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Colheita da safrinha de milho 2026 avança no Centro-Sul, mas segue abaixo da média; umidade dos grãos desacelera trabalhos em Goiás

Levantamento de Safras & Mercado mostra que a colheita alcança 33,6% da área no Centro-Sul. Em Goiás, elevada umidade dos grãos reduz o ritmo da ceifa e produtividade varia entre regiões.


Publicado em: 22/07/2026 às 17:00hs

Colheita da safrinha de milho 2026 avança no Centro-Sul, mas segue abaixo da média; umidade dos grãos desacelera trabalhos em Goiás
Foto: Tony Oliveira

A colheita da segunda safra de milho 2026 segue avançando nas principais regiões produtoras do Brasil, porém em ritmo inferior ao registrado nos últimos anos. Levantamento da Safras & Mercado aponta que, até a última sexta-feira (17), os produtores haviam colhido 33,6% da área cultivada no Centro-Sul, percentual abaixo dos 39,5% registrados no mesmo período da safra passada e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 41,5%.

O atraso está relacionado principalmente às condições climáticas que mantêm elevada a umidade dos grãos em diversas regiões, exigindo cautela dos produtores para preservar a qualidade da produção.

Colheita da safrinha de milho avança de forma desigual entre os estados

Segundo a Safras & Mercado, a segunda safra ocupa uma área estimada em 15,739 milhões de hectares no Centro-Sul do país.

Entre os principais estados produtores, Mato Grosso lidera o avanço da colheita, com 52,7% da área já colhida. Na sequência aparecem Paraná (21,9%), Goiás (16,5%), Mato Grosso do Sul (16,6%), São Paulo (7,8%) e Minas Gerais (5,3%).

Embora o tempo firme favoreça as operações em diversas regiões, a umidade dos grãos continua sendo um dos principais fatores que limitam o ritmo da colheita.

Matopiba também registra atraso em relação à média histórica

Na região do Matopiba — formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — a colheita da safrinha de milho alcançou 31,8% da área cultivada, estimada em 1,341 milhão de hectares.

O avanço ocorre de maneira distinta entre os estados:

  • Bahia: 62,7%
  • Piauí: 38,1%
  • Tocantins: 29,8%
  • Maranhão: 20,7%

No mesmo período de 2025, a colheita já havia atingido 50,6% da área, enquanto a média dos últimos cinco anos para esta época é de 40,1%, evidenciando o atraso da atual temporada.

Umidade dos grãos reduz ritmo da colheita em Goiás

Em Goiás, um dos principais estados produtores de milho segunda safra, o avanço da colheita também ocorre de forma mais lenta.

Na área de atuação da Cooperativa Comigo, que abrange aproximadamente 1,1 milhão de hectares, cerca de 40% da safra já foi colhida. Em Rio Verde, principal polo agrícola da cooperativa, a ceifa alcança aproximadamente 35% dos 400 mil hectares cultivados.

Segundo o departamento técnico da cooperativa, apesar da predominância de tempo seco, as baixas temperaturas registradas durante a noite têm retardado a perda de umidade dos grãos.

As madrugadas com temperaturas entre 15°C e 16°C, combinadas com máximas próximas de 32°C durante o dia, mantêm os grãos acima do ponto ideal para colheita em diversas áreas, fazendo com que muitos produtores aguardem melhores condições antes de intensificar os trabalhos.

Produtividade do milho varia significativamente entre as regiões

A produtividade da safrinha apresenta grande variabilidade dentro da área atendida pela Comigo.

Nas diferentes regiões da cooperativa, os rendimentos variam entre 3.600 e 7.800 quilos por hectare, refletindo as diferenças climáticas e o desempenho das lavouras.

Em Rio Verde, o desempenho tem sido superior à média regional, com produtividade em torno de 6.600 quilos por hectare.

Apesar dos bons resultados observados em algumas propriedades, o cenário estadual indica redução da produtividade em relação à safra anterior.

Produção de milho em Goiás deve cair mesmo com aumento da área plantada

As estimativas da Safras & Mercado indicam que Goiás deverá produzir 11,986 milhões de toneladas de milho safrinha em 2026, volume significativamente inferior às 16,058 milhões de toneladas colhidas em 2025.

A redução ocorre mesmo com o crescimento da área cultivada, que deve avançar 1,2%, passando de 2,392 milhões para 2,421 milhões de hectares.

O principal fator para a queda da produção é a redução da produtividade média, estimada em 4.950 quilos por hectare, abaixo dos 6.712 quilos por hectare registrados na temporada anterior.

Mercado acompanha evolução da colheita e impacto na oferta de milho

Com a colheita avançando abaixo da média histórica, o mercado segue atento ao comportamento climático nas próximas semanas. A velocidade da retirada do milho do campo será determinante para o fluxo de oferta, logística de armazenamento e comercialização da safra.

Além disso, a produtividade final das lavouras deverá influenciar diretamente a disponibilidade do cereal no mercado interno e as exportações brasileiras, fatores que continuarão sendo monitorados por produtores, cooperativas e agentes do agronegócio ao longo do restante da temporada.

Fonte: Portal do Agronegócio

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