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Milho e Sorgo

Custo de produção do milho recua em Mato Grosso com queda dos fertilizantes, mas margens seguem pressionadas na safra 2026/27

Redução nos preços de fertilizantes e defensivos alivia o custeio da próxima safra, porém alta das sementes e preços abaixo do custo operacional total mantêm alerta para a rentabilidade do produtor


Publicado em: 23/07/2026 às 18:00hs

Custo de produção do milho recua em Mato Grosso com queda dos fertilizantes, mas margens seguem pressionadas na safra 2026/27

Os custos de produção do milho para a safra 2026/27 em Mato Grosso registraram novo recuo em junho, impulsionados principalmente pela queda nos preços dos fertilizantes e corretivos. Apesar do alívio no custeio, o cenário ainda exige cautela, já que a projeção de preços para a comercialização do cereal permanece insuficiente para cobrir integralmente o Custo Operacional Total (COT), reduzindo as margens do produtor rural.

Os dados são do Projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) em parceria com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), e refletem o comportamento dos principais insumos utilizados na produção de milho no estado.

Fertilizantes ficam mais baratos e reduzem custo da safra

O levantamento aponta que os gastos com fertilizantes e corretivos recuaram 2,38% em junho, chegando a R$ 1.532,66 por hectare.

Segundo o Imea, a redução foi favorecida pela normalização da logística internacional no Oriente Médio, que permitiu a retomada das exportações de fertilizantes e ampliou a oferta no mercado global, melhorando as condições de negociação para os compradores brasileiros.

Apesar da queda, o instituto alerta que o atraso nas compras de insumos por parte dos produtores pode concentrar a demanda nos próximos meses e provocar novas altas nos preços, especialmente durante o período de maior aquisição para a safra.

Defensivos também recuam, enquanto sementes ficam mais caras

Além dos fertilizantes, os defensivos agrícolas apresentaram redução de 0,32%, com custo estimado em R$ 913,04 por hectare.

Na direção oposta, as sementes de milho registraram valorização de 0,95%, alcançando R$ 848,78 por hectare.

Esse aumento limitou uma queda mais significativa do custeio da lavoura, que foi estimado em R$ 3.767,37 por hectare.

Custos operacionais diminuem, mas rentabilidade ainda preocupa

Com a redução nos principais insumos, o Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.493,40 por hectare, queda de 0,63% em relação ao mês anterior.

Já o Custo Operacional Total (COT) ficou em R$ 6.057,70 por hectare, representando retração mensal de 0,60%.

Embora o movimento seja positivo para o planejamento da próxima safra, os indicadores mostram que a rentabilidade continua pressionada diante do comportamento esperado dos preços do milho.

Preço projetado cobre apenas parte dos custos

Considerando a produtividade estimada de 128,64 sacas por hectare, o levantamento indica que o produtor precisará comercializar o milho por pelo menos:

  • R$ 42,70 por saca para cobrir o COE;
  • R$ 47,09 por saca para cobrir integralmente o COT.

Entretanto, o preço médio projetado para a safra 2026/27 é de R$ 44,76 por saca.

Na prática, esse valor permanece acima do ponto de equilíbrio do custo operacional efetivo, mas ainda insuficiente para remunerar todos os custos da atividade, evidenciando margens financeiras mais apertadas para os produtores mato-grossenses.

Mercado seguirá atento ao comportamento dos insumos

A expectativa do setor é que os custos continuem sensíveis às oscilações do mercado internacional de fertilizantes, ao câmbio e à evolução da demanda mundial por matérias-primas agrícolas.

Para o produtor, o momento reforça a importância do planejamento antecipado das compras de insumos, da gestão de custos e da adoção de estratégias de comercialização capazes de proteger a rentabilidade da próxima safra.

Mesmo com o alívio proporcionado pela queda dos fertilizantes, o cenário para o milho em Mato Grosso ainda exige atenção, já que a recuperação das margens dependerá tanto da evolução dos preços do cereal quanto da estabilidade dos custos de produção ao longo do ciclo 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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