Sorgo forrageiro avança na reforma de canaviais com alta produção de biomassa e proteção do solo
Novo híbrido tolerante a herbicidas pode produzir até 30 toneladas de matéria seca por hectare, reduzir riscos de erosão e favorecer a recuperação das áreas antes do replantio da cana-de-açúcar
Publicado em: 25/08/2026 às 16:30hs
O uso do sorgo forrageiro como planta de cobertura vem ganhando espaço na reforma de canaviais brasileiros. A cultura ajuda a proteger o solo contra a erosão, amplia a produção de palhada e contribui para recompor a matéria orgânica antes do início de um novo ciclo da cana-de-açúcar.
A estratégia é especialmente relevante nas áreas arenosas, mais vulneráveis à perda de solo, água e nutrientes durante o intervalo entre a retirada do canavial antigo e a implantação das novas lavouras.
Para atender a essa demanda, a Advanta Seeds lançou o híbrido ADV 2650 IG para a safra 2026/27. O sorgo forrageiro foi desenvolvido com foco na rápida formação de cobertura e na elevada produção de biomassa, além de apresentar tolerância genética a herbicidas do grupo das imidazolinonas.
Reforma do canavial aumenta exposição do solo
A reforma é uma etapa essencial para renovar as lavouras e sustentar a produtividade da cana-de-açúcar. Durante esse período, entretanto, o solo pode permanecer mais exposto às chuvas intensas, ao escoamento superficial e aos processos erosivos.
O problema tende a ser mais grave em regiões com solos arenosos e baixa capacidade de retenção de água. Sem uma cobertura vegetal adequada, a propriedade pode perder nutrientes, matéria orgânica e parte da camada agricultável.
Segundo Henrique Pepato, engenheiro agrônomo e gerente comercial da Regional Centro-Sul da Advanta, as usinas enfrentam limitações na escolha de plantas de cobertura compatíveis com determinados programas de manejo de herbicidas.
Nesse contexto, o sorgo forrageiro surge como alternativa para ocupar rapidamente a área, proteger a superfície e produzir palhada antes do replantio da cana.
Plantio deve acompanhar o início das chuvas
O sorgo destinado à reforma dos canaviais normalmente é semeado entre setembro e novembro, período de maior ocorrência de chuvas em importantes regiões produtoras.
O planejamento antecipado permite aproveitar melhor a umidade disponível e acelerar o estabelecimento da cobertura vegetal. Quanto mais rápida for a formação da lavoura, menor será o tempo de exposição do solo.
O ADV 2650 IG apresenta desenvolvimento inicial acelerado e elevada produção de matéria verde e seca. Essas características favorecem o fechamento da área e ampliam a quantidade de resíduos vegetais deixados após o manejo.
Produção pode atingir 30 toneladas de matéria seca
Ensaios conduzidos durante a safra 2025/26 em áreas de usinas e fornecedores de cana indicaram potencial produtivo entre 15 e 30 toneladas de matéria seca por hectare.
O desempenho pode variar conforme as condições climáticas, fertilidade, época de plantio, histórico da área e práticas de manejo. Por isso, a definição da população de plantas, da adubação e do momento de dessecação deve considerar as características de cada propriedade.
Como se trata de um sorgo forrageiro, o objetivo principal não é a produção de grãos, mas a geração de biomassa e a formação de uma camada de palhada sobre o solo.
Palhada favorece o próximo ciclo da cana
Depois do manejo do sorgo, os resíduos vegetais permanecem na superfície e continuam protegendo a área até a implantação do novo canavial.
A cobertura reduz o impacto direto das gotas de chuva, limita o escoamento superficial, ajuda a conservar a umidade e dificulta o avanço da erosão. Ao longo do tempo, parte da biomassa entra em decomposição e passa a integrar a matéria orgânica do solo.
Esse processo pode melhorar a infiltração e a retenção de água, favorecer a aeração e reduzir as oscilações de temperatura. As condições mais equilibradas contribuem para o crescimento das raízes da cana no ciclo seguinte.
A decomposição da palhada também libera nutrientes e fornece alimento para os microrganismos, favorecendo a atividade biológica e a estrutura do solo.
Híbrido oferece tolerância às imidazolinonas
O ADV 2650 IG incorpora a tecnologia igrowth, que confere tolerância genética aos herbicidas do grupo das imidazolinonas. A característica amplia as possibilidades de controle das plantas daninhas durante o desenvolvimento do sorgo.
A tecnologia não elimina a necessidade de manejo técnico. O uso dos herbicidas deve respeitar as recomendações de bula, o registro para a cultura, as condições ambientais e as orientações de um profissional habilitado.
A primeira safra comercial do híbrido será a de 2026/27. O material amplia as alternativas disponíveis para usinas e produtores que buscam plantas de cobertura compatíveis com seus programas de manejo.
Sorgo também pode integrar sistemas pecuários
Além da cobertura do solo, o sorgo forrageiro pode ser utilizado em sistemas integrados com a pecuária. A elevada capacidade de rebrota permite considerar o aproveitamento do material na alimentação animal, conforme o planejamento agronômico e nutricional da propriedade.
A dupla aptidão amplia as possibilidades de utilização da área durante a reforma do canavial. O produtor pode combinar a proteção do solo com a produção de forragem, agregando valor ao sistema e diversificando as fontes de receita.
A escolha entre manter toda a biomassa como cobertura ou destinar uma parcela à alimentação animal precisa considerar o nível de proteção necessário, a quantidade de palhada desejada e os objetivos do próximo ciclo da cana.
Menor custo fortalece expansão do sorgo
O sorgo vem ampliando sua presença no Brasil por apresentar, em determinadas condições, custo de produção inferior ao do milho e maior capacidade de adaptação a ambientes com restrição hídrica.
Paralelamente, a demanda pelo grão cresce nos mercados de alimentação animal e biocombustíveis. Essa expansão incentiva o desenvolvimento de híbridos voltados a diferentes finalidades, como produção de grãos, silagem, pastejo e cobertura do solo.
Na reforma de canaviais, o avanço da cultura está ligado principalmente à necessidade de conservar o solo e recuperar a qualidade das áreas produtivas. Com maior oferta de materiais adaptados e tolerantes a herbicidas, o sorgo forrageiro tende a assumir um papel mais relevante na integração entre produtividade, manejo e conservação dos recursos naturais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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