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Açúcar oscila no mercado internacional, mas fecha semana em alta com oferta global no radar

Cotações do açúcar em Nova York e Londres avançaram na sexta-feira, enquanto mercado acompanha riscos climáticos na Índia, produção brasileira e redução da oferta em importantes regiões produtoras


Publicado em: 10/08/2026 às 11:40hs

Açúcar oscila no mercado internacional, mas fecha semana em alta com oferta global no radar

O mercado de açúcar viveu uma semana de forte volatilidade, marcada por um movimento de recuperação nas bolsas internacionais após três semanas consecutivas de queda. As cotações ganharam força na sexta-feira (7), impulsionadas por preocupações com a oferta global e pelos riscos climáticos para a próxima safra.

Em Nova York, o contrato de açúcar bruto para outubro de 2026 fechou a 16,45 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,88 centavo no dia. O vencimento março de 2027 avançou 0,84 centavo, para 17,33 centavos de dólar por libra-peso, enquanto maio de 2027 subiu 0,75 centavo, encerrando a sessão a 17,03 centavos.

Apesar da reação positiva na última sessão, o contrato outubro/26 ainda vinha de uma sequência de três semanas de perdas. Segundo avaliação da StoneX, o mercado permanece pressionado no curto prazo pela oferta elevada, demanda física limitada e aumento das posições vendidas dos fundos.

Açúcar recupera força em Nova York e Londres

O movimento de alta também foi expressivo em Londres. O contrato outubro/26 avançou US$ 16,50 e terminou a sessão a US$ 503,40 por tonelada. O dezembro/26 subiu US$ 16,70, para US$ 503,20, enquanto março/27 ganhou US$ 17,10, encerrando a US$ 504,60 por tonelada.

Com a recuperação, o açúcar bruto negociado em Nova York atingiu o maior nível em aproximadamente dez meses, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou a maior cotação em cerca de 11 meses.

A reação dos preços está relacionada principalmente à percepção de que o balanço mundial pode ficar mais apertado, diante de possíveis perdas produtivas em importantes regiões produtoras.

Mercado interno acompanha alta do açúcar

No Brasil, o movimento positivo também chegou ao mercado físico. O indicador do açúcar cristal branco CEPEA/ESALQ, em São Paulo, registrou R$ 96,02 por saca de 50 quilos, alta de 2,28% no dia.

Com o avanço, o indicador acumulou valorização de 4,94% em agosto, sinalizando recuperação das cotações no início do mês.

A melhora no mercado doméstico ocorre em um cenário de atenção à produção brasileira e ao ritmo de comercialização da commodity.

Centro-Sul mantém mercado no radar

As perspectivas para a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul continuam sendo determinantes para a formação dos preços.

Revisões recentes apontam aumento da moagem de cana na região, mas redução da participação destinada à fabricação de açúcar, com o mix estimado em 46,1%. A produção de açúcar foi projetada em aproximadamente 38,7 milhões de toneladas.

Mesmo com o volume elevado, a dinâmica de produção e exportação brasileira segue sendo acompanhada de perto pelo mercado, principalmente diante das expectativas para o segundo semestre.

Dados de produção também reforçaram a preocupação com a oferta. Em junho, a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 26,3%, para 3,903 milhões de toneladas, aumentando a percepção de aperto no curto prazo.

Índia entra no radar dos investidores

No mercado internacional, a situação climática da Índia ganhou importância.

As previsões indicam possibilidade de chuvas abaixo da média em agosto e setembro, em um cenário de fortalecimento do fenômeno El Niño. Caso o déficit de precipitações persista, o desenvolvimento dos canaviais poderá ser prejudicado e alterar as perspectivas para a próxima temporada.

A Índia é um dos principais produtores mundiais de açúcar, o que faz com que qualquer mudança relevante nas condições climáticas do país tenha potencial para influenciar as expectativas de oferta global.

União Europeia também enfrenta risco de queda na produção

Na União Europeia, as perspectivas também ficaram menos favoráveis.

A produtividade estimada da beterraba açucareira foi reduzida para cerca de 76 toneladas por hectare. Com isso, a expectativa é de queda de aproximadamente 15% na produção do bloco.

A combinação entre possíveis perdas na Europa e riscos climáticos na Índia contribui para limitar o espaço para novas quedas das cotações, mesmo diante de um balanço ainda considerado confortável no curto prazo.

Fundos ampliam posições vendidas

Outro fator importante para o comportamento recente do açúcar é a atuação dos fundos.

Dados do CFTC mostraram aumento da posição líquida vendida dos fundos, movimento que ajudou a pressionar as cotações durante as semanas anteriores.

Além disso, os prêmios do açúcar VHP no porto de Santos voltaram a recuar, sinalizando que a demanda física ainda não é suficiente para absorver toda a oferta disponível para exportação.

Esse cenário explica parte da divergência entre os fundamentos de curto prazo e a reação registrada nas bolsas na sexta-feira.

Balanço global será decisivo para os preços

As estimativas para a safra 2026/27 também passaram por revisões importantes. Consultorias como Covrig Analytics, Green Pool e StoneX reduziram expectativas de excedente ou passaram a trabalhar com déficits mais elevados no mercado mundial.

A mudança nas projeções aumentou a percepção de que o balanço global pode se tornar mais apertado ao longo da temporada.

Assim, o mercado de açúcar passa a equilibrar dois vetores. De um lado, estão a oferta brasileira ainda elevada, a demanda física limitada e as posições vendidas dos fundos. De outro, aparecem os riscos climáticos, a redução das perspectivas produtivas em algumas regiões e a possibilidade de um balanço mundial mais restrito.

O que esperar do mercado de açúcar

A tendência para as próximas semanas deve continuar condicionada principalmente às condições climáticas no Hemisfério Norte, ao desempenho da safra brasileira e ao comportamento dos fundos nas bolsas.

A recuperação registrada na sexta-feira mostra que o mercado permanece sensível às notícias relacionadas à oferta. No entanto, a manutenção de estoques elevados e a demanda física ainda limitada podem restringir a continuidade de uma alta mais consistente.

Para o Brasil, o desempenho do Centro-Sul continuará sendo um dos principais indicadores para a formação dos preços do açúcar, enquanto, no exterior, Índia e União Europeia permanecem no centro das atenções.

Em resumo, o açúcar entra em uma nova fase de disputa entre fundamentos baixistas de curto prazo e riscos de redução da oferta global. A direção das cotações dependerá cada vez mais do clima, da produção brasileira e da evolução das expectativas para a safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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