Mercado de milho enfrenta baixa liquidez com avanço da safrinha, pressão da colheita e volatilidade em Chicago
Oferta crescente da segunda safra limita negócios no mercado físico, enquanto Bolsa de Chicago, câmbio, exportações e ritmo da colheita definem a direção dos preços do milho no Brasil.
Publicado em: 14/07/2026 às 10:50hs
O mercado brasileiro de milho iniciou a semana com poucos negócios e tendência de preços pressionados pela intensificação da colheita da segunda safra. A expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas mantém compradores cautelosos e produtores avaliando o melhor momento para comercialização, reduzindo a liquidez em praticamente todas as regiões produtoras.
Ao mesmo tempo, o cenário externo segue influenciando a formação dos preços. Depois de registrar forte valorização na sessão anterior, a Bolsa de Chicago voltou a operar em baixa diante da melhora das condições das lavouras norte-americanas, enquanto o dólar recua frente ao real, reduzindo parte da competitividade das exportações brasileiras.
Avanço da colheita aumenta expectativa de oferta no mercado
Segundo análise da Safras & Mercado, o principal fator de pressão continua sendo o avanço da colheita da safrinha. A previsão de tempo seco em grande parte das regiões produtoras deve acelerar os trabalhos de campo ao longo dos próximos dias, elevando a disponibilidade do cereal.
Com a entrada de maiores volumes no mercado, a tendência é de acomodação das cotações, especialmente nas regiões onde a colheita ganha ritmo.
Apesar disso, a liquidez permanece limitada. Compradores continuam abastecidos no curto prazo e realizam aquisições apenas para reposição imediata, enquanto muitos produtores seguem retraídos, aguardando melhores oportunidades de venda.
Mercado físico registra preços estáveis a mais baixos
As principais praças comerciais operam entre estabilidade e leve queda nas cotações.
Nos portos, os preços permanecem próximos dos seguintes níveis:
- Porto de Santos (CIF): entre R$ 66,00 e R$ 69,00 por saca;
- Porto de Paranaguá: entre R$ 65,50 e R$ 68,00.
Entre os principais estados produtores, o mercado apresenta os seguintes valores:
- Cascavel (PR): R$ 58,00 a R$ 60,00;
- Mogiana (SP): R$ 58,00 a R$ 60,00;
- Campinas (SP/CIF): R$ 65,00 a R$ 66,50;
- Erechim (RS): R$ 66,00 a R$ 68,50;
- Uberlândia (MG): R$ 59,00 a R$ 60,00;
- Rio Verde (GO/CIF): R$ 51,00 a R$ 54,00;
- Rondonópolis (MT): R$ 52,50 a R$ 55,00.
No Rio Grande do Sul, as negociações seguem lentas, com preços variando entre R$ 56 e R$ 64 por saca e média estadual próxima de R$ 58,88.
Em Santa Catarina, as indicações de venda permanecem próximas de R$ 65 por saca, enquanto compradores ofertam valores ao redor de R$ 60.
Colheita segue atrasada em importantes estados produtores
O ritmo da segunda safra ainda apresenta atraso em algumas regiões.
No Paraná, aproximadamente 10% da área havia sido colhida, percentual inferior aos cerca de 30% registrados no mesmo período do ano anterior. A elevada umidade dos grãos continua limitando o avanço das máquinas.
Em Mato Grosso do Sul, a situação também demonstra atraso, com apenas 4% da área colhida, contra 23% observados na mesma época da safra passada.
Esse cenário reduz momentaneamente a disponibilidade física em algumas regiões, contribuindo para evitar quedas mais intensas nas cotações.
B3 mantém preços sustentados apesar da baixa liquidez
Enquanto o mercado físico permanece cauteloso, os contratos futuros negociados na B3 seguem sustentados pelo ambiente internacional e pelas expectativas relacionadas à oferta.
Os principais vencimentos encerraram o último pregão nos seguintes níveis:
- Julho/2026: R$ 64,74 por saca;
- Setembro/2026: R$ 67,79;
- Novembro/2026: R$ 71,14.
De acordo com analistas do mercado, a combinação entre menor disponibilidade imediata, ritmo lento da colheita em algumas regiões e suporte externo continua oferecendo sustentação às cotações futuras.
Exportações de milho continuam abaixo do ritmo de 2025
Os embarques brasileiros seguem mostrando desaceleração.
Nos primeiros oito dias úteis de julho de 2026, o Brasil exportou aproximadamente 519,7 mil toneladas de milho, com média diária de 64,9 mil toneladas, volume cerca de 38,6% inferior ao registrado no mesmo período de julho de 2025.
A menor competitividade dos preços brasileiros no mercado internacional faz com que parte dos produtores priorize a comercialização da soja, enquanto compradores aguardam uma oferta mais abundante do cereal nas próximas semanas.
Chicago recua após melhora das lavouras dos Estados Unidos
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros devolveram parte dos ganhos obtidos anteriormente.
O vencimento setembro/2026 passou a ser negociado próximo de US$ 4,35 por bushel, refletindo principalmente a melhora nas condições das lavouras norte-americanas.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 68% das áreas cultivadas com milho estão classificadas entre boas e excelentes, ligeiramente acima da semana anterior, quando esse índice era de 67%.
A melhora das lavouras reduziu parte das preocupações climáticas que haviam impulsionado os preços durante os últimos pregões.
Dólar em queda e petróleo seguem no radar do mercado
No mercado cambial, o dólar comercial opera em leve baixa frente ao real, fator que reduz parcialmente a competitividade das exportações brasileiras de milho.
Ao mesmo tempo, o petróleo mantém trajetória de alta no mercado internacional, enquanto investidores acompanham o cenário geopolítico global e os indicadores econômicos das principais economias.
Perspectiva para o mercado
A tendência para os próximos dias permanece diretamente ligada ao avanço da colheita da safrinha.
Caso as condições climáticas continuem favoráveis, o aumento da oferta deverá ampliar a pressão sobre os preços no mercado físico. Em contrapartida, oscilações em Chicago, movimentações do dólar e o desempenho das exportações seguirão exercendo influência importante sobre as cotações, especialmente na B3.
Com compradores abastecidos e produtores aguardando melhores oportunidades, o mercado brasileiro de milho deve continuar apresentando baixa liquidez e negociações pontuais no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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