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Fruticultura e Horticultura

Safra global de cacau 2026/27 terá superávit apertado, enquanto El Niño ameaça oferta

Hedgepoint e StoneX projetam excedente limitado diante da queda da produção na África Ocidental; no Brasil, colheita pode alcançar até 215 mil toneladas


Publicado em: 26/08/2026 às 10:40hs

Safra global de cacau 2026/27 terá superávit apertado, enquanto El Niño ameaça oferta

A safra global de cacau 2026/27 deverá registrar um superávit restrito, mantendo o mercado internacional vulnerável a oscilações de preços e possíveis desequilíbrios no abastecimento. As projeções da Hedgepoint Global Markets e da StoneX indicam que a recuperação observada no ciclo anterior pode perder força diante dos problemas produtivos na África Ocidental e do risco crescente de um El Niño intenso.

Embora as duas consultorias trabalhem com excedente mundial, as estimativas apresentam diferenças relevantes. A Hedgepoint calcula um superávit de 111 mil toneladas, enquanto a StoneX adota uma perspectiva mais conservadora e projeta apenas 25 mil toneladas.

Produção mundial de cacau pode recuar

Segundo a Hedgepoint, a produção combinada deverá diminuir aproximadamente 2% na temporada 2026/27, ao mesmo tempo que a moagem industrial poderá avançar 2,5%.

A StoneX prevê uma retração mais acentuada, de 6,2%, levando a produção mundial de cacau para 4,83 milhões de toneladas. O consumo global, por sua vez, pode crescer 2%, alcançando 4,75 milhões de toneladas.

Esse estreitamento entre oferta e demanda reduz a margem de segurança do mercado. Qualquer problema climático adicional nas principais regiões produtoras poderá alterar rapidamente o balanço global da commodity.

Costa do Marfim enfrenta excesso de chuva e baixa frutificação

A África Ocidental, responsável pela maior parcela da oferta mundial de cacau, concentra as principais preocupações para a próxima temporada. As lavouras enfrentam adversidades climáticas, baixa produtividade e limitações estruturais.

Na Costa do Marfim, maior produtor mundial, a Hedgepoint estima uma colheita de 1,801 milhão de toneladas em 2026/27. A projeção considera taxas de frutificação abaixo da média.

A StoneX calcula uma produção ligeiramente menor, de 1,775 milhão de toneladas. Segundo a consultoria, o excesso de chuvas e o encharcamento dos solos registrados em meados de 2026 comprometeram o desenvolvimento das plantações.

A suspensão temporária de novas vendas antecipadas pelo órgão regulador marfinense também reforçou as dúvidas sobre o real potencial produtivo do país.

Produção de cacau em Gana pode cair 8%

O cenário também inspira cautela em Gana. A Hedgepoint prevê redução de 8% na produção, para 595 mil toneladas, em razão das irregularidades climáticas e da contagem de frutos abaixo do padrão.

A StoneX trabalha com uma estimativa ainda menor, de 585 mil toneladas. O resultado evidencia as dificuldades para uma recuperação mais consistente da produção ganesa.

Na Nigéria, as previsões apresentam maior diferença. A Hedgepoint estima uma safra próxima de 290 mil toneladas, enquanto a StoneX aponta para 335 mil toneladas.

Para Camarões, as projeções ficam entre 285 mil e 290 mil toneladas. Apesar dos incentivos realizados nos últimos anos, as condições adversas na região ainda limitam ganhos mais expressivos de produtividade.

Equador mantém produção próxima de 600 mil toneladas

Fora da África, o Equador deverá continuar desempenhando papel importante no abastecimento mundial. As duas consultorias projetam uma produção em torno de 600 mil toneladas.

A resiliência das lavouras equatorianas está relacionada aos investimentos em tecnologia, produtividade e ampliação da capacidade de produção. Esses fatores ajudam o país a consolidar sua posição entre as principais origens globais de cacau.

Peru e Indonésia também apresentam perspectivas de crescimento moderado. A StoneX estima a produção peruana em 205 mil toneladas, enquanto a Hedgepoint destaca a expansão gradual da área cultivada na Indonésia.

Safra brasileira de cacau pode chegar a 215 mil toneladas

No Brasil, a Hedgepoint avalia que a produção de cacau permanecerá relativamente estável durante o ciclo 2026/27. Já a StoneX projeta uma colheita entre 210 mil e 215 mil toneladas.

Os investimentos em tecnologia, manejo e produtividade devem ajudar a compensar riscos climáticos pontuais, principalmente nas áreas produtoras da Bahia. Ainda assim, o comportamento do clima será decisivo para a confirmação das estimativas.

El Niño forte amplia riscos para o mercado de cacau

A possível consolidação de um El Niño forte ou muito forte representa o principal fator de risco para a safra global de cacau 2026/27.

Dados meteorológicos apresentados pela StoneX indicam probabilidade de 81% de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Estudos citados pela consultoria mostram que episódios dessa magnitude podem reduzir a produção mundial de cacau em aproximadamente 1,7%, em média.

Os impactos podem variar entre as regiões produtoras, mas alterações no regime de chuvas e nas temperaturas tendem a afetar a floração, a frutificação e o desenvolvimento das amêndoas.

Recuperação da moagem pode apertar balanço global

No lado da demanda, Hedgepoint e StoneX identificam sinais graduais de recuperação do processamento industrial. A normalização dos custos dos subprodutos começa a favorecer a moagem, embora as margens das indústrias de chocolate e derivados ainda permaneçam pressionadas.

Com a perspectiva de aumento do consumo e produção mais fraca em importantes países africanos, o superávit projetado para 2026/27 poderá ser rapidamente absorvido. Nesse cenário, o mercado de cacau deverá continuar sensível às condições climáticas, aos resultados das safras e às decisões comerciais dos principais países produtores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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