Colheita da safrinha avança para 60% e milho se aproxima de piso de preços no mercado brasileiro
Maior oferta da segunda safra pressiona as cotações internas, enquanto cenário internacional com produção elevada nos Estados Unidos e Argentina limita recuperação do milho no curto prazo.
Publicado em: 24/07/2026 às 10:45hs
O avanço da colheita do milho safrinha no Brasil aumenta a disponibilidade do cereal no mercado e mantém a pressão sobre os preços internos. Com aproximadamente 60% da segunda safra já retirada do campo, o mercado começa a sinalizar a aproximação de um possível piso para as cotações, mas sem indicar, por enquanto, espaço para uma recuperação consistente.
A análise é do estrategista de dados para o agronegócio Marcos Rubin, que acompanha o comportamento dos principais mercados regionais de comercialização de milho no país.
Segundo o especialista, os preços spot apresentam trajetória de queda em diversas regiões produtoras, com valores projetados para 2026 abaixo das referências observadas em 2024 e, em muitos casos, também inferiores à média histórica dos últimos cinco anos.
Colheita da segunda safra amplia pressão sobre preços
O avanço dos trabalhos de campo tem reforçado a percepção de maior disponibilidade interna de milho. A expectativa de uma produção robusta na safrinha brasileira mantém os compradores cautelosos e reduz a possibilidade de altas expressivas no curto prazo.
Entre as principais praças que registraram recuo nas cotações estão:
- Sorriso e Primavera do Leste (MT);
- Cascavel (PR);
- Cristalina e Rio Verde (GO);
- Unaí (MG);
- Dourados (MS);
- Campinas (SP).
Apesar das diferenças regionais, o movimento predominante é de baixa, acompanhando o aumento da oferta com a entrada do milho da segunda safra.
Safra brasileira garante abastecimento interno
Mesmo diante de dificuldades pontuais em algumas regiões, especialmente em Goiás, a expectativa é de uma safrinha volumosa, suficiente para atender ao consumo doméstico e manter o mercado abastecido.
O cenário limita uma recuperação mais forte dos preços, já que a relação entre oferta e demanda permanece favorável aos compradores.
Com estoques elevados e entrada progressiva do produto no mercado, produtores e comercializadores acompanham de perto o ritmo das vendas, armazenagem e evolução das exportações.
Mercado internacional também pesa sobre o milho brasileiro
No cenário externo, os fundamentos seguem desafiadores para uma valorização do cereal.
A expectativa de uma grande produção nos Estados Unidos, combinada aos volumes recordes de exportação norte-americanos e argentinos, aumenta a concorrência no comércio global e reduz o espaço para uma reação significativa das cotações brasileiras.
Diferentemente da soja, que encontra suporte em fatores como valorização do petróleo e do óleo de soja, o milho ainda não apresenta estímulos suficientes para sustentar uma tendência firme de alta.
Milho busca estabilidade após período de queda
Com a colheita avançando e a oferta aumentando, o mercado brasileiro de milho se aproxima de uma zona considerada de suporte pelos analistas.
No entanto, a recuperação dos preços dependerá de novos fatores, como ritmo das exportações brasileiras, demanda da indústria de proteína animal, consumo interno e possíveis alterações no cenário internacional.
Até o momento, o excesso de oferta e a competição global mantêm o milho sob pressão, com produtores avaliando estratégias de comercialização diante de um ambiente de preços mais ajustados.
Perspectivas para o mercado de milho
A tendência para as próximas semanas é de acompanhamento do avanço da colheita e da capacidade do mercado em absorver os volumes disponíveis.
Caso a demanda interna e externa ganhe força, o cereal poderá encontrar espaço para estabilização. Porém, com fundamentos ainda amplamente influenciados pela oferta elevada, uma recuperação expressiva dos preços permanece limitada no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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