Mato Grosso deve colher safra recorde de 57 milhões de toneladas de milho e reforça liderança nacional
Levantamento do Imea revisa produtividade da safra 2025/26 para cima, supera projeção da Conab e aponta novo recorde histórico de produção de milho em Mato Grosso, mesmo com custos de produção em alta.
Publicado em: 22/07/2026 às 19:40hs
Mato Grosso caminha para consolidar mais uma safra histórica de milho. O mais recente levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) elevou a projeção da safra 2025/26 para 57,06 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde para o Estado e reforçando sua posição como maior produtor de milho do Brasil.
A nova estimativa supera tanto a previsão anterior do instituto quanto os 55 milhões de toneladas divulgados recentemente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Caso o resultado se confirme, a segunda safra de milho (safrinha) voltará a superar, em volume, a produção de soja no Estado, consolidando uma tendência observada nos últimos anos.
Levantamento de campo confirma maior produtividade
A revisão das estimativas é resultado do projeto Imea em Campo, realizado em parceria com a Aprosoja Mato Grosso e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro-MT).
Durante 64 dias, equipes técnicas percorreram 30.829 quilômetros, realizaram 833 avaliações em 82 municípios e analisaram áreas que representam 96,4% da superfície cultivada com milho de segunda safra em Mato Grosso.
As equipes avaliaram indicadores como:
- População de plantas;
- Número de espigas por hectare;
- Quantidade e peso dos grãos;
- Umidade dos grãos;
- Incidência de pragas, doenças e plantas daninhas.
Com base nos dados coletados, o Imea elevou a produtividade média para 128,64 sacas por hectare, crescimento de 6,95% em relação à estimativa inicial.
Enquanto isso, a área cultivada permaneceu em 7,39 milhões de hectares, expansão de 1,83% frente à safra anterior.
Como resultado, a produção estadual foi revisada para 57,06 milhões de toneladas, aumento anual de 2,92%.
Qualidade das lavouras surpreende técnicos
Segundo o analista do Imea, Henrique Eggers, os resultados encontrados em campo ficaram acima das expectativas iniciais.
Antes do início das avaliações, a expectativa era de produtividade próxima de 120 sacas por hectare. Entretanto, as visitas às propriedades revelaram lavouras com maior número de espigas, melhor enchimento de grãos e maior peso por espiga, fatores que sustentaram a revisão positiva dos números.
De acordo com o instituto, o desempenho observado confirma um dos melhores ciclos produtivos já registrados no Estado.
Diferenças regionais marcam a safra
O levantamento também identificou diferenças importantes entre as regiões produtoras.
O excesso de chuvas no início do ciclo provocou atrasos no plantio, principalmente no Sudeste mato-grossense, onde parte significativa das lavouras foi implantada fora da janela considerada ideal.
Na avaliação da qualidade das lavouras:
- O Médio-Norte apresentou a maior concentração de áreas classificadas como excelentes;
- O Centro-Sul registrou o maior percentual de lavouras avaliadas como muito ruins.
Pragas e doenças permanecem sob controle
O estudo mostra que o cenário fitossanitário permanece relativamente favorável, embora existam diferenças entre as regiões.
As menores incidências de pragas foram observadas nas regiões Nordeste e Médio-Norte, enquanto Centro-Sul e Sudeste registraram maior pressão.
Entre as principais ocorrências destacam-se:
- Leptoglossus: presente em 14,41% das áreas avaliadas;
- Spodoptera spp.: identificada em 9,24% das lavouras.
No caso das doenças, o enfezamento foi a ocorrência mais frequente, aparecendo em 2,64% das avaliações.
As menores incidências foram registradas nas regiões Nordeste, Noroeste e Sudeste, enquanto o Oeste apresentou maior número de casos classificados como moderados.
Espigas mais produtivas impulsionam a safra
Outro destaque do levantamento foi o excelente desempenho das espigas.
A população média alcançou 54,4 mil espigas por hectare, com melhores resultados nas regiões Médio-Norte e Noroeste.
Além disso:
- O número médio de grãos por espiga aumentou 4,82% em relação à safra anterior;
- O peso médio dos grãos cresceu 0,80%.
Esses indicadores reforçam o elevado potencial produtivo das lavouras mato-grossenses nesta temporada.
Comercialização avança e produtores já negociam safra futura
O levantamento também atualizou o cenário de comercialização do milho.
Até julho, 51,41% da produção estimada para a safra 2025/26 já havia sido negociada, ao preço médio de R$ 43,10 por saca.
Para a safra 2026/27, as vendas antecipadas já atingem 7,90% da produção prevista, com preço médio de R$ 44,76 por saca, demonstrando que parte dos produtores iniciou o travamento de preços para o próximo ciclo.
Custos de produção seguem pressionando a rentabilidade
Apesar da perspectiva extremamente positiva para a produção, os custos continuam sendo um dos principais desafios para o produtor rural.
Segundo o Imea, o custo total da safra 2026/27 deverá alcançar R$ 7.418,49 por hectare, alta de 10,30% sobre o ciclo anterior.
Já o custeio operacional deverá crescer 14,46%, chegando a R$ 3.799,42 por hectare.
Para o superintendente do instituto, Cleiton Gauer, o aumento da produtividade ajuda a preservar a rentabilidade das propriedades, mas ressalta que o controle dos custos será decisivo para os resultados financeiros.
Além disso, fatores como a valorização internacional das commodities, o aumento da demanda global por grãos, a maior oferta mundial e possíveis impactos climáticos relacionados ao El Niño permanecem no radar do mercado.
Mato Grosso consolida protagonismo no agronegócio brasileiro
Para a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), o levantamento do Imea em Campo tornou-se uma das principais referências para produtores, investidores e agentes do mercado.
Os estudos fornecem informações estratégicas sobre produtividade, sanidade das lavouras, comercialização e custos de produção, contribuindo para o planejamento do setor e reforçando o protagonismo de Mato Grosso como maior polo produtor de milho do Brasil.
Com produtividade recorde, avanço tecnológico e elevado potencial produtivo, o Estado chega à reta final da safra 2025/26 consolidando sua liderança nacional e fortalecendo sua posição entre os maiores fornecedores de milho para os mercados interno e internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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