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Fruticultura e Horticultura

Safra de laranja deve cair para 255 milhões de caixas e pressiona rentabilidade da citricultura brasileira em 2026/27

Menor produção, demanda internacional enfraquecida, avanço do greening e custos elevados desafiam produtores, enquanto especialistas alertam para novos riscos climáticos com a possibilidade de El Niño.


Publicado em: 10/08/2026 às 10:40hs

Safra de laranja deve cair para 255 milhões de caixas e pressiona rentabilidade da citricultura brasileira em 2026/27

A citricultura brasileira inicia a safra 2026/27 diante de um cenário de maior cautela. Após um ciclo de recuperação produtiva, a expectativa agora é de redução significativa na oferta de laranja, pressionando a rentabilidade do setor e ampliando os desafios para produtores e indústrias.

De acordo com análise da Consultoria Agro Itaú BBA, baseada em estimativas do Fundecitrus, a produção do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro deverá alcançar aproximadamente 255 milhões de caixas, volume cerca de 13% inferior ao registrado na safra anterior, quando foram produzidas 295 milhões de caixas. O resultado permanece abaixo do patamar de aproximadamente 300 milhões de caixas considerado pelo mercado como ideal para recompor estoques e atender confortavelmente à demanda da indústria.

Clima desfavorável e bienalidade reduzem produtividade dos pomares

A retração da produção decorre principalmente do ciclo natural de bienalidade da cultura, após uma safra de alta produtividade em 2025/26. Entretanto, os efeitos climáticos ampliaram ainda mais as perdas.

Durante o desenvolvimento da nova safra, o cinturão citrícola enfrentou períodos de chuvas irregulares, temperaturas elevadas e episódios de ventos intensos justamente nas fases mais importantes do desenvolvimento das plantas. Essas condições comprometeram a florada, o pegamento dos frutos e seu desenvolvimento inicial.

Como consequência, a produtividade média estimada caiu para 697 caixas por hectare, representando redução próxima de 14% em relação ao ciclo anterior.

Exportações crescem pouco apesar da safra maior

Embora a safra 2025/26 tenha registrado aumento expressivo da produção, o desempenho das exportações ficou abaixo das expectativas do setor.

Como aproximadamente 95% do suco de laranja produzido no Brasil é destinado ao mercado externo, o comportamento da demanda internacional exerce influência direta sobre toda a cadeia produtiva.

Na temporada passada, os embarques brasileiros cresceram apenas 3,7%, totalizando cerca de 805 mil toneladas equivalentes de FCOJ (suco concentrado e congelado), com receita próxima de US$ 2,54 bilhões.

Para analistas do Itaú BBA, esse desempenho foi considerado modesto diante de uma produção que avançou aproximadamente 27%, evidenciando desaceleração da demanda mundial pelo produto brasileiro.

União Europeia reduz compras e limita expansão das exportações

O principal fator que restringiu o crescimento das exportações foi o enfraquecimento da demanda da União Europeia.

As vendas para o bloco europeu recuaram 5,8% em relação à safra anterior, somando cerca de 369 mil toneladas, justamente para o principal destino do suco brasileiro.

Em contrapartida, os Estados Unidos ampliaram as importações de suco nacional, impulsionados pela contínua redução da produção na Flórida, principal região produtora norte-americana.

A citricultura americana segue enfrentando dificuldades provocadas pelo greening, furacões recorrentes e diminuição da área cultivada, aumentando a dependência do mercado norte-americano em relação ao fornecimento brasileiro. Essa situação contribuiu para que o suco de laranja permanecesse entre os produtos priorizados nas isenções tarifárias concedidas pelos Estados Unidos nos últimos anos.

Estoques mais elevados reduzem pressão sobre os preços

Outro fator que mudou completamente a dinâmica do mercado foi a recomposição dos estoques industriais.

A combinação entre uma safra maior em 2025/26 e um crescimento limitado das exportações fez com que permanecesse maior volume de produto disponível no mercado interno.

Esse cenário elevou os estoques industriais, especialmente de suco concentrado, reduzindo a necessidade imediata de compra de matéria-prima pelas indústrias no início da nova temporada.

Na prática, mesmo com uma estimativa menor para a safra 2026/27, o mercado não respondeu com altas expressivas nos preços, justamente porque havia uma oferta mais confortável disponível nos estoques de passagem.

Mercado entra em nova fase

Depois de dois anos marcados por forte escassez e preços historicamente elevados, a citricultura brasileira inicia um período de normalização.

O cenário atual deixa de ser sustentado exclusivamente pela oferta reduzida e passa a depender cada vez mais do comportamento da demanda internacional, dos estoques disponíveis e da evolução dos custos de produção.

Ao mesmo tempo, fatores estruturais como o avanço do greening, a eficiência operacional das propriedades e as condições climáticas deverão determinar quais produtores conseguirão preservar margens positivas ao longo da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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