domésticos.

O dólar comercial opera próximo de R$ 5,08, com leve valorização frente ao real, enquanto o Dollar Index apresenta pequena queda.

Nos mercados internacionais, as bolsas europeias registram ganhos consistentes, refletindo maior apetite ao risco, enquanto as bolsas asiáticas encerraram o pregão sem direção única.

Já o petróleo WTI permanece acima de US$ 87 por barril, reforçando o suporte aos mercados de grãos destinados também à produção de biocombustíveis.

Perspectiva para o mercado de milho

A expectativa dos analistas é de que o mercado brasileiro continue operando com baixa liquidez nos próximos dias. O avanço da colheita da safrinha tende a ampliar a oferta disponível, mas a postura cautelosa dos produtores e a demanda relativamente estável ainda limitam movimentos mais intensos de queda.

No mercado externo, o comportamento do clima nos Estados Unidos continuará sendo o principal direcionador das cotações em Chicago. Caso as previsões de calor intenso e irregularidade das chuvas se confirmem, novas altas poderão ocorrer. Por outro lado, a manutenção das boas condições das lavouras norte-americanas poderá reduzir parte desse prêmio climático nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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