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Fruticultura e Horticultura

Rio Grande do Norte muda status para cancro cítrico e adota novo sistema de controle da doença

Ministério da Agricultura inclui Estado no Sistema de Mitigação de Risco; produtores terão de reforçar manejo, inspeção, higienização e certificação para comercializar frutas cítricas


Publicado em: 04/09/2026 às 11:15hs

Rio Grande do Norte muda status para cancro cítrico e adota novo sistema de controle da doença

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) alterou o status fitossanitário do Rio Grande do Norte para o cancro cítrico, doença capaz de reduzir a produtividade dos pomares e comprometer a qualidade comercial de laranjas, limões e tangerinas.

Com a mudança, o território potiguar deixou de ser classificado como área sob erradicação e passou a integrar o Sistema de Mitigação de Risco (SMR). O novo enquadramento foi oficializado pela Portaria SDA/Mapa nº 1.680, publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (2).

A norma também revogou a classificação anterior, vigente desde dezembro de 2022. Na prática, o governo federal reconheceu que a eliminação de todos os focos da doença deixou de ser epidemiologicamente viável no Estado.

A estratégia será concentrada no controle da bactéria, na redução dos danos aos pomares e na adoção de medidas destinadas a impedir a disseminação para áreas onde a doença ainda não está presente.

O que muda para os citricultores do Rio Grande do Norte

A entrada do Rio Grande do Norte no Sistema de Mitigação de Risco não representa o fim do combate ao cancro cítrico. O modelo estabelece um conjunto de exigências que deve ser cumprido desde a produção até o transporte dos frutos.

Entre as medidas previstas para as propriedades comerciais que aderirem ao sistema estão:

  • cadastro dos imóveis rurais;
  • inscrição das unidades de produção;
  • realização periódica de inspeções nos pomares;
  • monitoramento da ocorrência da doença;
  • adoção de práticas de controle durante todo o ciclo da cultura;
  • higienização de equipamentos, veículos e materiais;
  • cumprimento das exigências para emissão da certificação fitossanitária.

O objetivo é permitir que a citricultura continue produzindo e comercializando frutas, mesmo em regiões com ocorrência da bactéria, desde que sejam adotados procedimentos capazes de reduzir o risco fitossanitário.

Comercialização para outros estados terá exigências específicas

Os produtores que pretendem enviar laranjas, limões, tangerinas e outros frutos cítricos para fora do Rio Grande do Norte precisarão atender às normas de certificação fitossanitária.

Antes da comercialização interestadual, os frutos deverão passar por inspeção e não poderão apresentar sintomas de cancro cítrico. Também será obrigatório realizar tratamento higienizante após a colheita.

O transporte deverá ocorrer em veículos fechados ou cobertos, medida destinada a reduzir o risco de disseminação da bactéria durante o deslocamento das cargas.

As regras alcançam diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo colheita, beneficiamento, classificação, embalagem, armazenamento e transporte. O cumprimento dos procedimentos será fundamental para preservar o acesso da produção potiguar aos demais mercados brasileiros.

O que é o cancro cítrico

O cancro cítrico é uma doença causada pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri. O microrganismo pode infectar folhas, ramos jovens e frutos de diversas espécies e variedades comerciais de citros.

Os sintomas mais característicos são lesões salientes e amarronzadas, geralmente cercadas por uma borda de aparência encharcada e um halo amarelado. Em casos mais severos, a doença pode provocar desfolha, queda prematura dos frutos e redução da produtividade.

As frutas afetadas também perdem qualidade visual e valor comercial, ainda que a doença não represente risco à saúde humana.

Como ocorre a disseminação da doença

A propagação do cancro cítrico ocorre principalmente por meio de respingos de chuva associados ao vento. Condições de calor, elevada umidade e temporais favorecem a entrada e a multiplicação da bactéria nos tecidos vegetais.

Mudas contaminadas estão entre as principais fontes de disseminação a longas distâncias. A bactéria também pode ser transportada entre plantas e propriedades por:

  • ferramentas e máquinas agrícolas;
  • veículos utilizados no pomar;
  • caixas e materiais de colheita;
  • roupas e calçados de trabalhadores;
  • frutos e partes vegetais contaminados.

Ferimentos causados por ventos, granizo ou ataques de insetos facilitam a infecção. Por isso, o controle do minador-dos-citros é considerado importante, uma vez que as lesões abertas pelo inseto nas folhas podem favorecer a entrada da bactéria.

Manejo exige mudas sadias, inspeção e higienização

Com a mudança de status fitossanitário, os citricultores do Rio Grande do Norte precisarão ampliar a atenção ao manejo preventivo.

O uso de mudas certificadas e livres da doença é uma das principais medidas para impedir a entrada da bactéria em novos pomares. As propriedades também devem realizar inspeções frequentes para identificar rapidamente plantas ou frutos com sintomas.

Outras ações recomendadas incluem a desinfecção de ferramentas, máquinas, caixas e veículos, além do controle do acesso de pessoas e equipamentos às áreas de produção.

A implantação de quebra-ventos também ajuda a reduzir a velocidade das correntes de ar e a distância percorrida pelos respingos de chuva contaminados. O manejo adequado do minador-dos-citros complementa a estratégia de proteção dos pomares.

Seis municípios de Rondônia entram em regime de erradicação

Enquanto o Rio Grande do Norte passa a adotar o Sistema de Mitigação de Risco, seis municípios de Rondônia foram reconhecidos pelo Ministério da Agricultura como áreas sob erradicação do cancro cítrico.

A medida alcança:

  • Cabixi;
  • Chupinguaia;
  • Corumbiara;
  • Jaru;
  • Rolim de Moura;
  • Seringueiras.

O reconhecimento foi estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.678, também publicada nesta quarta-feira. Nesses municípios, a avaliação oficial é de que a eliminação dos focos ainda pode ser alcançada por meio de ações de vigilância e controle.

Outros quatro municípios rondonienses — Cerejeiras, Costa Marques, Pimenteiras do Oeste e São Francisco do Guaporé — já estavam incluídos no Sistema de Mitigação de Risco desde agosto.

As demais regiões de Rondônia permanecem classificadas como áreas sem ocorrência do cancro cítrico.

Novo status busca preservar produção e circulação de frutas

A alteração promovida pelo Ministério da Agricultura adequa as medidas de defesa vegetal à realidade epidemiológica de cada território.

No Rio Grande do Norte, o foco passa a ser a convivência controlada com a doença, mantendo a produção e a circulação de frutas sob regras rigorosas. Já nos seis municípios de Rondônia, a estratégia permanece direcionada à eliminação dos focos identificados.

Para os citricultores potiguares, o cumprimento das exigências do Sistema de Mitigação de Risco será determinante para reduzir perdas, proteger áreas ainda não afetadas e garantir a comercialização interestadual de laranjas, limões e tangerinas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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