Brasil mira expansão do comércio com países árabes além de alimentos e fertilizantes
Itamaraty defende maior aproximação entre governos e empresas para diversificar uma corrente comercial de US$ 31 bilhões, com oportunidades em energia, tecnologia, aeronaves e serviços
Publicado em: 26/08/2026 às 11:45hs
O Brasil pretende ampliar e diversificar suas relações comerciais com os países árabes, atualmente concentradas em alimentos, fertilizantes, hidrocarbonetos e derivados. A corrente de comércio entre exportações e importações alcança US$ 31 bilhões, mas o Ministério das Relações Exteriores avalia que existe espaço para resultados mais ambiciosos.
A estratégia foi apresentada por Clélio Nivaldo Crippa Filho, diretor do Departamento de Oriente Médio do Itamaraty, durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, em São Paulo.
Segundo o diplomata, o avanço depende do fortalecimento das relações entre empresários, instituições e governos das duas regiões. O objetivo é aumentar não somente o valor das transações, mas também a variedade e a qualidade dos produtos e serviços comercializados.
Alimentos e fertilizantes sustentam comércio entre Brasil e países árabes
A atual pauta comercial demonstra a complementaridade entre as economias. O Brasil é um fornecedor relevante de alimentos aos países árabes, enquanto importa da região fertilizantes essenciais à produção agropecuária, além de hidrocarbonetos e seus derivados.
Na avaliação do Itamaraty, essa estrutura oferece uma base estratégica para a ampliação do intercâmbio. O comércio pode crescer nos segmentos já consolidados e avançar para mercadorias de maior valor agregado.
A aproximação é especialmente importante para o agronegócio brasileiro. Os mercados árabes representam destinos relevantes para alimentos e proteínas produzidos no país, enquanto o fornecimento de fertilizantes ajuda a sustentar a produtividade das lavouras nacionais.
Energia, tecnologia e aeronaves oferecem novas oportunidades
Além dos alimentos e fertilizantes, o Ministério das Relações Exteriores identifica potencial de expansão nos setores de energia, aeronaves, serviços e tecnologias.
Essas áreas já estão presentes nas relações comerciais, mas poderiam ganhar escala por meio de iniciativas conjuntas entre governos e iniciativa privada. O desafio é transformar a complementaridade econômica em novos negócios, investimentos e parcerias de longo prazo.
A inclusão de produtos industrializados, soluções tecnológicas e serviços especializados também ajudaria a tornar o comércio bilateral mais diversificado e menos dependente de itens básicos.
Relação diplomática favorece expansão dos negócios
Brasil e países árabes mantêm um relacionamento institucional construído ao longo de décadas. Dos 22 integrantes da Liga dos Estados Árabes, 18 possuem representação diplomática no território brasileiro. O Brasil, por sua vez, mantém embaixadas em 18 países do bloco.
O Itamaraty destaca que essa presença diplomática oferece suporte à abertura de mercados, à atração de investimentos e à aproximação entre empresas.
O governo brasileiro também intensificou sua agenda com a região por meio de visitas aos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Egito e à sede da Liga dos Estados Árabes.
Em contrapartida, o Brasil recebeu representantes de alto nível do Egito e dos Emirados Árabes Unidos. A agenda bilateral incluiu ainda visita vice-presidencial à Arábia Saudita e aproximadamente 30 reuniões ministeriais com diferentes países árabes.
Expansão do Brics fortalece aproximação econômica
Outro movimento destacado pelo Itamaraty foi o apoio brasileiro ao ingresso de Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos no Brics.
Na avaliação de Crippa Filho, a presença desses países no grupo amplia os canais de diálogo e pode favorecer novos fluxos de comércio e investimentos. A medida também reforça a aproximação política e econômica entre o Brasil e algumas das principais economias do Oriente Médio.
Estabilidade regional é estratégica para o comércio
Durante o fórum, o representante do Itamaraty também abordou os conflitos no Oriente Médio e defendeu a busca de soluções negociadas. Segundo ele, o Brasil valoriza a atuação dos países árabes favorável à contenção das tensões e à preservação da estabilidade regional.
O diplomata reiterou a posição brasileira em defesa do estabelecimento de um Estado palestino independente e viável, com base nas fronteiras de 1967, além de manifestar preocupação com a situação humanitária em Gaza.
A estabilidade no Oriente Médio tem efeito direto sobre o comércio internacional, especialmente nos mercados de energia, fertilizantes, alimentos e transporte marítimo. Por isso, a diplomacia e a cooperação econômica são consideradas fundamentais para garantir previsibilidade às cadeias de abastecimento e estimular novos investimentos entre Brasil e países árabes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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