Tarifa dos EUA derruba exportações de uva brasileira e amplia desafios para o agronegócio
Nova sobretaxa de 25% eleva a tributação total sobre a uva para 35%, reduz competitividade no mercado norte-americano e reforça a necessidade de diversificação das exportações brasileiras.
Publicado em: 23/07/2026 às 10:40hs
A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em vigor desde 22 de julho, voltou a gerar preocupação entre exportadores do agronegócio. Entre os produtos diretamente afetados está a uva brasileira, que passa a enfrentar uma tributação total de 35% para entrar no mercado norte-americano, comprometendo ainda mais sua competitividade.
O impacto já pode ser observado nas estatísticas de comércio exterior. Depois da primeira rodada de tarifas aplicada em 2025, a participação dos Estados Unidos nas compras da uva brasileira caiu de forma significativa. No primeiro semestre de 2025, o país respondeu por 15% das exportações brasileiras da fruta. No mesmo período de 2026, essa participação recuou para apenas 5%, evidenciando a perda de espaço no mercado internacional.
Exportações de uva para os Estados Unidos registram forte retração
Dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a queda nas exportações vem ocorrendo desde o segundo semestre do ano passado, quando o governo norte-americano adotou as primeiras medidas tarifárias sobre produtos brasileiros.
Mesmo após a retirada da sobretaxa anterior, o fluxo comercial não voltou aos níveis históricos.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou apenas 415,4 toneladas de uva para os Estados Unidos, volume muito inferior às 1,6 mil toneladas embarcadas no mesmo período do ano anterior.
Em uma análise histórica, a participação norte-americana também vem diminuindo:
- 2023: os EUA compraram 27% das uvas brasileiras exportadas (72,2 mil toneladas);
- 2024: a participação caiu para 23%, com exportações totais de 58,9 mil toneladas;
- 2025: a retração se intensificou após o início das medidas tarifárias;
- 2026: a participação dos EUA caiu para apenas 5% das exportações da fruta no primeiro semestre.
Nova tarifa reduz competitividade da fruta brasileira
Especialistas avaliam que o novo aumento tarifário cria um ambiente de maior insegurança para os exportadores.
Segundo Hugo Centurion, head da Ascenza Brasil, a crescente instabilidade regulatória reforça a importância de ampliar mercados e reduzir a dependência de um único destino comercial.
Entre as principais estratégias apontadas pelo setor estão:
- Diversificação dos mercados compradores;
- Ampliação das exportações para Europa e Canadá;
- Abertura de novos mercados na Ásia, Oriente Médio e América do Sul;
- Investimentos em certificações internacionais;
- Fortalecimento da rastreabilidade da produção;
- Oferta de frutas voltadas ao segmento premium.
Outras frutas também foram atingidas
Além da uva, o novo pacote tarifário norte-americano também inclui produtos como melão e melancia, ambos sujeitos à sobretaxa de 25%.
Entretanto, o impacto tende a ser menor para essas culturas, já que os Estados Unidos representam uma pequena parcela das exportações brasileiras.
Em 2025:
- Os EUA compraram apenas 0,8% do melão exportado pelo Brasil;
- A participação na melancia ficou em 1%.
Os principais destinos dessas frutas permanecem concentrados na Europa, especialmente Países Baixos, Espanha e Reino Unido, além do Canadá e da Argentina.
CNA alerta para impactos sobre parte das exportações do agro
Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), aproximadamente 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro serão afetadas pela nova tarifa adicional.
Por outro lado, 63,5% dos produtos agropecuários brasileiros ficaram fora da lista, preservando importantes cadeias exportadoras.
Entre os produtos sujeitos à nova tarifa estão:
- Uvas;
- Açúcar;
- Arroz;
- Madeira;
- Ovos;
- Outros itens específicos da pauta agroexportadora.
A entidade considera que a medida reduz a competitividade dos produtos brasileiros e defende a continuidade das negociações diplomáticas para preservar o comércio bilateral.
Café, carne bovina e suco de laranja permanecem isentos
Uma parte importante da pauta exportadora brasileira permaneceu fora da nova rodada tarifária.
Entre os produtos isentos estão:
- Café verde e café solúvel;
- Carne bovina;
- Suco de laranja;
- Laranja in natura;
- Diversas frutas;
Produtos considerados estratégicos para o abastecimento da indústria norte-americana.
Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), esses produtos foram excluídos porque possuem importância para a economia norte-americana e não contam com oferta doméstica suficiente para atender à demanda.
Agronegócio brasileiro exporta mais de US$ 11 bilhões para os EUA
Mesmo sem ocupar a liderança entre os destinos das exportações brasileiras, os Estados Unidos continuam sendo um mercado estratégico para o agronegócio nacional.
Dados do MDIC mostram que, em 2025, o Brasil embarcou aproximadamente US$ 11,4 bilhões em produtos agropecuários para o mercado norte-americano.
Entre os principais itens exportados destacam-se:
- Café;
- Produtos florestais;
- Carnes;
- Suco de laranja;
- Açúcar;
- Frutas;
- Tabaco.
Os Estados Unidos permanecem entre os três maiores compradores do agronegócio brasileiro, ao lado da China e da União Europeia.
Diversificação de mercados ganha força entre exportadores
Após o primeiro ciclo de tarifas comerciais, empresas exportadoras intensificaram ações para reduzir a dependência do mercado norte-americano.
Entre as iniciativas adotadas estão a ampliação das vendas para Europa e Canadá, prospecção de novos compradores na Ásia e Oriente Médio, negociação de contratos de longo prazo e investimentos em mercados de maior valor agregado.
Segundo especialistas do setor, embora as tarifas aumentem os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos, a estratégia de diversificação permitiu redirecionar parte dos embarques e evitar uma queda ainda mais acentuada das exportações.
O cenário reforça que acompanhar as mudanças nas políticas comerciais internacionais e ampliar a presença em novos mercados continuará sendo uma das principais estratégias para preservar a competitividade do agronegócio brasileiro diante do aumento das barreiras tarifárias globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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